Escola e aprendizado: Motivação para aprender, sempre!

 

Por Cleia Farinhas

Ao mesmo tempo em que constatamos que a facilidade de acesso à informação pode ser um ativo importante para impulsionar as pessoas em direção ao conhecimento, nos deparamos com notícias como as do Censo Escolar da Educação Básica 2017, que mostram uma preocupante redução no número de alunos matriculados no Ensino Médio, fato que nos leva a algumas reflexões sobre o papel da escola nesse cenário. O levantamento, divulgado pelo Ministério da Educação, aponta que 1,5 milhão de jovens ficaram fora da sala de aula no ano passado.

A imensa – muitas vezes, até incontrolável – oferta de informação online derrubou por completo a barreira que separava o indivíduo da informação e do conhecimento construído histórica e socialmente. Hoje em dia, qualquer pessoa pode aprender sobre qualquer assunto de seu interesse. Basta procurar para encontrar conteúdos impressos, digitais, gratuitos ou pagos. Diante disso, vemos um número muito alto de estudantes que acabam desistindo da escola nos últimos anos da Educação Básica.

O que aconteceu com a curiosidade, a vontade ou a necessidade tão humana de aprender pelas vias formais? Por que jovens, que deveriam estar cada vez mais entusiasmados diante de tantos incentivos, simplesmente parecem “desistir de aprender na escola”? Sabemos que fatores sociais e econômicos podem interferir – e muito – no caminho para a escolaridade, mas somente isso não basta para fechar essa questão.

Precisamos analisar o problema, lançando um olhar crítico sobre a forma como a educação vem se sustentando ao longo dos anos e o modelo de escola que oferecemos aos nossos estudantes. É certo que a educação formal e tradicional, que historicamente coloca o professor como protagonista e detentor absoluto dos conhecimentos, já não funciona para as novas gerações, acostumadas a obterem o que querem com apenas um click no mouse ou uma deslizada de dedo pelo celular. Fato é que a internet expandiu os horizontes e fez surgir, por força das circunstâncias, uma dinâmica diferente entre quem ensina e quem aprende.

Escolas e educadores que já perceberam essa mudança adaptam-se continuamente revendo seus papéis e atuando para construir uma escola mais inclusiva no que tange a metodologias e recursos de gestão de aprendizagem, sem esquecer de mobilizar a curiosidade e o apreço pelo aprender em um ambiente desafiador, sem perder o acolhimento. Uma boa dose de espanto e incredulidade pode influenciar positivamente a postura do estudante. Pensada sob essa perspectiva, a escola  ajuda a criar o interesse por meio de um processo – às vezes árduo, sabemos – de parceria entre os professores, alunos e suas famílias. É preciso assumir o compromisso de estar junto – e não à frente ou acima. Cabe a nós, professores, ajudar a construir pontes que aproximem cada vez mais crianças e jovens do conhecimento. Como fazer isso? Estimulando os meninos e meninas na busca por respostas a perguntas que não necessariamente tenham relação com o conteúdo de sala de aula. É preciso fazer com que ele se sinta desafiado a alçar voos longos – e o lugar certo para essa trajetória ser iniciada é a escola, que deve ser vista pelos alunos como um espaço permanente de acolhimento de pessoas e ideias.

Aprender depende, principalmente, de motivação e atitude. O estímulo surge quando algo nos provoca, incentiva e mobiliza. E tal mobilização pode ser conquistada quando se conseguir transformar a escola em um lugar que alimente o sonho e incentive a criação de um projeto maior, para a vida. Só assim nossos estudantes conseguirão se concentrar e enxergar que todo esse processo de construção do conhecimento vale, de fato, a pena.

imagem_release_1282264Cleia Farinhas é gerente pedagógica da Editora Positivo.

 

 

 

 

 

 

Imagem: ©Divulgação.

