Desigualdade entre gêneros aumenta no mercado formal de trabalho

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Especialista da FGV, Viviane Narducci, destaca que atualmente as mulheres, em cargos executivos, recebem cerca de 68% do rendimento médio dos homens

Conquistar um ambiente de trabalho em que mulheres tenham as mesmas oportunidades de crescimento profissional que os homens, é uma das questões discutidas quando falamos sobre “empoderamento feminino”.

Quanto mais elevado o nível hierárquico, menor é a participação feminina, muito embora pesquisas recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontem que o nível de escolaridade feminino já ultrapassa o dos homens.

De acordo com Viviane Narducci, diretora da Narducci Consulting, PHD e Mestre em Administração de Empresas pela Escola de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EBAPE –FGV), mais do que buscar espaço no mercado de trabalho, é preciso enxergar com naturalidade as mulheres em posições de lideranças nas grandes organizações do país.

Em 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, um momento especial para levantar o debate sobre essa questão. “As posições hierárquicas mais elevadas, como os cargos de gerência e direção, demandam competências que independem de gênero. Assim como a remuneração, também, não deveria depender de gênero, mas de resultados”, diz Viviane Narducci.

Segundo estudo realizado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), no que diz respeito ao gênero, os homens ocupam 68,7% dos cargos gerenciais, comparados com 31,3% das mulheres. Em outras funções executivas a diferença ainda é maior, os homens estão presentes em 86,4% e as mulheres em 13,6% em posições de direção e presidência.

Já nos conselhos administrativos, a diferença ainda é mais gritante, 89% de participação masculina, em relação aos 11% de participação feminina. Mesmo com algumas empresas apresentando políticas de diversidade, apenas 11% possuem algum tipo de programa de ampliação da participação das mulheres em cargos executivos.

“São vários debates acadêmicos empenhados na classificação das características femininas que podem fazer a diferença como, por exemplo, nos trabalhos em equipe, nas tomadas de decisão ou na administração de conflitos”, comenta a especialista.

O discurso das organizações traz a meritocracia como um grande avanço na gestão de pessoas, entretanto, isso ainda não está traduzido nas políticas de promoções. “Estamos na ‘Era da Transparência’, na qual a coerência, entre discursos e práticas, é fundamental para garantir a sustentabilidade das empresas e por isso, vale refletir sobre a realidade que queremos construir para todas nós”, afirma Viviane Narducci.

 

Foto: ©Divulgação

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