O Coordenador Pedagógico como articulador do Projeto Político Pedagógico e a contribuição da Pedagogia Freireana para sua prática

 

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Por Marcia Gaddini

Ao pensarmos nas questões sobre o aperfeiçoamento da ação do coordenador pedagógico, a partir das contribuições da Pedagogia Freireana, se faz necessário compreender, dentre outros fatores, qual é o sentido da Pedagogia para Freire.

Danilo E. Streck, no Dicionário Paulo Freire, esclarece que não há uma pedagogia única, existe diversidade de formas atreladas aos momentos e contextos, o que implica no diálogo verdadeiro sobre a prática, a partir da vivência e da experiência, entendido como elemento para a formação na dinâmica dialética.

A necessidade formativa inicial e o desejo de aprender continuamente devem fazer parte das prioridades do professor na evolução da carreira, sobretudo quando o mesmo ambiciona tornar-se coordenador pedagógico. Portanto, o educador não deve apenas aceitar a realidade que se apresenta, mas também buscar maneiras de ir além, de buscar o conhecimento do outro, de oportunizar o desenvolvimento a partir da consciência desse conhecimento, possibilitando a transformação das adversidades do cotidiano. Este não deve conformar-se com a aceitação da realidade que se apresenta, mas sim apresentar formas de busca do conhecimento, de oportunizar o desenvolvimento a partir da consciência desse conhecimento, possibilitando a transformação das adversidades apresentadas nos desafios cotidianos.

Mais do que uma ciência que trata da educação, a Pedagogia é um conjunto de métodos que assegura ajuste de conteúdo. A partir dos ensinamentos de Freire podemos refletir sobre o processo de ensinar, que implica o de aprender e vice-versa, envolve a paixão de conhecer que nos insere numa busca prazerosa, ainda que nada fácil.

Para Paulo Freire antes de ensinar é preciso aprender. O bom aluno e o bom professor passam pela mesma necessidade da compreensão do aprender. Em Pedagogia da Autonomia, Freire estabelece relações sobre o ensinar. Ensinar exige conhecimento não apenas técnico, mas conhecimento das relações humanas, respeito ao próximo e amorosidade, reforçando a capacidade crítica do educando como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos.

Segundo Freire, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção. Sua concepção de educação libertadora tem uma visão humanista crítica, estuda-se o ser humano que aprende como um todo, sendo assim não podemos pensar apenas na dimensão cognitiva.  Não são considerados apenas conhecimentos, mas também escolhas e atitudes por meio de uma Educação dialógica ao pensar crítico diante de sua realidade.

Ao refletir sobre a formação do professor e os desafios da contemporaneidade, a mestre em Educação Joanete explicita de modo claro pontos referidos na pedagogia freireana, que versam sobre princípios e responsabilidades profissionais frente às questões adversas que enfrentamos cotidianamente, como a autora apresenta no trecho a seguir:

“Ser professor, na sociedade brasileira atual, é algo bastante complexo, pois o professor precisa ficar atento aos riscos que o contexto histórico lhe impõe, reduzindo por vezes, o conhecimento, ou seja o ‘saber’ ao ‘saber fazer’, por meio de técnicas, muitas vezes apoiadas em um discurso ideológico, pretensamente democrático. […]. É nessa sociedade marcada pelas desigualdades, que a necessidade de uma leitura crítica de mundo, que permita assumir a educação, enquanto direito cultural e não como produto do mercado, se impõe. Assim, não se pode perder de vista, na construção de uma identidade docente, o humano e o profissional”.

O Projeto Político Pedagógico (PPP) na escola é a referência documentada dos processos educativos discutidos, tal documento respalda determinadas decisões a serem tomadas pelo coletivo escolar, mas é importante ter entendimento do mesmo, com a interpretação à luz de um educador com a concepção ideológica crítica, assim sob o olhar da Pedagogia Freireana o PPP será uma referência dinâmica e viva.

Para que um Coordenador Pedagógico possa iniciar a reflexão sobre suas ações a serem desenvolvidas no contexto escolar, é necessário que tenha conhecimento do documento que define a identidade, embasa as ações e concepções, e indicam caminhos para o processo de ensino-aprendizagem.  Segundo a Pedagoga Prof.ª Dr ª Ana Maria Saul, na perspectiva freireana, currículo é a política, a teoria e a prática do que fazer na educação, no espaço escolar e nas ações que acontecem fora desse espaço, numa perspectiva crítico-transformadora.