Dica: Veja 5 livros para fazer a gestão da sua escola

Se inspire com as obras abaixo e dê uma guinada na sua escola

Por Leiza Oliveira

Algo importante para se iniciar esse texto é o questionamento que devemos fazer a nós, educadores e gestores escolares, do tempo que dedicamos a leitura no nosso dia a dia. Queremos que nossos alunos(a) leiam mais e com isso se tornem cidadãos melhores. Indicamos diversos livros sobre os mais variados temas. No caso da minha rede educacional, a Minds Idiomas, sempre citamos livros em inglês para os jovens e adultos aprenderem o idioma e ainda ficarem por dentro de outras culturas.

Entretanto, é aquele velho ditado: faça o que eu digo e não o que eu faço. Muitos docentes acompanham de perto a evolução dos estudantes ao terminarem as obras indicadas por eles, mas não fazem o mesmo. O estudo continuado deve existir a princípio pelos professores e gestores das escolas para assim conseguirem ser exemplo aos demais, entre eles os alunos.

Logo, dedicar pelo menos uma hora por dia e/ou 30 minutos na rotina lendo obras que possam melhorar a sua qualidade de vida no ambiente educacional e assim impactar na transformação da aprendizagem fará com que a sua escola se desenvolva melhor. Tanto em termos pedagógicos, fazendo com que esses estudantes se tornem autores da própria aprendizagem e não apenas receptores de informações, quanto também em termos de lucratividade. Quando alunos se transformam em cidadãos melhores, se apropriam de conteúdo, e não apenas como agentes que memorizam assuntos, todos só tem a ganhar. A sociedade, a escola, e o lucro capital e intelectual dessa unidade.

Para te ajudar, professor/a, gestor/a escolar, e demais colaboradores, selecionei 5 livros para tornar a sua escola melhor:

  • Aula Nota 10: 49 técnicas para ser um professor campeão de audiência (Doug Lemov)

Muitos livros trazem bastante teoria e pouca prática. Buscando desmistificar esse padrão, Lemov traz nessa obra 49 ações que você pode colocar na sala de aula.Com uma linguagem fácil e exemplos reais, esse livro é atemporal e pode ser usado em todo o tipo de escola desde idiomas a letivas.

  • Diretor escolar: educador ou gerente? (Vitor Henrique Paro)

Um dos temas abordados por Paro nesse livro e de muita importância é a separação que existe entre os setores administrativo e pedagógico. Paro prova que ambos estão ligados e precisam um do outro para que a escola seja uma referência de ensino. Propõe diálogo entre essas duas áreas escolares. A obra é fruto de uma pesquisa empírica em uma escola pública municipal de São Paulo.

  • GTD – A arte de fazer acontecer (David Allen)

Trata-se de um método criado por David Allen para a vida. GTD é a sigla para Getting Things Done e incentiva a produtividade na nossa rotina por meio do esvaziamento da mente. Conseguindo dessa forma usar de criatividade até nas tarefas mais simples. A obra pode te ajudar a ter uma conduta de relacionamento melhor na escola e também nos seus relacionamentos interpessoais e tarefas fora do ambiente de trabalho.

  • O que revela o espaço escolar? (Comunidade educativa Cedac e Editora Moderna)

Dessa lista esse é um dos livros que mais gosto. Você sabia que o ambiente escolar interfere no processo de aprendizado? E pode também interferir na forma como os docentes e demais colaboradores se sentem na condução das suas atividades diárias? A obra trata desde como resolver conflitos difíceis nas escolas a entender o ambiente escolar que estamos inseridos.

  • A prática educativa – Como ensinar (Antoni Zabala)

Um dos temas abordados nessa obra é a gestão do tempo. Na era atual em que tudo parece para ontem e que estar online é sinônimo de estar antenado, a distribuição do tempo para os afazeres do dia a dia está sendo um problema cada vez mais notado por todos. Zabala reúne no livro dicas para melhorar a prática escolar, fazer a gestão do tempo com eficácia e a importância da relação entre professor e aluno.

