Relato: Para mães empreendedoras

pandoca

Quando tudo pode dar errado, mas dá certo: cuidar do negócio, licença maternidade e a difícil tarefa para quem leva carreira a solo

Por Talita Scotto

Empreender é um caminho muito solitário. É solitário para você se “auto motivar” diariamente, para a superação dessa jornada e principalmente para as decisões que terão de ser tomadas. Eu acreditava, mas pensava que em algum momento poderia dar errado. Não deu, mas sempre acho que pode dar. Achei que poderia dar errado quando chegasse o primeiro filho. Não deu. Empreendedores têm uma essência mais inquieta e esse ponto forte é, sem dúvida, um motor capaz de fazer a engrenagem funcionar – mesmo com um bebê no colo.

Vi meu projeto de TCC virar meu projeto de vida aos 22 anos de idade. E a maternidade acompanhou todo o processo sem precisar ser adiada. Essa história eu gosto de contar para você que, assim como eu, empreende solitária. Não tenha medo, pois é realmente possível unir as duas coisas. Casei aos 25 anos e engravidei a primeira vez aos 27. Perdi dois bebês e descobri a trombofilia, que me trouxe uma outra jornada: engravidar e continuar mantendo o foco. Depois de 333 injeções dei à luz uma menina – que chegou para completar a família e, claro, ensinar ainda mais a colocar as prioridades no lugar.

Fiz home-office desde que cheguei em casa com ela. Embora tivesse me estruturado internamente, há assuntos que só o dono é capaz de responder pelo seu negócio. E quem empreende sabe que se desconectar do negócio é difícil. Às vezes, aquele projeto que você tanto queria chega na hora mais conturbada da sua vida. E comigo não foi diferente. Vi novos clientes e projetos irrecusáveis chegarem quando ela tinha 45 dias de vida e aquela pessoa que você apostou para te cobrir sair da empresa. Me vi ali, aceitando o crescimento da empresa no momento em que deveria estar assistindo Discovery Kids e acertando a pega da amamentação.

Tive vontade de jogar tudo para o alto, mas já tinha percorrido 8 anos de trabalho e isso me dava um orgulho imenso – sei que ela vai se orgulhar no futuro também. Nunca esqueço que montei um berço do lado da minha mesa, com trocador e mamadeiras, e fiz um processo seletivo amamentando. Por escolha minha, tomei decisões com a realidade que tinha naquele momento. Mais uma vez, tinha a certeza que não daria certo. Deu e não só deu, como foram as melhores profissionais que poderiam estar do meu lado naquela fase. Por isso, cerque-se de bons profissionais para lhe auxiliar nessa etapa. Por mais que você se estruture, imprevistos sempre podem acontecer.

Depois de três meses em home-office com contatos diários por telefone e por vídeo com a equipe, voltei ao escritório alguns dias da semana e fui aumentando gradativamente minhas idas. Mudei a empresa de bairro para estar ao lado do meu maior suporte familiar: os avós. Trabalhava, amamentava, voltava para trabalhar, e vez ou outra levava trabalho para casa quando o prazo apertava.

A rotina é puxada? Sim. Conciliar é difícil? Sim. Dá vontade de surtar? Sim. É perfeitamente compreensível que a tarefa de cuidar de um bebê e de uma empresa é desgastante mas, a decisão do que será melhor só você pode tomar. Eu escolhi dançar conforme a música. Não perdi o prazo dos clientes e nem o prazo da amamentação, dos horários com o pediatra, dos remédios, trocas de fraldas, das brincadeiras, os primeiros passos. Empreender ainda te dá a liberdade de, com o passar dos meses, estabelecer uma nova rotina de horários e de trabalho

Aquele ser que parece tão frágil vai ser o que vai te fazer mais forte no final. Aquele que lhe dará mais força para lutar diariamente pelo seu negócio. Nessa rotina de equilibrar pratos, consegui manter ela comigo até 1 ano e 3 meses, depois a escola entrou para deixar tudo mais regrado, e ela deixou saudades no escritório.