Consideramos projeto por reunir as propostas de ação dentro de um determinado período de tempo; político por considerar a escola como um espaço de formação de educandos conscientes e críticos; pedagógico por organizar as atividades educativas imprescindíveis ao processo ensino-aprendizagem, documento este que indica caminhos a seguir para direção, coordenação pedagógica, alunos, familiares e demais funcionários de apoio.

Portanto, o Projeto Político Pedagógico contempla muito mais do que procedimentos: um projeto bem elaborado não deixa imprecisões sobre esse caminho; precisa ser flexível para se adaptar às necessidades de aprendizagem dos alunos; um projeto “vivo e real” que não fica “guardado”, mas ativo e inacabado, pois no decorrer do ano novas propostas vão permeando o fazer pedagógico e transformando-se em um novo projeto para ser apresentado no ano seguinte. Logo, o PPP é o exercício de elaboração do saber pedagógico para orientar a prática, não definitivo, é dinâmico e em contínua construção.

 

Marcia. Gaddini FTD pngMarcia Gaddini é Consultora Educacional da FTD Educação, mestranda em Educação – Formação de Formadores – PUC SP, trabalha e pesquisa sobre a formação inicial e continuada de profissionais da Educação. Especialista em Psicopedagogia pela Faculdade Oswaldo Cruz e Licenciada em Pedagogia com Habilitações em Administração Escolar e Orientação Educacional / Vocacional pela Faculdade Campos Salles. Atua há 20 anos na área educacional como docente em todos os segmentos da Educação Infantil ao Ensino Superior; também foi Coordenadora Pedagógica em Colégio Confessional em São Paulo.

Imagem: ©Divulgação.

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Quais atitudes dos pais podem ajudar ou atrapalhar no desempenho das crianças na escola?

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Por Gislene Maria Magnossão Naxara

Em mais de 30 anos de atuação na área de educação percebi que os pais precisam ser parceiros da escola, para que a criança perceba que eles e os colégios têm as mesmas atitudes em relação à aprendizagem. Quando falamos em educação, cada família tem a sua estrutura, já a escola trabalha com o coletivo. Ou seja, cada criança vem de uma família diferente, com crenças diferentes, mas o colégio tem uma rotina específica, que traz não só as questões pedagógicas e de aprendizagem, mas também as questões de limite, e acima de tudo, de respeito. Para a fase infantil, ter uma rotina é muito importante e a escola contribui com isso. Quando a família escolhe a instituição de ensino para o filho, é necessário que ela acredite nos valores e na proposta pedagógica que ela possui, para poder validá-los. A criança tem que saber que a atitude de ambas é a mesma.

A família também precisa caminhar junto à escola, pois se ela traz algo diferente do que a escola oferece para a criança, que passa grande parte do dia dentro do colégio, acaba atrapalhando o desenvolvimento infantil. Os familiares ajudam a escola quando acredita no trabalho da escola. A criança precisa ter a certeza de que a linguagem é a mesma, em casa e na escola, assim ela sai ganhando com isso. Como coordenadora pedagógica da Educação Infantil no Colégio Salesiano Santa Teresinha, na Zona Norte de São Paulo, percebi outras atitudes importantes de pais e responsáveis que ajudam a proporcionar momentos de estudo com qualidade aos educandos que gostaria de compartilhar.

Não há necessidade de obrigar a criança a estudar após o colégio. Para ela, a aprendizagem é muito espontânea e significativa. Portanto, uma atividade muito formal numa fase inicial não se faz necessária. Vale muito mais um tempo de leitura junto à família do que horas de estudo. Porém, você rever o que seu filho aprendeu na sala de aula, sentar com ele para que ele conte o que fez na escola, isso sim ajuda, além disso, ver e acompanhar a tarefa de casa é muito importante, pois nessa fase, a tarefa que vai para casa tem o intuito de formar a rotina de estudo. É fundamental que a criança tenha um período para essas tarefas que a escola envia, pois é a escola que dosa esse tempo necessário mediante as tarefas solicitadas. Não precisa de horas e horas de atividades e estudo na infância, mesmo porque num primeiro momento ela vai se dedicar, depois não mais, será algo mecânico.