 

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Leiza Oliveira é CEO e diretora educacional da rede Minds Idiomas. Fez magistério, ciências contábeis e administra um total de 70 escolas de idiomas. Possui escolas nas 5 regiões do país. Realiza treinamento de franqueado, lida diretamente com alunos e atualmente reside nos Estados Unidos para trazer tecnologia para dentro das salas de aula das escolas da Minds.

Pequenas crianças, grandes responsabilidades

Por Hannyni Mesquita

Ao ouvirem especialistas afirmarem com propriedade que a Educação Infantil é a mais importante etapa do desenvolvimento de um indivíduo – mais até do que a universidade – muitas pessoas se mostram surpresas ou incrédulas. Quem trabalha com crianças nessa faixa etária – até os 6 anos – sabe que a afirmação não é exagerada. Essa é a fase de maior desenvolvimento humano.

Durante a chamada primeiríssima infância, de 0 a 3 anos, se aprende mais do que se aprenderá ao longo de toda a vida. Para além do discurso de educadores, são os cientistas que afirmam: nos primeiros anos, o cérebro faz mais conexões do que em qualquer outro período da vida. São de 700 a 1.000 conexões por segundo. Aos 3 anos, ele é duas vezes mais ativo que o cérebro de um adulto. Pesquisas americanas realizadas com milhares de crianças mostram que alunos que tiveram uma boa Educação Infantil precisam de menos reforço escolar e apresentam melhor desempenho no Ensino Fundamental. Em outro estudo, cientistas de Harvard já apontaram que quanto mais a criança se desenvolve na escola nessa fase da vida, maiores são as chances de chegar ao Ensino Superior e ganhar bons salários, quando adulta.

As afirmações são importantes para reforçar que o ambiente no qual a criança cresce é fundamental para garantir seu pleno desenvolvimento – e não estamos falando apenas do cenário doméstico: o ambiente escolar também é determinante. As escolas que ofertam a Educação Infantil têm uma enorme responsabilidade com a humanidade, por isso saber o que fazer, por que fazer e como fazer é para profissionais – e exige muita formação continuada e acompanhamento direto de pessoas capacitadas para transformar a prática em objeto de reflexão para a melhoria contínua. É necessário que os profissionais entendam que o brincar é a linguagem da criança e que consigam transformá-lo em instrumento mediador no processo didático-pedagógico. Tal recurso é ferramenta indispensável no desenvolvimento qualitativo dos aspectos cognitivo, motor, afetivo, psicológico e social, e, portanto, necessita de valorização dentro das propostas educacionais.

Apesar da legislação brasileira considerar que a Educação Infantil faz parte da Educação Básica, o país ainda não exige formação superior dos profissionais que atuam nessa etapa de ensino (mesmo que essa seja a 15ª meta do nosso Plano Nacional de Educação).  Fora isso, há escolas com um número imenso de profissionais atuando na Educação Infantil sem a formação adequada porque muitos ainda acreditam que, quando se trata de criança pequena, basta apenas cuidar. Uma pesquisa realizada em seis capitais brasileiras revela que 65% dos professores que atuam nessa fase de ensino não tem qualificação específica para trabalhar com educação de crianças. O que não é levado em conta nesse atual cenário é que o próprio cuidar deve vir acompanhado de orientações e embasamentos. Sem o conhecimento necessário, o profissional recorre ao senso comum, sem conhecer o que é esperado para cada faixa etária, como aprender, ensinar e organizar tempo e espaço na Educação Infantil, como, efetivamente, podemos proporcionar o aprender brincando. E só para reforçar: não basta apenas formação inicial, a formação continuada precisa fazer parte da rotina do profissional.