Hoje, ao olhar para trás, me pergunto como consegui e vejo que, a jornada está ainda melhor. Aprendi que as horas extras são na minha casa, com minha filha. Que o horário comercial é comercial mesmo. Que casos especiais são casos especiais – mesmo. Que é perfeitamente possível resolver as coisas das 9h as 18h e que tem o dia seguinte para continuar. As prioridades me ajudaram a ser mais produtiva e não ter distrações, porque produtividade virou sinônimo de resultados e mais tempo com ela. Afinal, eu tenho um compromisso muito importante me esperando em casa: minha família.

Hoje ela está com quase 2 anos. Sua chegada me ajudou a reestruturar a empresa, a equipe, a marca, o nosso posicionamento e os nossos resultados. Mudei de endereço novamente e escolhi outra cidade, que me permite ter qualidade de vida no trabalho e na vida pessoal. E quando, no auge das emoções, alguém te disser “Calma, essa fase vai passar”, acredite. Ela passa.

imagem_release_1158987

Talita Scotto é jornalista e diretora da Agência Contatto, especializada em assessoria de imprensa e conteúdo, empreendedora desde os 22 anos e mãe da pequena Theodora.

 

 

 

 

 

Imagem: ©Divulgação.

Geração Mulher Maravilha

1797132186-mulher

2018 será o ano das mulheres? Essa foi uma questão muito discorrida no final do ano de 2017, principalmente após a disseminação da #MeToo que expõe o assédio sexual em todo o mundo. A partir do impacto da divulgação do escândalo do produtor cinematográfico americano Harvey Weinstein, que foi acusado de abusar sexualmente algumas estrelas da televisão, a discussão da igualdade sexual e empoderamento feminino voltou à tona com cada vez mais ativistas.

O ano começou e é possível ver as mulheres cada vez mais presentes em importantes cargos nos negócios. Segundo o Sebrae as mulheres já ocupam 43,2% dos cargos de gerência em micro e pequenas empresas.

É possível ver que o empreendedorismo tem gerado uma forte onda de empoderamento e autonomia financeira. Dentre as empresárias 40% tem menos de 34 anos e estão concentradas principalmente em quatro áreas de atuação: restaurantes (16%), serviços domésticos (16%), cabeleireiros (13%) e comércio de cosméticos (9%), e muitas empreendem dentro de casa (35%).

Um ótimo exemplo de mulher empreendedora é a Mariana Silveira Ribeiro professora e proprietária da Taste n’ Learn, uma escola de idiomas com recursos inovadores, que tem como método de ensino a gastronomia. Graduada em Comunicações e Letras em Inglês e Espanhol pela San Diego State University morou 9 anos nos Estados Unidos.

Grande parte do empoderamento vem da capacidade de acreditar em si, batalhar para alcançar seus sonhos e principalmente correr os riscos necessários, sem medo de errar. Mariana viajou, estudou e iniciou sua carreira nos EUA, porém não parou por aí, em seguida, se mudou para Roma (Itália), onde viveu por dois anos estudando a língua e a gastronomia. Há dois anos, retornou para o Brasil e fez o curso de Chef Internacional pelo Senac, em São Paulo. Estagiou com renomados profissionais como Alex Atala e Viko Tangoda e atualmente fala mais de oito idiomas e é totalmente autônoma. Essa mulher pode servir como exemplo para encorajar muitas outras a seguirem seus sonhos, afinal o empoderamento feminino pode ser alcançado também através do empreendedorismo.