Ela deve ter uma rotina, por conta disso são enviadas tarefas de acordo com a faixa etária que trará essa rotina. Dedicar um tempo curto para que a criança possa repensar o que ela aprendeu ou o tempo da demanda da tarefa que a escola encaminhou ajuda bastante. A família auxilia essa rotina. Se todo dia a criança tem tarefa, então todo dia ela sentará para fazê-la naquele momento, longe de brinquedo, televisão e outros aparelhos ou objetos que possam distraí-la. Outro ponto que pode ajudar é reforçar a postura de estudante e, por exemplo, evitar levar a criança para passear sem antes ter o tempo da tarefa, o que acaba mostrando que a escola está em segundo plano e que outras atividades são as prioridades.

Sendo assim, o tempo de tarefa que a escola solicita deve ser respeitado, pois a criança passa a entender qual é sua responsabilidade e vai inserindo uma rotina adequada de estudo. A quantidade de horas que uma criança precisa ter de estudo fora da sala de aula deve aumentar gradativamente. Para uma criança pequena, de 4 a 5 anos, uma tarefa de 30 minutos dá conta de uma dedicação efetiva nesse momento. Conforme ela vai crescendo, o tempo vai aumentando, pois, a necessidade é outra.

Na infância, ela passa pelo processo de construção do próprio conhecimento, mas com o passar do tempo o contato será com temas mais conceituais, que necessitam de mais estudo e pesquisa, ou seja, de um período maior. E quando, mesmo pequeno, mostramos que esse tempo de estudo é importante e mostramos que não é opcional, trabalhamos a postura de estudante e isso vai aumentando gradativamente, para que essa postura seja fortalecida e para que a criança dê conta da demanda que crescerá durante a vida escolar.

Gislene Maria Magnossão Naxara é Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e 1° ano do Colégio Salesiano Santa Teresinha, atua na área de educação há 32 anos. Formada em pedagogia e pós-graduada em psicopedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, ela também cursou especializações em didática de 1ª a 4ª série, semiótica e aprendizagem cooperativa com novas tecnologias no estilo Salesiano.

 

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Os desafios em sala de aula

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Por Ana Regina Caminha Braga

Nosso país vem apresentando dados preocupantes na educação. Segundo estatística divulgada em 2015, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o professor brasileiro chega a perder 20% do seu tempo em sala tentando colocar os alunos em ordem para, a partir de então, lecionar. Tais dados me preocupam, e devem ser levados em consideração não só pelos órgãos responsáveis, mas por toda a sociedade, para que medidas possam ser tomadas e esse quadro melhorado. Mas nós professores, também podemos adotar algumas medidas para melhorar essa situação.

Planejar o que pretende ser executado em sala e tentar prever esse tipo de situação pode facilitar a tarefa do professor no dia a dia. Desde as primeiras séries é fundamental ao docente ter um planejamento de aula, por exemplo, quando um aluno termina sua atividade antes da turma, naquele momento o professor já deve ter algum tipo de atividade que possa entretê-lo enquanto os demais finalizam a mesma tarefa. Esse tipo de atitude evita que o aluno fique muito tempo desocupado e acabe tirando o foco dos demais.

Inúmeras estratégias podem ser pensadas para facilitar a vida do professor em sala, voltamos aos exemplos. Quando ele percebe que existe em sala um aluno mais ativo que os demais, uma boa estratégia é convidá-lo para ser seu ajudante em sala, para auxiliá-lo em determinadas tarefas, assim a criança fica mais concentrada em sua nova função. Nós professores devemos ter claro o nosso papel, devemos demonstrar nossa autoridade em sala, não autoritarismo, mas sim o respeito.

Esse tipo de pesquisa nos ajuda a mapear não só o ambiente de aprendizagem, como as condições de trabalhos dos docentes, para que assim possamos redefinir políticas e adequa-las para o desenvolvimento da educação brasileira. O Brasil é hoje, o país que mais perde tempo de aula, já que a média apontada pela OCDE é de 13%, enquanto atingimos os tais 20%, isso precisa ser analisado e melhorado.

Outro dado que me chamou a atenção nessa mesma pesquisa, diz respeito à violência praticada contra professores. O país também lidera o ranking em casos de intimidação verbal de docentes. São problemas sérios, que em algum momento da vida acadêmica, nós, talvez, precisaremos enfrentar. Não podemos negar que eles existem, mas temos que trabalhar para que essa realidade melhore.  A falta de respeito e a agressão em sala tornam-se cada dia mais recorrentes e uma das únicas possibilidades de cessarmos este problema é a prática de punição, policiamento e leis que possam amparar tais situações.