O professor de Educação Infantil deve ter um coração disposto a criar vínculos afetivos, mãos habilidosas para se dedicar ao trabalho diário e uma mente disposta a aprender, sempre. Deve apresentar também um olhar que é desenvolvido por meio de orientação e formação, calibrado para perceber situações corriqueiras, transformando-as em disparadores para novas aprendizagens. Ele precisa ser paciente – a repetição faz parte do processo – ao mesmo tempo que precisa ser criativo, procurando diferentes maneiras de mediar a aprendizagem. É na troca e na rica experiência que testamos, nos frustramos, conquistamos e crescemos. É com a atitude diária, cotidiana, muitas vezes vista como banal, que transformamos. A repetição, a permanência da regra, a mediação realizada “milhões de vezes”, essas sim, consideram a complexidade do ser humano. Devemos ser capazes de transformar o pensamento em ação e repensar a ação por meio da reflexão, sem perder o entusiasmo, a coragem de tentar o diferente e inovar.  Afinal, trabalhamos com a melhor fase do ser humano.

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Hannyni Mesquita é pedagoga, especialista em Gestão das Organizações Educacionais e Educação Bilíngue. É gestora da Educação Infantil do Colégio Positivo Júnior, de Curitiba (PR)

 

 

 

 

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Relato: Para mães empreendedoras

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Quando tudo pode dar errado, mas dá certo: cuidar do negócio, licença maternidade e a difícil tarefa para quem leva carreira a solo

Por Talita Scotto

Empreender é um caminho muito solitário. É solitário para você se “auto motivar” diariamente, para a superação dessa jornada e principalmente para as decisões que terão de ser tomadas. Eu acreditava, mas pensava que em algum momento poderia dar errado. Não deu, mas sempre acho que pode dar. Achei que poderia dar errado quando chegasse o primeiro filho. Não deu. Empreendedores têm uma essência mais inquieta e esse ponto forte é, sem dúvida, um motor capaz de fazer a engrenagem funcionar – mesmo com um bebê no colo.

Vi meu projeto de TCC virar meu projeto de vida aos 22 anos de idade. E a maternidade acompanhou todo o processo sem precisar ser adiada. Essa história eu gosto de contar para você que, assim como eu, empreende solitária. Não tenha medo, pois é realmente possível unir as duas coisas. Casei aos 25 anos e engravidei a primeira vez aos 27. Perdi dois bebês e descobri a trombofilia, que me trouxe uma outra jornada: engravidar e continuar mantendo o foco. Depois de 333 injeções dei à luz uma menina – que chegou para completar a família e, claro, ensinar ainda mais a colocar as prioridades no lugar.

Fiz home-office desde que cheguei em casa com ela. Embora tivesse me estruturado internamente, há assuntos que só o dono é capaz de responder pelo seu negócio. E quem empreende sabe que se desconectar do negócio é difícil. Às vezes, aquele projeto que você tanto queria chega na hora mais conturbada da sua vida. E comigo não foi diferente. Vi novos clientes e projetos irrecusáveis chegarem quando ela tinha 45 dias de vida e aquela pessoa que você apostou para te cobrir sair da empresa. Me vi ali, aceitando o crescimento da empresa no momento em que deveria estar assistindo Discovery Kids e acertando a pega da amamentação.

Tive vontade de jogar tudo para o alto, mas já tinha percorrido 8 anos de trabalho e isso me dava um orgulho imenso – sei que ela vai se orgulhar no futuro também. Nunca esqueço que montei um berço do lado da minha mesa, com trocador e mamadeiras, e fiz um processo seletivo amamentando. Por escolha minha, tomei decisões com a realidade que tinha naquele momento. Mais uma vez, tinha a certeza que não daria certo. Deu e não só deu, como foram as melhores profissionais que poderiam estar do meu lado naquela fase. Por isso, cerque-se de bons profissionais para lhe auxiliar nessa etapa. Por mais que você se estruture, imprevistos sempre podem acontecer.

