O importante papel do professor na Educação Especial

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É relevante pontuar que o papel do professor é importante na mesma intensidade, interesse e formação independente da modalidade de ensino em que esse profissional está inserido, pois todo aprendiz precisa ser considerado com suas habilidades e limitações e assim trabalhados, desenvolvidos com o objetivo de adquirirem o conhecimento de maneira adequada. Ao trabalhar com a Educação Especial o professor deve buscar para sua formação profissional os conteúdos pertinentes, os quais podem auxiliar no momento de planejar e desenvolver algumas atividades específicas com seus alunos atendendo a demanda de cada um.

Segundo explica a psicopedagoga, especialista em educação especial e em gestão escolar, Ana Regina Caminha Braga, o papel do professor é de suma importância, ele precisa orientar o aluno na sua atividade de forma controlada em direção ao seu objetivo final, permitindo que ele tome consciência da tarefa. “O papel do professor é ensinar e mediar situações de aprendizagem para que o aluno esteja preparado para utilizá-las nos diversos âmbitos da vida, e não tenha uma aprendizagem fragmentada, não conseguindo associar com a sua realidade”, explica.

Para Ana Regina, em sala de aula, o professor não precisa ficar preso às respostas exemplares, mas precisa estar atento aos processos cognitivos de cada aluno. Já que o erro desse aluno pode ser considerado como um aspecto relevante para a aprendizagem e não como um fracasso. O papel do professor é poder enxergar em cada aluno o potencial que ele tem e assim trabalhá-lo. Assim como as limitações devem ser reconhecidas e abordadas com conhecimentos adequados para que o aluno não desista desenvolva sua aprendizagem.

“Se o docente tiver essa consciência fica mais fácil acessar o aluno e a partir disso, construir com ele o raciocínio que aprender não é somente deter a informação pela informação, mas que é necessário à reflexão do que está sendo estudado, de modo que ele possa desenvolver sentidos e significados para cada conteúdo e os torne aprendizagem”, comenta. Pra finalizar, a especialista alerta que o professor não pode esperar essa iniciativa apenas da escola em que trabalha, mas também é seu papel buscar melhorias, ferramentas, conhecimento e instrumentos por sua própria conta se identificam que por vezes as instituições demoram a oferecer cursos e formações para o quadro docente.

 

Foto: ©Divulgação

Empoderamento feminino: as quatro atitudes que você deve tomar imediatamente para alcançá-lo

Por Semadar Marques

Empoderamento feminino nada mais é do que dar o poder pessoal às mulheres, enaltecê-las e fortalecer o seu poder pessoal e autoconfiança para que tenham a liberdade de fazer suas próprias escolhas, definir seus próprios objetivos e ter o controle da própria vida.

Mas isso não deveria ser rotina em nossas vidas? Deveria, mas não é.

Infelizmente muitas mulheres ainda têm como hábito duvidar da própria capacidade ou sentirem-se inadequadas, diminuir seu próprio valor ou pensamento, principalmente quando existem outras pessoas ao redor que reforçam esse comportamento. E isso acaba por inibi-las de buscar objetivos que sejam condizentes com o que lhes faz efetivamente felizes.

Empoderar mulheres é fortalecer sua confiança interna para que conquistem seu próprio espaço, sem se sentirem culpadas ou diminuídas por fazerem escolhas que atendam aquilo que é realmente importante para elas próprias, porque todo o ser humano tem esse direito. É ter a coragem de ser exatamente quem é, pensar com a própria cabeça, fazer as próprias escolhas e impor respeito por elas, sem se sentir condenada ou julgada por isso. Com isso, mulheres encontram seu próprio espaço e fortalecem seu papel na sociedade em que vivem, garantindo que estes espaços sejam mais colaborativos, sustentáveis e igualitários.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), empoderar mulheres e promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia são garantias para o efetivo fortalecimento da economia, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças e para o desenvolvimento sustentável.

Cientes dessa importância vital no desenvolvimento sustentável de cidades e nações, a ONU Mulher e o Pacto Global das Nações Unidas lançaram no Dia Internacional da Mulher, em março de 2010, os Princípios de Empoderamento das Mulheres, que consiste em um grupo de princípios para o meio empresarial oferecendo orientação sobre como delegar poder às mulheres no ambiente de trabalho, mercado de trabalho e na comunidade. Em 1 de dezembro de 2012, mais de 450 CEOs do mundo inteiro assinaram a Declaração do CEO de Apoio aos Princípios de Empoderamento da Mulher, cientes dos resultados consistentes que a prática desses princípios pode trazer para sua organização e todo o seu entorno.