 

ana 3x4Ana Regina Caminha Braga é escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar. Contato: anaregina_braga@hotmail.com

 

 

 

 

 

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7 passos para ter uma vida mais organizada em 2018

Fique de olho nessas dicas para ter a sua escola funcionando bem no próximo ano

Por Leiza Oliveira

O ano novo se aproxima e com ele as novas metas que fazemos. Todos sabem que estipular decisões é bem mais fácil do que seguir nelas. Então, como manter a persistência e o foco nas resoluções que listamos em Janeiro? Algumas pessoas ao ouvir e\ou citar a palavra organização já associam a algo difícil e burocrático. Porém, graças a ela, a tão temida organização, Aristóteles conseguiu reunir os pensamentos filosóficos e Freud criar a psicanálise. Imagina o que o simples fato de planejar e cumprir as metas pode fazer pelo seu negócio.

Sendo assim, me debrucei em alguns estudos neste ano para realmente cumprir com algumas metas e mais do que isso fazer com que esses objetivos fossem facilmente cumpridos nas minhas 70 escolas em todo o país. Foi um grande desafio, já que além de ter que me influenciar para cumprir as atividades ao longo do ano, teria que multiplicar esse conhecimento para cada gestor das unidades realizarem o estipulado.

Em Janeiro de 2017 fiz um planejamento de uma ação por mês nas escolas de inglês até Dezembro deste ano. O projeto deu tão certo que tivemos 100% de aproveitamento. Ou seja, apesar das dificuldades de cumprir com o que traçamos, e claro algumas adaptações em cada situação, conseguimos finalizar todas as metas. Esse é o primeiro segredo: estipular micro metas, ou seja, uma meta por mês. O nosso cérebro tende a poupar energia quando nos concentramos em uma ação por vez. Logo, o primeiro grande erro que nós seres humanos cometamos no começo do ano é criar metas absurdas, sem colocar um prazo, e em grande quantidade.

Para ajudar você, gestor educacional, a ter uma escola operando melhor em 2018, seguem 7 passos para ter uma rotina mais estruturada no novo ano:

  • Crie um horário fixo para despertar

A nossa mente é programada para a execução de tarefas ordenadas. Logo, não use a função soneca do despertador e crie o hábito de levantar no mesmo horário. O seu corpo se manterá mais disposto ao longo do dia e aumentará os níveis de concentração.

  • Inclua atividades físicas

Sim, organização, metas e objetivos profissionais tem haver com movimentação do corpo. Já ouviu aquele velho ditado: mente sã em corpo são, pois é facilmente aplicado no mundo dos negócios educacionais. Valem dedicar 30 minutos apenas por dia, mas é preciso regularidade em algum exercício. Além de liberar hormônios que provocam satisfação, o gestor educacional começa a perceber o quão valoroso é a prática de se exercitar e pode se tornar multiplicador na própria escola. Incentivando professores, coordenadores pedagógicos e estudantes.

  • Crie micro metas mensais

Como citei acima não adianta ampliar muito as metas, colocando objetivos inatingíveis e em números irreais. Trace de uma a duas metas mensais. Foque em terminá-las e se possível quantifique o tempo que usou para concretizá-las. Dessa forma, você terá controle do que fez. Estamos em uma era em que somos muito demandados por informações, seja por smartphone ou\e gestores, logo ter uma planilha com controle das nossas atividades gera alívio interno que fizemos o melhor daquele dia.

  • Seja bondoso (a) consigo mesmo

Isso é, caso aconteça algum imprevisto e você não consiga completar a meta estipulada mensal 100%, volte para analisar o que ficou pendente e planeje como cumpri-la no mês seguinte. Por mais que planejamos, às vezes há acontecimentos que fogem do previsível. Seja generoso com você mesmo e “arregace” as mangas para finalizar a meta nesse próximo período.

  • Se alimente bem e coma devagar

Muitos profissionais, principalmente os que atuam em escolas, “pulam” as refeições ou comem rápido demais. Seja pela demanda dos alunos ou por pensarem que dessa forma estão otimizando o tempo. Trata-se de um grande engano. A nossa mente para trabalhar bem e ser irrigada de sangue precisa ter no corpo substância benéfica que são oriundas do consumo e processamento correto dos alimentos. Por isso, dedique pelo menos 45 minutos para as refeições, deixe o celular longe, e relaxe. O momento das refeições é o instante de descanso do seu cérebro, haja coerente nesses momentos para depois conseguir exercer bem as suas atividades.