Depois de três meses em home-office com contatos diários por telefone e por vídeo com a equipe, voltei ao escritório alguns dias da semana e fui aumentando gradativamente minhas idas. Mudei a empresa de bairro para estar ao lado do meu maior suporte familiar: os avós. Trabalhava, amamentava, voltava para trabalhar, e vez ou outra levava trabalho para casa quando o prazo apertava.

A rotina é puxada? Sim. Conciliar é difícil? Sim. Dá vontade de surtar? Sim. É perfeitamente compreensível que a tarefa de cuidar de um bebê e de uma empresa é desgastante mas, a decisão do que será melhor só você pode tomar. Eu escolhi dançar conforme a música. Não perdi o prazo dos clientes e nem o prazo da amamentação, dos horários com o pediatra, dos remédios, trocas de fraldas, das brincadeiras, os primeiros passos. Empreender ainda te dá a liberdade de, com o passar dos meses, estabelecer uma nova rotina de horários e de trabalho

Aquele ser que parece tão frágil vai ser o que vai te fazer mais forte no final. Aquele que lhe dará mais força para lutar diariamente pelo seu negócio. Nessa rotina de equilibrar pratos, consegui manter ela comigo até 1 ano e 3 meses, depois a escola entrou para deixar tudo mais regrado, e ela deixou saudades no escritório.

Hoje, ao olhar para trás, me pergunto como consegui e vejo que, a jornada está ainda melhor. Aprendi que as horas extras são na minha casa, com minha filha. Que o horário comercial é comercial mesmo. Que casos especiais são casos especiais – mesmo. Que é perfeitamente possível resolver as coisas das 9h as 18h e que tem o dia seguinte para continuar. As prioridades me ajudaram a ser mais produtiva e não ter distrações, porque produtividade virou sinônimo de resultados e mais tempo com ela. Afinal, eu tenho um compromisso muito importante me esperando em casa: minha família.

Hoje ela está com quase 2 anos. Sua chegada me ajudou a reestruturar a empresa, a equipe, a marca, o nosso posicionamento e os nossos resultados. Mudei de endereço novamente e escolhi outra cidade, que me permite ter qualidade de vida no trabalho e na vida pessoal. E quando, no auge das emoções, alguém te disser “Calma, essa fase vai passar”, acredite. Ela passa.

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Talita Scotto é jornalista e diretora da Agência Contatto, especializada em assessoria de imprensa e conteúdo, empreendedora desde os 22 anos e mãe da pequena Theodora.

 

 

 

 

 

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Geração Mulher Maravilha

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2018 será o ano das mulheres? Essa foi uma questão muito discorrida no final do ano de 2017, principalmente após a disseminação da #MeToo que expõe o assédio sexual em todo o mundo. A partir do impacto da divulgação do escândalo do produtor cinematográfico americano Harvey Weinstein, que foi acusado de abusar sexualmente algumas estrelas da televisão, a discussão da igualdade sexual e empoderamento feminino voltou à tona com cada vez mais ativistas.

O ano começou e é possível ver as mulheres cada vez mais presentes em importantes cargos nos negócios. Segundo o Sebrae as mulheres já ocupam 43,2% dos cargos de gerência em micro e pequenas empresas.

É possível ver que o empreendedorismo tem gerado uma forte onda de empoderamento e autonomia financeira. Dentre as empresárias 40% tem menos de 34 anos e estão concentradas principalmente em quatro áreas de atuação: restaurantes (16%), serviços domésticos (16%), cabeleireiros (13%) e comércio de cosméticos (9%), e muitas empreendem dentro de casa (35%).

Um ótimo exemplo de mulher empreendedora é a Mariana Silveira Ribeiro professora e proprietária da Taste n’ Learn, uma escola de idiomas com recursos inovadores, que tem como método de ensino a gastronomia. Graduada em Comunicações e Letras em Inglês e Espanhol pela San Diego State University morou 9 anos nos Estados Unidos.