E se você ainda não está no time das empoderada de plantão, listei abaixo quatro atitudes que podem fazer com que você alcance o empoderamento já:

Fortaleça sua autoestima: Infelizmente ainda existe a ideia ultrapassada de que certas posições na sociedade, posições hierárquicas e cargos de liderança não são possíveis a uma pessoa simplesmente pelo fato dela ser mulher. Pessoas esclarecidas entendem que isso não é verdadeiro, mas o paradigma que mulheres são inferiores de alguma forma ainda existe e precisa ser desconstruído. E para isso é fundamental saber seu próprio valor, ressaltando sua autoestima e autoconfiança de todas as formas possíveis, e assim, poder reagir de maneira assertiva mesmo em contextos onde você é estimulada a abandonar seus sonhos e objetivos. Nunca, jamais se convença de que você não é capaz de alcançar algum objetivo simplesmente pelo fato de ser mulher. Conscientize-se de sua força e acredite que viver uma vida alinhada ao que lhe é importante é o melhor caminho.

Aprenda a dizer não: A falta de autoestima e insegurança leva milhares de mulheres a cederem a algo não considerado bom para elas próprias, seja uma oferta de emprego que não queira, mas não consegue negar, seja praticar sexo com o marido/namorado quando não está com vontade, seja emprestar dinheiro para um filho/companheiro/irmão quando não o quer fazer. Dizer sim para algo que não gosta/aceita/tolera é dizer não para si própria e traduz a falta de escolha e também a dificuldade em estabelecer limites. Por isso, valorizar aquilo que te faz bem, o que realmente você quer e está condizente com suas reais necessidades é empoderar-se, e assim ter a liberdade de escolher o que é melhor para si mesma.

Delegue: A mulher não precisa ser multitarefas e atender sozinha as exigências do trabalho, da família e do meio social em que atua. Ela precisa aprender a delegar tarefas e não assumir funções em excesso que irão afastá-la de outras dimensões de sua vida (cuidados consigo mesma, vida social, vida afetiva). Por isso, dividir as tarefas com seu parceiro não pode ser encarado como uma ajuda, e sim como uma distribuição justa de tarefas, pois todos têm a obrigação de contribuir com os afazeres da casa, o cuidado com os filhos, a educação deles, etc. Tenha consciência de que qualquer ser humano tem o direito de ter um tempo para si mesmo, cuidar da saúde, momentos com amigos, praticas esportes, enfim, práticas que façam bem para si mesmo. Isso é muito importante. Muitas vezes a mulher se priva dessas práticas por achar que tem mais responsabilidades em determinadas tarefas do que o companheiro ou as pessoas com quem convive. Você precisa saber que merece cuidar de si.

Não incentive a competição entre mulheres: Sororidade é a palavra que define o apoio mútuo e a empatia entre mulheres, o que as faz mais fortes. A competição advém da falta de confiança nelas próprias e do medo de não serem boas o suficiente, por isso precisam competir entre si. Mulheres confiantes de suas capacidades e conscientes de suas habilidades não têm medo de perder espaço e não precisam sentir-se ameaçadas umas pelas outras, o que garante a sororidade necessária para se unirem em causas que as fortalecerão. Uma mulher confiante é capaz de inspirar outras mulheres a seguirem o mesmo exemplo, e essa é a verdadeira base do empoderamento feminino.

 

Semadsemadar (113 de 130)ar Marques é educadora e palestrante especialista em Empatia, Propósito de Vida e Inteligência Emocional. www.semadarmarques.com.br

A era das intensas conexões

Por Silmara Casadei

Quando reflito sobre as tentativas de acordos internacionais, vejo que são necessárias a diplomacia e a mediação para o entendimento entre os povos. Nesse movimento, a conscientização sobre o que é cuidado, bem como a sua prática, torna-se urgente para a sustentabilidade das relações humanas e destas com o planeta.

Cuidar é uma virtude do feminino (que todo ser humano tem em si) e está muito presente na atividade educativa, principalmente quando se quer contribuir para o desenvolvimento de pessoas que possam transformar o mundo em um lugar melhor.

No Colégio Visconde de Porto Seguro, encontrei uma estrutura grandiosa de quase 140 anos, com foco na biculturalidade entre Brasil e Alemanha; um grandioso projeto social, com aprendizagens voltadas para a exigência de resultados acadêmicos, sem perder de vista valores e princípios; e uma visão sistêmica alicerçada em cuidados constantes com os alunos, professores e colaboradores.