  • Dê feedback para os que percorrem as metas com você

Seja você um colaborador que cumpre as metas ou o planejador delas, dar um feedback do andamento é a melhor forma de se enxergar até onde caminhou. Dependendo da escola, uma meta criada no começo do mês pode tomar outros contornos se analisada quinzenalmente, por isso analise o andamento da execução. Uma boa dica é criar um relatório semanal e compartilhar com os demais as ações.

  • Inclua o lazer na sua rotina

Vale assistir um filme com os amigos, tomar um café em um lugar diferente, e\ou jantar com alguém querido. Lembre-se que para o seu cérebro pensar e agir, ele precisa ter combustível para isso. Lembrar-se das recompensas de cumprir as metas é importante. E uma das maiores recompensa que o ser humano pode ter é compartilhar momentos bons com os outros. “A felicidade só é real quando é compartilhada”, do filme Natureza Selvagem.

 

Leiza

Leiza Oliveira é CEO e diretora educacional da rede Minds Idiomas. Fez magistério, ciências contábeis e administra um total de 70 escolas de idiomas. Possui escolas nas 5 regiões do país. Realiza treinamento de franqueado, lida diretamente com alunos e atualmente reside nos Estados Unidos para trazer tecnologia para dentro das salas de aula das escolas da Minds.

Está pensando em reformar o a sua escola para 2018?

Fique de olho nessas dicas para não ter dor de cabeça

Por Leiza Oliveira

O ano novo se aproxima e com ele vêm as ideias de melhoria dos nossos negócios. Faço a gestão de mais de 70 escolas de inglês, da rede Minds Idiomas, e por trabalharmos em um sistema de franchising há padronização em todas as unidades. Manter esse padrão, incluindo a arquitetura/estrutura, não é uma tarefa fácil. Afinal, o Brasil tem mais de 8.516.000 km² de extensão e a Minds está presente nas 5 regiões do país.

Logo, é preciso um planejamento para realizar as reformas dessas escolas. Todavia, conseguir os mesmos fornecedores, obter prazos coerentes, ou mesmo reduzir o tempo das escolas fechadas para reforma, são alguns dos desafios que temos nessa época do ano.

A maioria das matrículas acontece em Janeiro. Mesmo em negócios que não são do segmento educacional exigem uma renovação física e interna para um bom começo de ano.

Por isso, implantei na Minds um planejamento desde começo de Setembro, com os mais de 100 franqueados. Que contempla: fases da reforma, análise dos custos e receita disponível em cada unidade. Para ajudar você, gestor educacional, seguem algumas dicas para não ter problemas nos reparos da sua escola:

Contrate uma empresa de gerenciamento – Em um primeiro momento você pode achar que este custo é desnecessário. Todavia, é o mais importante. Um gerenciador de obras é responsável por todos os outros prestadores de serviço. Isso fará com que fique mais fácil para você monitorar o andamento da obra. Afinal, estará centralizado nesse engenheiro (a). Pesquisa bem e contrate uma empresa bem avaliada;

Entre em acordo com o Engenheiro sobre o tempo de entrega – É aquele velho ditado, o combinado não sai caro, e no caso de reforma acertar o prazo de entrega é imprescindível para o sucesso da sua escola. Isso porque em Janeiro é o período que mais acontece matrículas. Logo, estar com a escola operando e bonita para receber os pais pode ser um critério de desempate para eles optarem pela sua instituição de ensino;

Seja criterioso (a) com o que realmente precisa reformar – Essa é outra dica que parece óbvia, porém difícil de aplicar. Quando estamos na situação tendemos a não enxergar outros lados, no caso da reforma outras “paredes”. Isso acontece porque ao reformar queremos deixar tudo como imaginamos, entretanto devemos ser realistas com a quantia que temos disponível para realizar a reforma, se realmente precisamos reformar aquela sala, o hall de entrada da escola, ou se a prioridade é modificar a fiação, por exemplo. Vale uma conversa com o gerenciador de obras e também com conhecidos. Lembre-se de não investir mais do que têm;

Acompanhe a obra – E acredite não necessariamente você precisa estar na obra da sua escola todos os dias. Há muitas empresas de gerenciamento que permite que o cliente monitore por meio de aplicativos, planilhas, imagens e etc.