Grande parte do empoderamento vem da capacidade de acreditar em si, batalhar para alcançar seus sonhos e principalmente correr os riscos necessários, sem medo de errar. Mariana viajou, estudou e iniciou sua carreira nos EUA, porém não parou por aí, em seguida, se mudou para Roma (Itália), onde viveu por dois anos estudando a língua e a gastronomia. Há dois anos, retornou para o Brasil e fez o curso de Chef Internacional pelo Senac, em São Paulo. Estagiou com renomados profissionais como Alex Atala e Viko Tangoda e atualmente fala mais de oito idiomas e é totalmente autônoma. Essa mulher pode servir como exemplo para encorajar muitas outras a seguirem seus sonhos, afinal o empoderamento feminino pode ser alcançado também através do empreendedorismo.

Outra mulher exemplo é a Silvia Taioli, que foi se aventurar na área dos esportes e se tornou a mais reconhecida e admirada jogadora de Sinuca. Foi-se o tempo que o “sexo frágil” comparecia aos bares de sinuca só para acompanhar os namorados ou por motivos sociais. A profissional se tornou campeã brasileira e tetracampeã paulista, também a única comentarista de bilhar, tanto na categoria feminino como masculino nas transmissões da ESPN Internacional no Brasil. Com o pensamento e a vontade de trazer mais mulheres para este meio se tornou instrutora de sinuca e leciona aulas em salões consagrados, além de promover, frequentemente, workshop dedicado exclusivamente ao público feminino.

Cada vez mais as mulheres vêm conquistando as diferentes áreas e mostrando que também são capazes de alcançar o sucesso com sua determinação. Estão empreendendo, na área dos esportes e também trazendo ideias e recursos de outros países para o Brasil.

Caramapple foi criada por Mariane Noda, que descobriu tradicional sobremesa americana chamada Caramel Apple que ficou famosa e hoje a loja está com as vendas disparadas. É de ideias inovadoras e feitas com carinho que o mundo dos negócios está precisando, e se tem uma coisa que a geração mulher maravilha é ótima é em não desistir e seguir com seus sonhos, e segundo a Mariane Noda “é necessário muita paciência e muita paixão.”

Muitas vezes as mulheres entram em carreiras para alcançar uma meta financeira, porém não é aquilo que elas realmente gostam de fazer. A coach Renata Tolotti passou por um processo de reinvenção de carreira, possuía um escritório de arquitetura e como a profissional diz, tomou a melhor decisão de sua vida “cheguei no meu escritório de arquitetura e arranquei a fachada”. Após essa mudança começou a trabalhar com coach e seguir seus sonhos e superar todas as dificuldades que encontrou pelo caminho. Adicionou a mentoria em seu trabalho o que mais uma vez trouxe ótimos resultados e a empresa alcançou quase meio milhão em um ano. Renata foi atrás e alcançou seus objetivos, hoje tem muito prazer na área em que atua e seu trabalho ajuda a mostrar para as pessoas que elas são capazes de ter a vida que elas merecem, com mais amor, sonhos, risos e realizações.

 

 

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Gênero em questão: Psicóloga dá dicas para educar as crianças sem estereótipos

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O conceito de igualdade de gêneros é um tema de extrema relevância a ser discutido em sociedade. A busca pela equivalência entre homens e mulheres leva milhares de pessoas a lutarem por direitos e deveres iguais. Um tema tão importante assim deve ser levado em consideração na educação das crianças, permitindo que elas possam crescer sem a interferência ou limitações de estereótipos.

A psicóloga do São Cristóvão Saúde, Aline Melo, dá dicas aos pais de como educar os pequenos sem preconceitos. “O mais importante na criação dos filhos mediante este aspecto de igualdade é não fazer diferença entre os gêneros quanto a educação e orientações. É preciso incentivar a independência e autonomia da criança independente do gênero e, principalmente, a possibilidade de que ela tome decisões ponderando sobre as consequências das mesmas sobre si e sobre os outros. Assim, o anseio por autonomia e evolução se transforma em uma regra geral, não direcionada apenas para um ou outro sexo específico”.