E é nesse ambiente propício que constituímos um projeto humanista e inovador, que desenvolve múltiplos talentos, inter-relacionando-os com saberes de tantas áreas.

Estar à frente da Diretoria Geral Pedagógica do Porto, ao lado de toda equipe diretiva, tanto da Fundação como do Colégio, possibilita-me conviver e conectar-me diariamente com mais de 700 professores de diferentes níveis, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, e, com isso, obter uma conexão maior com o mundo. São homens e mulheres, brasileiros e alemães, educadores qualificados que praticam o exercício do cuidar, colaborando na formação escolar e humana desses alunos, com suas histórias e enredos que ajudamos a escrever.

Obviamente que minha vida é muito intensa, são horas e horas de dedicação, mas, a cada dia, sinto-me uma pessoa melhor, para minha família, para o mundo. Um dia, desculpei-me com meus filhos pelas longas ausências, e o que ouvi foi que eles se orgulhavam por ter uma mãe tão ativa, moderna e cheia de esperanças. E que sempre se sentiram bem cuidados. E assim sou com meu marido, com meus amigos.

E assim sou, meio borboleta polinizando de lá para cá como gestora do Porto.

Tenho vontade de contribuir para a expansão da alma humana e de sentir-me engajada com o outro. Acho que esse olhar feminino é essencial para o entrelaçamento das relações e para o desenvolvimento de sinergias que ajudam a gerar mais vida, mais ternura, mais alegria. E é isso que me realiza de forma pessoal e profissional há mais de 25 anos na área da Educação e é assim que tenho me realizado em um projeto de escola que atende a 10.000 alunos.

 
Silmara Silmara Rascalha CasadeiCasadei é Diretora Geral Pedagógica do Colégio Visconde de Porto Seguro (SP).

Relato: “A Educação brasileira precisa, urgentemente, melhorar”

Por Claudia Costin

Dirijo hoje um Centro, na Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, voltado à melhoria da Educação no Brasil.  Trata-se de um centro que trabalha com aconselhamento técnico de governos, mentoria de dirigentes públicos, pesquisa aplicada e organização de propostas de aprimoramento de processos e cursos nas áreas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Há muito tempo sonhava com criar este Centro, como um “Think Tank” que se inspirasse nas melhores práticas nacionais e internacionais em Educação. Para preparar-me para ele, deixei meu cargo de Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro, após 5 anos de trabalho, para presidir a unidade de Educação Global do Banco Mundial em Washington e construí uma parceria com o Brookings Institute e o Centro de Educação Internacional de Harvard, onde atuei como professora visitante.

O Centro pôde ser inaugurado em novembro e já a todo vapor com algumas publicações e contratos em andamento para apoiar a educação de alguns estados e municípios.

A Educação brasileira precisa, urgentemente, melhorar. Já estamos com as crianças e adolescentes, em sua grande maioria, na escola. Agora devemos assegurar que elas ali permaneçam e, de fato, aprendam o que é relevante para atuar no século XXI!

 
1Claudia Costin é Diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV-RJ. Foi, entre outras funções, diretora global de educação do Banco Mundial, Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Ministra do Ministério da Administração, Vice-Presidente executiva da Fundação Victor Civita, secretária de Previdência Complementar do Ministério de Previdência Social e Secretária de Estado da Cultura do governo do Estado de São Paulo. Tem experiência internacional também como professora convidada da Universidade de Harvard, da Universidade de Québec e consultora para os governos de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. É articulista do jornal Folha de São Paulo. Claudia cursou doutorado em Gestão, Mestrado em Economia e graduou-se em Administração Pública pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV). É professora universitária, atualmente na FGV-RJ, tendo também ensinado na FGV-SP, INSPER, PUC-SP, UnB e FAAP.

 

Equidade: Psicóloga dá dicas para educar as crianças sem sexismos

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O conceito de igualdade de gêneros é um tema de extrema relevância a ser discutido em sociedade. A busca pela equivalência entre homens e mulheres leva milhares de pessoas a lutarem por direitos e deveres iguais. Um tema tão importante assim deve ser levado em consideração na educação das crianças, permitindo que elas possam crescer sem a interferência ou limitações de estereótipos. A psicóloga do São Cristóvão Saúde, Aline Melo, dá dicas aos pais de como educar os pequenos sem preconceitos. “O mais importante na criação dos filhos mediante este aspecto de igualdade é não fazer diferença entre os gêneros quanto a educação e orientações. É preciso incentivar a independência e autonomia da criança independente do gênero e, principalmente, a possibilidade de que ela tome decisões ponderando sobre as consequências das mesmas sobre si e sobre os outros. Assim, o anseio por autonomia e evolução se transforma em uma regra geral, não direcionada apenas para um ou outro sexo específico”.