Confie nos prestadores de serviço – É normal ficarmos ansiosos quando reformamos o nosso negócio, porém confiar em que está fazendo este trabalho também é algo importante. Uma reforma envolve muitos prestadores de serviço. Lembrem-se eles estudaram e tem experiência para mexer na estrutura da sua escola.

 

Leiza

Leiza Oliveira é CEO e diretora educacional da rede Minds Idiomas. Fez magistério, ciências contábeis e administra um total de 70 escolas de idiomas. Possui escolas nas 5 regiões do país. Realiza treinamento de franqueado, lida diretamente com alunos e atualmente reside nos Estados Unidos para trazer tecnologia para dentro das salas de aula das escolas da Minds.

Do professor de antes ao educador atual

 

Por Cristina Corsini

Inicio o meu texto com uma provocação: Temos hoje uma escola do século XIX, com professores do século XX, dando aulas para alunos do século XXI.

Antigamente a figura do professor era tida como sagrada. Uma pessoa muitas vezes austera, que dificilmente demonstrava seus sentimentos, detentor de todo o conhecimento e formador do caráter e costumes adequados à sociedade. Sua missão: transmitir o saber acumulado culturalmente e historicamente pela sociedade, depositar o conhecimento acumulado na cabeça do aluno, que numa posição totalmente submissa e dependente precisaria absorver, passivamente, como uma esponja, toda e qualquer informação.  A sua relação com os alunos era vertical, baseada na obediência e no medo. As famílias atribuíam a ele total confiança, uma vez que era a escola, através do professor, que seus filhos realizariam o sonho dourado de mudança de status e de ascensão social.

No entanto, muita coisa mudou. As demandas do século XXI esperam e exigem um educador que tenha consciência de que não é detentor da informação  como (pensavam) que eram os seus colegas de alguns (infelizmente, poucos) anos atrás, e que, mesmo com a consciência das deficiências da sua formação, seja capaz de enfrentar os desafios e esteja comprometido com a qualidade do seu trabalho. Alguém desvinculado de moldes e modelos e que não enxergue todos os alunos como sendo iguais em termos de ritmos e estilos de aprendizagem; que desenvolva a capacidade, a competência e a postura ética e comprometida para trabalhar cotidianamente com a educação na diversidade. Um mediador, que aponte caminhos e oriente o aluno na construção do conhecimento adotando práticas pautadas na criatividade e na inovação, motivando sempre os alunos a uma participação ativa e prazerosa.

Tudo muito bonito, mas NADA fácil! Conheço a realidade.

Professor: profissão pouco valorizada. Aliás, qual jovem hoje “sonha” em ser professor? Salário defasado, pouco investimento e respaldo por parte dos órgãos governamentais. Trabalho em salas de aula com alunos que muitas vezes só vão à escola porque são obrigados por lei ou com outros que por não terem o que comer em casa, vão por causa da merenda… No dia a dia tem que disputar com o celular a atenção do aluno, enfrentar problemas também com famílias, que insistem e, destituir a sua autoridade, questionando as suas práticas e normas. A violência tem crescido a cada dia, agressões, humilhações, indisciplina, dificuldades de aprendizagem e, pior, muitas vezes é visto como alguém que, por não ter tido oportunidade em outras áreas do mercado de trabalho, “quebra o galho” dando aulas.

Por outro lado, hoje o educador passa a ser reconhecido e respeitado não pelo o que sabe, mas pela forma com que media, de forma cooperativa, a construção do conhecimento do estudante. Trabalha em um ambiente mais dinâmico, sem tantas restrições políticas e morais, podendo interagir com seus alunos, sem ter que, para tal, deixar de ensinar e trabalhar o conteúdo. Tem a seu favor o mundo da tecnologia, incorporando práticas mais dinâmicas e inovadoras. E, finalmente, tem em suas mãos o combustível que faz o motor cognitivo funcionar: a afetividade e o diálogo, possibilitando uma relação menos autoritária e mais colaborativa. Então, ser um educador do século XXI é ser protagonista do ensino.

Ok, Ainda temos grandes dilemas. Mas, diante de um problema sempre digo que temos duas opções: ou buscamos culpados ou tentamos encontrar soluções. Podemos ficar no mimimi… mas, isso… mas, aquilo OU pensarmos no “apesar de”, SIM, possível chegar lá!