Outra mulher exemplo é a Silvia Taioli, que foi se aventurar na área dos esportes e se tornou a mais reconhecida e admirada jogadora de Sinuca. Foi-se o tempo que o “sexo frágil” comparecia aos bares de sinuca só para acompanhar os namorados ou por motivos sociais. A profissional se tornou campeã brasileira e tetracampeã paulista, também a única comentarista de bilhar, tanto na categoria feminino como masculino nas transmissões da ESPN Internacional no Brasil. Com o pensamento e a vontade de trazer mais mulheres para este meio se tornou instrutora de sinuca e leciona aulas em salões consagrados, além de promover, frequentemente, workshop dedicado exclusivamente ao público feminino.

Cada vez mais as mulheres vêm conquistando as diferentes áreas e mostrando que também são capazes de alcançar o sucesso com sua determinação. Estão empreendendo, na área dos esportes e também trazendo ideias e recursos de outros países para o Brasil.

Caramapple foi criada por Mariane Noda, que descobriu tradicional sobremesa americana chamada Caramel Apple que ficou famosa e hoje a loja está com as vendas disparadas. É de ideias inovadoras e feitas com carinho que o mundo dos negócios está precisando, e se tem uma coisa que a geração mulher maravilha é ótima é em não desistir e seguir com seus sonhos, e segundo a Mariane Noda “é necessário muita paciência e muita paixão.”

Muitas vezes as mulheres entram em carreiras para alcançar uma meta financeira, porém não é aquilo que elas realmente gostam de fazer. A coach Renata Tolotti passou por um processo de reinvenção de carreira, possuía um escritório de arquitetura e como a profissional diz, tomou a melhor decisão de sua vida “cheguei no meu escritório de arquitetura e arranquei a fachada”. Após essa mudança começou a trabalhar com coach e seguir seus sonhos e superar todas as dificuldades que encontrou pelo caminho. Adicionou a mentoria em seu trabalho o que mais uma vez trouxe ótimos resultados e a empresa alcançou quase meio milhão em um ano. Renata foi atrás e alcançou seus objetivos, hoje tem muito prazer na área em que atua e seu trabalho ajuda a mostrar para as pessoas que elas são capazes de ter a vida que elas merecem, com mais amor, sonhos, risos e realizações.

 

 

Imagem: ©Divulgação.

Gênero em questão: Psicóloga dá dicas para educar as crianças sem estereótipos

Close-up of gender symbols on colorful paper

O conceito de igualdade de gêneros é um tema de extrema relevância a ser discutido em sociedade. A busca pela equivalência entre homens e mulheres leva milhares de pessoas a lutarem por direitos e deveres iguais. Um tema tão importante assim deve ser levado em consideração na educação das crianças, permitindo que elas possam crescer sem a interferência ou limitações de estereótipos.

A psicóloga do São Cristóvão Saúde, Aline Melo, dá dicas aos pais de como educar os pequenos sem preconceitos. “O mais importante na criação dos filhos mediante este aspecto de igualdade é não fazer diferença entre os gêneros quanto a educação e orientações. É preciso incentivar a independência e autonomia da criança independente do gênero e, principalmente, a possibilidade de que ela tome decisões ponderando sobre as consequências das mesmas sobre si e sobre os outros. Assim, o anseio por autonomia e evolução se transforma em uma regra geral, não direcionada apenas para um ou outro sexo específico”.

O senso de independência da criança deve ser estimulado desde cedo. “Os pais devem mostrar a importância de refletir sobre decisões, pensando em suas consequências, bem como trabalhar a autonomia para ajudar a criar um senso de autocuidado e responsabilidade, o que auxilia até a serem adultos mais seguros no futuro. E este aspecto pode ser incentivado em situações simples, como: no cuidado, preservação e organização de seus brinquedos; e nas tarefas ao qual a criança pode ser inserida visando a perceber a importância de sua contribuição para a família e para si”, explica a especialista.

Um bom jeito de auxiliar no desenvolvimento desta característica é o ato de brincar. “É importante que os pais se apropriem deste momento de descontração com a criança para que elas trabalhem suas fantasias e reflitam sobre seus comportamentos por meio do brincar. Uma criança que não brinca é uma criança triste, o brincar está totalmente atrelado a um melhor desenvolvimento emocional dos pequenos”, assegura Aline. As brincadeiras das crianças promovem interação e incentivam a criatividade e sociabilidade.