O senso de independência da criança deve ser estimulado desde cedo. “Os pais devem mostrar a importância de refletir sobre decisões, pensando em suas consequências, bem como trabalhar a autonomia para ajudar a criar um senso de autocuidado e responsabilidade, o que auxilia até a serem adultos mais seguros no futuro. E este aspecto pode ser incentivado em situações simples, como: no cuidado, preservação e organização de seus brinquedos; e nas tarefas ao qual a criança pode ser inserida visando a perceber a importância de sua contribuição para a família e para si”, explica a especialista.  Um bom jeito de auxiliar no desenvolvimento desta característica é o ato de brincar. “É importante que os pais se apropriem deste momento de descontração com a criança para que elas trabalhem suas fantasias e reflitam sobre seus comportamentos por meio do brincar. Uma criança que não brinca é uma criança triste, o brincar está totalmente atrelado a um melhor desenvolvimento emocional dos pequenos”, assegura Aline.

As brincadeiras das crianças promovem interação e incentivam a criatividade e sociabilidade. Segundo a psicóloga, não devemos limitar suas ações como “coisa de meninas” ou “coisa de meninos”, podendo, sim, meninas brincarem de carrinho, assim como os meninos de boneca. “A criança não nasce com preconceitos ou ideias formadas, isso ela adquire no contato com o outro, na convivência em sociedade. Um menino que é estimulado a nunca chorar, pois isso é ‘coisa de menina’, vai se apropriar de tal aspecto, imaginando uma maior fragilidade feminina. No entanto, também vai sofrer com isso, porque tem sentimentos e medos e precisa se expressar. O preconceito é prejudicial para ambos os sexos”, alerta a profissional.

É muito importante para a criança que ela se sinta amada e reconhecida pelo olhar de seus responsáveis, colaborando para criarem a própria percepção de si, já que a autoestima nada mais é do que o conjunto de crenças que formamos sobre nós. “Atualmente, também precisamos levar em consideração que vivemos em uma sociedade que exige um padrão de beleza especifico e isso acaba envolvendo até mesmo as crianças. Esse é mais um forte motivo para trabalhar a autoconfiança desde cedo, para que as crianças não sucumbam a essas cobranças e aceitem-se como são”, recomenda.

O maior ensinamento que os pais devem transmitir é o respeito e isso é feito por meio de exemplo. “Se um menino cresce vivendo com um pai que desempenha uma postura machista e desrespeitosa para com a mãe, experienciando situações de limitações e imposições constantes para com ela, o menino crescerá com este padrão de percepção, já que os pais são os grandes modelos inspiradores das crianças. Por isso, é preciso pontuar sobre as potencialidades femininas, bem como as masculinas. E, principalmente, mostrar que devemos respeitar não somente as mulheres, mas todos os seres”, aconselha a psicóloga. “Quanto mais discutirmos com nossos filhos essas desigualdades pré-estabelecidas pela sociedade, não somente relacionada à diferença de sexo, mas a qualquer tipo de preconceito, criaremos adultos mais conscientes e orientados a lidar com o outro de maneira humana e ética”, finaliza.

 

Exemplos práticos:

– Minha filha quer jogar futebol, mas os amigos não deixam. Como agir?

A não aceitação dos amigos provem de uma influência da sociedade, pais e até mesmo das mídias sociais (quantas vezes vemos jogos de futebol feminino gerando tanta repercussão e telespectadores como os jogos masculinos?). Esse é um ponto que deve ser trabalhado amplamente. É importante sinalizar para a menina que situações como esta podem ocorrer por inúmeros fatores, mas que isso não deve faze-la desanimar ou se restringir, apresentando a possibilidade de que ela mostre aos amigos suas capacidades também. Caso seja possível, trabalhar também com os responsáveis desses amigos, visando a estimular tal reflexão.

– Meu filho quis passar batom. Como devo agir?

A princípio, devemos compreender que as crianças são curiosas e que tudo que é novo e atrativo chama a atenção e dá vontade de experimentar e conhecer. Mediante tal ponto, o importante é abordar o assunto com naturalidade e tranquilidade. Muitas vezes, quando tal situação ocorre gera nos pais um medo muito grande de que tal atitude interfira na orientação sexual da criança, porém ninguém se transforma homossexual somente pelo desejo de usar um batom. Isso é importante ficar claro para que se consiga lidar com essa situação sem maiores problemas ou definições do tipo “batom é coisa de mulher”, uma boa saída é pontuar que maquiagens em geral pertencem ao mundo adulto, explicando para a criança que ele ou ela terá o momento certo de conhecer mais sobre tal aspecto caso mantenha seu interesse.