Eis os dados de duas pesquisas, uma realizada entre 2008 e 2009 e com 15 grupos de estudantes entre 15 e 22 anos, e outra realizada no período de 2015 e 2016 com 29 grupos (alunos, pais e professores) acerca do que é um bom professor / uma boa aula / uma boa escola. Especificamente no que tange a “ser um bom professor”, eis as opiniões dos alunos: tem que ter mais convívio com os alunos; uma relação mais próxima e de apoio. Já para os pais, ser um bom professor é estar mais focado em fomentar criatividade e relacionamento entre os alunos. Finalmente, de acordo com a concepção dos próprios professores, é ser um mediador e orientador. Menos dono da verdade. Ter mais cultura geral e repertório, boa oratória e se manter atualizado tecnologicamente.

A pergunta que não quer calar: o que foi apontado pelos alunos, pais e pelos próprios professores diz respeito à questão estrutural da educação, depende de ações do governo ou depende de investimento financeiro?

É urgente que a educação melhore e isso depende de muitos fatores, mas, principalmente, depende de NÓS, professores!

Cris CorsiniCristina Corsini é orientadora pedagógica do Anglo Center Ville e coordenadora da pós-graduação em Educação Socioemocioal do IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores)

 

 

 

 

 

Por que a criação das crianças ainda é carregada de estereótipos de gênero?

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Por Cris Kerr

Você está pensando em comprar o brinquedo para o seu filho de presente de Dia das Crianças? A primeira coisa que vem a sua cabeça é uma boneca para a menina e um carrinho para o menino? Este é um dos estereótipos de gênero, crenças generalizadas sobre as características e os comportamentos associados as mulheres e aos homens. Ainda hoje, a criação das crianças está carregada desses estereótipos e precisamos mudar este cenário, começando com a desconstrução desses conceitos.

Quando nossos filhos são bebês, criamos o primeiro estereótipo classificando as meninas com a cor rosa e os meninos com a cor azul. Em seguida, surge outro estereótipo, pois dividimos os brinquedos por gênero e definimos o comportamento esperado para cada grupo: as meninas brincam de boneca, de casinha e de cozinha, já os meninos brincam com carrinho, constroem foguetes e robôs, e podem brincar na rua, se aventurando em descobertas, enquanto a menina fica em casa e deve se comportar como uma mocinha.

Hoje em dia não existe mais brinquedo de meninos ou de meninas. No entanto, os pais não percebem que continuam a promover a cultura estereotipada de gêneros. Inconscientemente, eles têm medo de que os filhos sofram bullying ou discriminação quando brincam com um brinquedo que é considerado do outro gênero. Ou por terem a crença de que os brinquedos e a forma de educar podem definir a orientação sexual dos filhos.

Outro fator que influencia os estereótipos de gênero é a divisão das tarefas domésticas. Uma pesquisa da Plan International realizada com meninas de 6 a 14 anos no Brasil, identificou que elas são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico em casa. Enquanto 81,4% das meninas arrumam a própria cama, apenas 11,6% dos seus irmãos fazem a mesma tarefa. 76,8% das meninas lavam louça, comparado a somente 12,5% dos meninos. E ainda 65,6% das meninas limpam a casa, enquanto apenas 11,4% dos meninos contribuem nesse sentido. Esta divisão de tarefas está muito desigual, pois este é mais um estereótipo que associa as responsabilidades e tarefas da casa as mulheres.

A Universidade da Colúmbia Britânica identificou em uma pesquisa que nas casas onde à mãe faz a maior parte das tarefas domésticas, as filhas tendem a escolher profissões como enfermagem e veterinária ou se tornam donas de casa. Nas casas onde o pai participa ativamente das tarefas domésticas, elas tendem a escolher carreiras nas áreas de engenharia e finanças.

Todas estas informações e pesquisas mostram que os pais, a família, amigos e professores têm uma forte influência na construção dos estereótipos de gênero. Será que nós estamos atentos a forma como estamos educando e criando os nossos filhos? Vamos começar esta transformação em nossas famílias, desconstruindo os estereótipos de gênero? Desta forma, em um futuro próximo teremos uma sociedade mais saudável e menos preconceituosa com as crianças.

7014db4e19c59bb7e26d088ca13f8165Cris Kerr é palestrante, especialista em diversidade, empoderamento feminino e familiar, CEO da Agência CKZ e idealizadora do Fórum Mulheres em Destaque e do Fórum Gestão da Diversidade e Inclusão. Comenta sobre esses e outros temas todas as terças-feiras no seu Canal Vamos falar de Diversidade.

 

Ilustração: ©Dika Araújo/Reprodução