Segundo a psicóloga, não devemos limitar suas ações como “coisa de meninas” ou “coisa de meninos”, podendo, sim, meninas brincarem de carrinho, assim como os meninos de boneca. “A criança não nasce com preconceitos ou ideias formadas, isso ela adquire no contato com o outro, na convivência em sociedade. Um menino que é estimulado a nunca chorar, pois isso é ‘coisa de menina’, vai se apropriar de tal aspecto, imaginando uma maior fragilidade feminina. No entanto, também vai sofrer com isso, porque tem sentimentos e medos e precisa se expressar. O preconceito é prejudicial para ambos os sexos”, alerta a profissional.

É muito importante para a criança que ela se sinta amada e reconhecida pelo olhar de seus responsáveis, colaborando para criarem a própria percepção de si, já que a autoestima nada mais é do que o conjunto de crenças que formamos sobre nós. “Atualmente, também precisamos levar em consideração que vivemos em uma sociedade que exige um padrão de beleza especifico e isso acaba envolvendo até mesmo as crianças. Esse é mais um forte motivo para trabalhar a autoconfiança desde cedo, para que as crianças não sucumbam a essas cobranças e aceitem-se como são”, recomenda.

O maior ensinamento que os pais devem transmitir é o respeito e isso é feito por meio de exemplo. “Se um menino cresce vivendo com um pai que desempenha uma postura machista e desrespeitosa para com a mãe, experienciando situações de limitações e imposições constantes para com ela, o menino crescerá com este padrão de percepção, já que os pais são os grandes modelos inspiradores das crianças. Por isso, é preciso pontuar sobre as potencialidades femininas, bem como as masculinas. E, principalmente, mostrar que devemos respeitar não somente as mulheres, mas todos os seres”, aconselha a psicóloga. “Quanto mais discutirmos com nossos filhos essas desigualdades pré-estabelecidas pela sociedade, não somente relacionada à diferença de sexo, mas a qualquer tipo de preconceito, criaremos adultos mais conscientes e orientados a lidar com o outro de maneira humana e ética”, finaliza.

Exemplos práticos:

– Minha filha quer jogar futebol, mas os amigos não deixam. Como agir?

A não aceitação dos amigos provem de uma influência da sociedade, pais e até mesmo das mídias sociais (quantas vezes vemos jogos de futebol feminino gerando tanta repercussão e telespectadores como os jogos masculinos?). Esse é um ponto que deve ser trabalhado amplamente. É importante sinalizar para a menina que situações como esta podem ocorrer por inúmeros fatores, mas que isso não deve faze-la desanimar ou se restringir, apresentando a possibilidade de que ela mostre aos amigos suas capacidades também. Caso seja possível, trabalhar também com os responsáveis desses amigos, visando a estimular tal reflexão.

– Meu filho quis passar batom. Como devo agir?

A princípio, devemos compreender que as crianças são curiosas e que tudo que é novo e atrativo chama a atenção e dá vontade de experimentar e conhecer. Mediante tal ponto, o importante é abordar o assunto com naturalidade e tranquilidade. Muitas vezes, quando tal situação ocorre gera nos pais um medo muito grande de que tal atitude interfira na orientação sexual da criança, porém ninguém se transforma homossexual somente pelo desejo de usar um batom. Isso é importante ficar claro para que se consiga lidar com essa situação sem maiores problemas ou definições do tipo “batom é coisa de mulher”, uma boa saída é pontuar que maquiagens em geral pertencem ao mundo adulto, explicando para a criança que ele ou ela terá o momento certo de conhecer mais sobre tal aspecto caso mantenha seu interesse.

– Como explicar para a criança que rosa não é cor de menina e azul não é cor de menino?