O senso de independência da criança deve ser estimulado desde cedo. “Os pais devem mostrar a importância de refletir sobre decisões, pensando em suas consequências, bem como trabalhar a autonomia para ajudar a criar um senso de autocuidado e responsabilidade, o que auxilia até a serem adultos mais seguros no futuro. E este aspecto pode ser incentivado em situações simples, como: no cuidado, preservação e organização de seus brinquedos; e nas tarefas ao qual a criança pode ser inserida visando a perceber a importância de sua contribuição para a família e para si”, explica a especialista.

Um bom jeito de auxiliar no desenvolvimento desta característica é o ato de brincar. “É importante que os pais se apropriem deste momento de descontração com a criança para que elas trabalhem suas fantasias e reflitam sobre seus comportamentos por meio do brincar. Uma criança que não brinca é uma criança triste, o brincar está totalmente atrelado a um melhor desenvolvimento emocional dos pequenos”, assegura Aline. As brincadeiras das crianças promovem interação e incentivam a criatividade e sociabilidade.

Segundo a psicóloga, não devemos limitar suas ações como “coisa de meninas” ou “coisa de meninos”, podendo, sim, meninas brincarem de carrinho, assim como os meninos de boneca. “A criança não nasce com preconceitos ou ideias formadas, isso ela adquire no contato com o outro, na convivência em sociedade. Um menino que é estimulado a nunca chorar, pois isso é ‘coisa de menina’, vai se apropriar de tal aspecto, imaginando uma maior fragilidade feminina. No entanto, também vai sofrer com isso, porque tem sentimentos e medos e precisa se expressar. O preconceito é prejudicial para ambos os sexos”, alerta a profissional.

É muito importante para a criança que ela se sinta amada e reconhecida pelo olhar de seus responsáveis, colaborando para criarem a própria percepção de si, já que a autoestima nada mais é do que o conjunto de crenças que formamos sobre nós. “Atualmente, também precisamos levar em consideração que vivemos em uma sociedade que exige um padrão de beleza especifico e isso acaba envolvendo até mesmo as crianças. Esse é mais um forte motivo para trabalhar a autoconfiança desde cedo, para que as crianças não sucumbam a essas cobranças e aceitem-se como são”, recomenda.

O maior ensinamento que os pais devem transmitir é o respeito e isso é feito por meio de exemplo. “Se um menino cresce vivendo com um pai que desempenha uma postura machista e desrespeitosa para com a mãe, experienciando situações de limitações e imposições constantes para com ela, o menino crescerá com este padrão de percepção, já que os pais são os grandes modelos inspiradores das crianças. Por isso, é preciso pontuar sobre as potencialidades femininas, bem como as masculinas. E, principalmente, mostrar que devemos respeitar não somente as mulheres, mas todos os seres”, aconselha a psicóloga. “Quanto mais discutirmos com nossos filhos essas desigualdades pré-estabelecidas pela sociedade, não somente relacionada à diferença de sexo, mas a qualquer tipo de preconceito, criaremos adultos mais conscientes e orientados a lidar com o outro de maneira humana e ética”, finaliza.

Exemplos práticos:

– Minha filha quer jogar futebol, mas os amigos não deixam. Como agir?

A não aceitação dos amigos provem de uma influência da sociedade, pais e até mesmo das mídias sociais (quantas vezes vemos jogos de futebol feminino gerando tanta repercussão e telespectadores como os jogos masculinos?). Esse é um ponto que deve ser trabalhado amplamente. É importante sinalizar para a menina que situações como esta podem ocorrer por inúmeros fatores, mas que isso não deve faze-la desanimar ou se restringir, apresentando a possibilidade de que ela mostre aos amigos suas capacidades também. Caso seja possível, trabalhar também com os responsáveis desses amigos, visando a estimular tal reflexão.

– Meu filho quis passar batom. Como devo agir?