Esse é um problema muito comum. Muitas vezes, os pais estão esclarecidos de tais aspectos, mas esbarram nos estereótipos criados por escolas ou até mesmo por outros familiares com os quais a criança convive. É importante levantar essa questão com a escola e trabalhar a reflexão, até mesmo para estendê-la aos outros alunos e pais.

 

Imagem: ©Divulgação.

Os três pilares do aprendizado

capa_video_aprender_5_etapas-1080x675

Por Cleia Farinhas

A educação brasileira passa por um profundo processo de transformação com a implantação da nova Base Nacional Comum Curricular. Precisamos estar prontos para este processo, ajudar nossos professores a fazer essa transição e oferecer a nossos alunos ensino de qualidade e alinhado com os novos tempos. Para cumprir essa missão, precisamos enxergar a educação do futuro levando em conta 3 aspectos importantes: segurança, pertinência e experiência.

O acesso às ferramentas tecnológicas que facilitam o consumo e propagação do conhecimento já chegou a todas as camadas sociais. A tecnologia não é mais vista como uma barreira para o conhecimento. E seu uso começa cada vez mais cedo. Pensando nisso, torna-se fundamental cuidar de nossas crianças. Quando permitimos que alunos, a partir dos 6 ou 7 anos, se aventurem em busca de conteúdo na internet, é o mesmo que deixarmos esses estudantes atravessarem sozinhos uma avenida enorme e movimentada sem levá-los pela mão. Como educadores, temos a responsabilidade de guiá-los, oferecendo um aprendizado seguro e de qualidade. Essa segurança só será garantida com conteúdos confiáveis, produzido por fontes que saibam aliar tradição e inovação.

Em momentos de transição, com a grade curricular sofrendo alterações, os responsáveis por gerar conteúdo devem ter em mente que os temas e materiais propostos devem ser pertinentes, perfeitamente alinhados com o momento e o novo perfil de estudante que temos em sala de aula. O mundo mudou, a forma de ensinar e interagir com o conhecimento também mudou. Os conteúdos que os alunos precisam aprender devem fazer sentido para eles. É preciso atribuir a esses materiais um significado prático, para que eles consigam responder ‘para que’ estão aprendendo aquilo, a fim de que estabeleçam vínculos entre escola e vida, enxerguem a relação entre conteúdos de diversas disciplinas e, com isso, aprendam, percebendo que a escola tem sentido.

E para cumprirmos de fato nossa missão, precisamos encarar o grande desafio que é promover uma experiência capaz de envolver o estudante. Estamos diante de uma nova geração de alunos, que aprendem de forma muito diferente de como se aprendia 10 anos atrás. É preciso entender a dinâmica dessa nova geração para organizar a aprendizagem de maneira que os estudantes se sintam incluídos e se identifiquem com os propósitos da escola, se envolvendo com o conteúdo. Cabe, portanto, a professores e gestores escolares a responsabilidade de entender este novo cenário e oferecer ao novo aluno uma experiência que promova o engajamento necessário para garantir um aprendizado efetivo e permanente.

Cleia Farinhas é gerente pedagógica da Editora Positivo.

 

Imagem: ©Reprodução.

A presença feminina na escola

 

Classroom
Por Raquel Quirino Piñas, do Memorial do Colégio Marista Arquidiocesano

No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, e nessa data pensamos na presença e na atuação feminina, sobretudo na Educação. Quem visita uma escola brasileira em 2018 verifica, com naturalidade, a forte presença das mulheres por meio de suas professoras e alunas; no entanto, nem sempre foi assim.

A Lei de Instrução Pública, assinada em 15 de outubro de 1827, decretava a criação de escolas de primeiras letras no Brasil e determinava em seu artigo 11 a existência de estabelecimentos de ensino destinados às meninas nas cidades e vilas mais populosas, e em localidades nas quais as autoridades julgassem necessárias.

Para todas as crianças seria ensinado ler, escrever, fazer as quatro operações aritméticas, a gramática da língua nacional, os princípios da moral cristã e a doutrina católica, utilizando-se do estudo da Constituição do Império e da História pátria. As diferenças entre os gêneros apresentavam-se na exclusividade do estudo de geometria para os meninos e o de prendas e economia doméstica para as meninas.

Entretanto, a lei não foi suficiente para garantir o ingresso da maioria das crianças e jovens na escola, principalmente no caso das meninas. A legislação de ensino apresentava-se como um avanço ao afirmar a necessidade de instrução para as mulheres, todavia reafirmava a vida doméstica como seu espaço inato de atuação. A diferença na instrução e na separação de escolas para meninos e meninas marcou o final do século XIX e início do XX.

A legislação para ensino estimulou a abertura de instituições dedicadas a formação docente. No ano de 1846 é fundada a Escola Normal de São Paulo, que somente em 1875 passa a admitir as primeiras normalistas, em espaços e horários separados do sexo oposto. Paulatinamente, nas décadas seguintes o número de estudantes mulheres cresceu, dando origem a uma “feminização do magistério”, em um momento no qual o público masculino era atraído para novas oportunidades de trabalho com o desenvolvimento urbano e industrial.

A industrialização também impulsionou a inauguração em 1911 da primeira Escola Profissional Feminina em São Paulo. O currículo da escola era composto por aulas de confecção de roupas, rendas e bordados, flores e chapéus, e conhecimentos em puericultura (cuidados com bebês). No Brasil, a diferenciação de currículo para públicos feminino e masculino estendeu-se até 1950, quando as instituições públicas de ensino passaram a ser mistas. Nas escolas católicas, a aceitação de ambos os sexos no mesmo espaço foi mais tardio, a partir da década de 1970. 

Apesar do ingresso tardio no universo formal da Educação, as mulheres ocupam hoje lugar de destaque em todos os níveis de escolaridade, algo demonstrado pela pesquisa do IBGE ‘Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010’, que identificou que no ensino médio houve um aumento da frequência das meninas de 9,8% em relação aos meninos. Na universidade, as mulheres também passaram a ser maioria, uma vez que totalizam 57,1% do total de alunos de 18 a 24 anos.

Apesar dos números animadores, ainda há uma série de debates e reflexões sobre qual é o papel da mulher na sociedade. Pode-se afirmar que a escola ampliou as possibilidades femininas de vida e realização, e continua sendo um espaço privilegiado em um mundo que segue em transformação.

 

Imagem: ©Reprodução.

Inofensivos, divertidos e engraçados? #sqn

crimes-digitais-proteger-criança-na-internet-crimes-pela-internet

Por Cristina Corsini

Desafios lançados na internet viraram febre e vêm se tornando moda. A primeira vista, podem até ser engraçados, divertidos e, também, parecerem brincadeiras bobas e inofensivas… SÓ QUE NÃO! Ledo engano! Brincadeiras equivocadas e desafios pesados podem causar lesões sérias, danos irreparáveis no cérebro e, em casos mais graves, a morte de crianças e adolescentes.

Recentemente, virou notícia a morte de uma menina de sete anos. Motivo? A garotinha, curiosa acerca de um vídeo postado no Youtube – o “Desafio do Desodorante”, resolveu imitar o conteúdo inalando desodorante aerossol direto em sua boca, o que provocou uma parada cardíaca. Pouco tempo antes os noticiários anunciaram outra morte. Dessa vez provocada por complicações respiratórias devido ao “Desafio da Asfixia” – que consiste, basicamente, em prender a respiração de maneira mecânica, até perder os sentidos. A vítima? Um adolescente de 13 anos. Ah, sem esquecer, logicamente, as vítimas do Desafio da “Baleia Azul”.