A princípio, devemos compreender que as crianças são curiosas e que tudo que é novo e atrativo chama a atenção e dá vontade de experimentar e conhecer. Mediante tal ponto, o importante é abordar o assunto com naturalidade e tranquilidade. Muitas vezes, quando tal situação ocorre gera nos pais um medo muito grande de que tal atitude interfira na orientação sexual da criança, porém ninguém se transforma homossexual somente pelo desejo de usar um batom. Isso é importante ficar claro para que se consiga lidar com essa situação sem maiores problemas ou definições do tipo “batom é coisa de mulher”, uma boa saída é pontuar que maquiagens em geral pertencem ao mundo adulto, explicando para a criança que ele ou ela terá o momento certo de conhecer mais sobre tal aspecto caso mantenha seu interesse.

– Como explicar para a criança que rosa não é cor de menina e azul não é cor de menino?

Esse é um problema muito comum. Muitas vezes, os pais estão esclarecidos de tais aspectos, mas esbarram nos estereótipos criados por escolas ou até mesmo por outros familiares com os quais a criança convive. É importante levantar essa questão com a escola e trabalhar a reflexão, até mesmo para estendê-la aos outros alunos e pais.

 

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Os três pilares do aprendizado

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Por Cleia Farinhas

A educação brasileira passa por um profundo processo de transformação com a implantação da nova Base Nacional Comum Curricular. Precisamos estar prontos para este processo, ajudar nossos professores a fazer essa transição e oferecer a nossos alunos ensino de qualidade e alinhado com os novos tempos. Para cumprir essa missão, precisamos enxergar a educação do futuro levando em conta 3 aspectos importantes: segurança, pertinência e experiência.

O acesso às ferramentas tecnológicas que facilitam o consumo e propagação do conhecimento já chegou a todas as camadas sociais. A tecnologia não é mais vista como uma barreira para o conhecimento. E seu uso começa cada vez mais cedo. Pensando nisso, torna-se fundamental cuidar de nossas crianças. Quando permitimos que alunos, a partir dos 6 ou 7 anos, se aventurem em busca de conteúdo na internet, é o mesmo que deixarmos esses estudantes atravessarem sozinhos uma avenida enorme e movimentada sem levá-los pela mão. Como educadores, temos a responsabilidade de guiá-los, oferecendo um aprendizado seguro e de qualidade. Essa segurança só será garantida com conteúdos confiáveis, produzido por fontes que saibam aliar tradição e inovação.

Em momentos de transição, com a grade curricular sofrendo alterações, os responsáveis por gerar conteúdo devem ter em mente que os temas e materiais propostos devem ser pertinentes, perfeitamente alinhados com o momento e o novo perfil de estudante que temos em sala de aula. O mundo mudou, a forma de ensinar e interagir com o conhecimento também mudou. Os conteúdos que os alunos precisam aprender devem fazer sentido para eles. É preciso atribuir a esses materiais um significado prático, para que eles consigam responder ‘para que’ estão aprendendo aquilo, a fim de que estabeleçam vínculos entre escola e vida, enxerguem a relação entre conteúdos de diversas disciplinas e, com isso, aprendam, percebendo que a escola tem sentido.

E para cumprirmos de fato nossa missão, precisamos encarar o grande desafio que é promover uma experiência capaz de envolver o estudante. Estamos diante de uma nova geração de alunos, que aprendem de forma muito diferente de como se aprendia 10 anos atrás. É preciso entender a dinâmica dessa nova geração para organizar a aprendizagem de maneira que os estudantes se sintam incluídos e se identifiquem com os propósitos da escola, se envolvendo com o conteúdo. Cabe, portanto, a professores e gestores escolares a responsabilidade de entender este novo cenário e oferecer ao novo aluno uma experiência que promova o engajamento necessário para garantir um aprendizado efetivo e permanente.

Cleia Farinhas é gerente pedagógica da Editora Positivo.

 

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