O que mais assusta em tudo isso é que os vídeos, divulgadas como “brincadeiras” nas redes sociais, estão ali… ao alcance de todos… basta um simples click! Desafio do Desodorante, o da Pimenta, o do Martelo, o da Colher de Canela e inúmeros outros… todos com um grau de perigo para quem tentar realizá-los. Pois, são essas tais “brincadeiras”, que viralizam rapidamente, que já mataram mais de uma dezena de jovens brasileiros e deixaram outras centenas feridas.

Influenciáveis e suscetíveis, muitos aceitam os desafios movidos pela curiosidade e outros, por autoafirmação e para serem socialmente aceitos, mesmo tendo certa ideia de que não lhes parece certo.

Denunciar é praticamente impossível, porque, além dos vídeos lançados por canais e também por youtubers famosos muito mais preocupados em gerar “curtidas” e “visualizações”, ao invés do mal que aquele conteúdo pode causar, as pessoas que aceitam o desafio acabam, também, postando os seus vídeos na rede e, aí, tudo fica fora de controle.

Internet é muito legal, interessante e atraente! Pode, inclusive, representar um verdadeiro “parquinho de diversões” para as crianças e “point” para os adolescentes… Um espaço sem fronteiras, que oferece informações rapidamente, aprendizado, diversão e através do qual é possível se conectar com o mundo todo, o que é positivo, sem dúvida.

No entanto, o fato de crianças e jovens não estarem na rua e, sim, dentro de casa não pode ser considerado sinônimo de proteção e segurança. Ao acessar a rede é como se eles estivessem trazendo a “rua” para dentro de casa. A diferença? Antes eram as ruas de asfalto que geravam preocupação nos pais, hoje devem ser os “becos online”. Esse público corre perigo e está vulnerável, sim, uma vez que muitos dos perigos do mundo real estão no mundo virtual. Têm riscos e é perigoso que não podemos subestimar – imagens de conteúdo adulto, comportamentos agressivos, pedofilia, pornografia, tráfico.

Não tem como impedi-los de terem acesso à rede. Proibir o uso não previne e, muito menos, educa. É sabido que hoje o mercado dispõe de uma série de programas que filtram e bloqueiam sites. No entanto, isso é apenas uma ajuda; Não podem substituir o acompanhamento da família. Sem dúvida alguma, o único caminho para a proteção e educação é a orientação e assistência. O uso responsável e saudável da tecnologia por parte de crianças e adolescentes tem que vir acompanhado de abertura para o diálogo. Note bem, DIÁLOGO, não monólogo… só ficar falando “não faça” ou pregando “você não pode fazer tal coisa porque é errado”, de nada vai adiantar. É importante que o adulto seja um mediador que os ajude a desenvolver competências socioemocionais, tais como a autoestima e a autoproteção, bem como os ensine a refletir – antes de tomarem qualquer atitude, é importante ver se realmente aquilo é bom para eles e não agirem guiados apenas pelas emoções, mas com inteligência. Por fim, é necessário desenvolver uma relação de confiança.

No que diz respeito à escola, essa tem papel da essencial, pois é um espaço para disseminar informações e promover debates que alertam para o uso responsável da internet e para a construção de um ambiente digital mais ético e seguro.

Resumindo, o melhor controle parental ainda é a proximidade com as crianças e adolescentes. O importante é permitir o acesso, porém com regras e limites acordados. Afinal, não podemos priva-los dessa importante ferramenta de comunicação, pesquisa e diversão! Então:

1.    Criança e adolescente + tecnologia = trabalho para os pais e escola.
2.    Diálogo + confiança = internet segura.

Cris CorsiniCristina Corsini é psicopedagoga, orientadora educacional do Anglo Center Ville e coordenadora nacional do curso de pós-graduação em Educação Socioemocioal do IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores)

 

 

 

 

 

Imagem: ©Divulgação.

O desafio de administrar mais de uma escola em 2018

Algumas dicas simples podem facilitar o seu dia a dia na administração

Por Leiza Oliveira

Gerenciar duas ou mais escolas pode trazer desafios ao empreendedor. Porém, lembre-se que é nas dificuldades que vêm os ganhos. No caso de trabalhar com educação esses ganhos não são apenas financeiros. Envolve a formação de vidas e com isso o ganho do aprendizado desses alunos, professores, e todas as partes envolvidas de uma instituição escolar.

Áreas como administrativa, pedagógica e comercial fazem uma escola funcionar. Entretanto, sem sinergia e consciência que o bom atendimento é o que deve ser colocado em primeiro lugar, às unidades tende a falência. Na Minds Idiomas, por exemplo, é comum um franqueado ter mais de uma unidade. É ainda mais comum esse gestor ter sócios nas demais escolas. Logo, o desafio é de estabelecer um planejamento em cada estrutura, organizar o tempo despendido com cada local e dividir as tarefas. Para isso, estabelecemos a Universidade Corporativa que nada mais é que cursos presenciais e online para todos os colaboradores da rede Minds Idiomas.

Para ajudar você, gestor educacional, que tem mais de uma escola para administrar, seguem 5 dicas para gerenciar com competência e sem stress:

  • Defina prioridades para cada escola

Vale criar um planejamento mensal e seguir as diretrizes estabelecidas. É claro que imprevistos acontecerão, porém tentar seguir ao máximo com o planejado fará com que os custos e receitas de cada escola sejam bem estudados e não “fujam” do previsto. Mesmo que aconteça de ter que alocar quantias de uma unidade para outra é possível nesse planejamento realocar as finanças no mês seguinte e tornar os caixas de cada escola sadios.

  • Ouça os alunos

O que acontece em uma unidade não necessariamente vai acontecer na outra. Fique atento (a) quanto a isso. Cada indivíduo é único e captar como estão aprendendo é o papel de qualquer instituição escolar. Logo, crie canais eletrônicos e\ou converse pessoalmente com os estudantes. Esse “feedback” pode lhe ajudar a mudar a metodologia usada e enxergar o que é preciso ser mudado naquela unidade.

  • Dê treinamentos para os colaboradores

Vale um curso presencial e/ou online. O importante é toda a cadeia que faz a escola funcionar ser treinada periodicamente. Pode ser semestral ou anual. Cada colaborador precisa saber qual o seu papel, objetivos que deve percorrer e como crescer na carreira. Profissionais satisfeitos refletirão isso aos alunos. E todos só têm a ganhar.

  • Use a tecnologia

Muitos gestores escolares olham para os meios digitais como concorrentes. Aulas online e ensino a distância assustam muitos empreendedores. Entretanto, o ensino tradicional, olho no olho, pode ser intercambiado com a internet. O local para achar informações jamais substituirá a troca com outro ser humano. Assim, unir tecnologia para desburocratizar algumas atividades na escola pode ser de grande ganho para estudantes e funcionários. Sistemas que lançam notas ou mesmo conteúdo para o aluno(a) ler em casa pela internet são válidos.

  • Transparência é a arma do sucesso

Já sabemos que cada escola terá problemas e soluções distintas. Porém, algo comum a todas são as pessoas. Funcionários, alunos e pais compõem a estrutura escolar. Assim, tornar a visibilidade de dados acessível faz com que a sua escola ganhe credibilidade e resolva conflitos. Por exemplo: um coordenador pedagógico precisa saber o rendimento de cada professor e aluno. Assim como os responsáveis pelos estudantes precisam saber como eles estão caminhando no estudo e no convívio com os demais. Abra esses dados, sem medo, mesmo que tenha que enfrentar algumas represálias. É só na transparência que poderá corrigir as arestas de cada escola.

 

Leiza

Leiza Oliveira é CEO e diretora educacional da rede Minds Idiomas. Fez magistério, ciências contábeis e administra um total de 70 escolas de idiomas. Possui escolas nas 5 regiões do país. Realiza treinamento de franqueado, lida diretamente com alunos e atualmente reside nos Estados Unidos para trazer tecnologia para dentro das salas de aula das escolas da Minds.