– Como explicar para a criança que rosa não é cor de menina e azul não é cor de menino?

Esse é um problema muito comum. Muitas vezes, os pais estão esclarecidos de tais aspectos, mas esbarram nos estereótipos criados por escolas ou até mesmo por outros familiares com os quais a criança convive. É importante levantar essa questão com a escola e trabalhar a reflexão, até mesmo para estendê-la aos outros alunos e pais.

 

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Primeiro Plano: Mulheres à frente das instituições

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Historicamente, os gêneros que concernem à sexualidade são divididos, através de uma lógica social e cultural, em dois grupos identitários: masculino e feminino. Aos homens, o trabalho, o ambiente externo e as experimentações diárias sociais e políticas. Às mulheres, a estruturação do lar, a maternidade, a culinária e os atributos delicados da feminilidade.

Esse aspecto tradicional perdurou e consolidou imensas gerações através de séculos e décadas em diversas cidades e nações. Porém, esse modelo começou a despertar rachaduras com o tempo e a construção binária perdeu seu sentido na pós-modernidade, principalmente com o impacto de grandes revoluções de mulheres, bem como teóricos e autores pertencentes aos estudos de gênero e os grupos sociais que reinventaram corpos, vivências, desejos, subversões e conquista de direitos.

Os valores culturais que conhecemos (e consequentemente aprendemos em escalas educacionais) a construir e conceber em nossa realidade, destacam anseios distintos em homens e mulheres através de seus respectivos gêneros, ditados por uma fórmula masculina/machista que centraliza o homem em um poder absoluto, oprimindo, assim, diversas cidades pelo mundo. As figuras binárias não se restringem exclusivamente à condição do ser masculino e do ser feminino, mas transcendem essas limitações com efeitos de grande complexidade. Fato este que necessita de visualização e discussão na contemporaneidade.

O movimento pela equiparidade, por identidades diversificadas, autonomia sobre o próprio corpo, reinvindicação de direitos, lutas e resistências cotidianas, e tantas outras organizações e ativismos marcaram (e ainda marcam), de forma física ou simbólica, meninas e mulheres espalhadas por todo o planeta. Mesmo caminhando pelo século XXI, é possível observar manifestações (tanto em redes sociais como em espaços públicos) por bens essenciais de vivência.

Todas essas articulações se fazem relevantes (e necessárias, ainda) quando observamos alguns números e índices, como: todos os anos, estima-se que 500.000 mulheres sejam vítimas de estupro no Brasil, e que outros tantos milhões sofram com abusos e violências sexuais. Apenas 10% dos estupros são notificados e a maior parte dos agressores não é punida. 67% dos crimes de estupro são cometidos por parentes próximos ou conhecidos da família. Na maioria das vezes, os abusos acontecem dentro de casa, onde as crianças deveriam se sentir seguras. 70% das vítimas são crianças com menos de 13 anos. (Fonte: Plan International Brasil)

Nesse sentido, de forma positiva, avistamos uma onda na atualidade que impulsiona e empodera a fala das mulheres, suas posições, manifestos e interesses. O caráter de “segundo sexo” perde o sentindo, revelando produções femininas, posições de destaque, autoafirmação, culminando e reverberando na representatividade – educacional, social e política.

MERCADO DE TRABALHO

Segundo dados divulgados pelo Fórum Econômico Mundial, em um ranking no qual compara a igualdade de gêneros entre os países, em 2014, no que se refere a equiparação dos salários, o Brasil ficou com a 71ª colocação, caindo nove posições em relação a 2013, quando estava na 62ª. De acordo com o relatório, o país apresentou uma “ligeira queda na igualdade salarial e renda média estimada” para o sexo feminino.

Para Gaya Machado, coach especialista em desenvolvimento do potencial humano, as mulheres brasileiras conseguiram alcançar a igualdade com os homens em quesitos importantes como saúde e educação, mas ainda que cheguem ao mercado de trabalho com o mesmo nível de preparo, enfrentam barreiras de todo tipo, sendo a mais grave a salarial.

De acordo com dados do relatório de Desigualdade de Gênero, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, os indicadores brasileiros colocam o Brasil entre os mais desiguais do mundo, no grupo dos países (acompanhado de Japão e Emirados Árabes) que fizeram investimentos importantes na educação das mulheres, mas que não conseguiram remover as barreiras à participação delas na força de trabalho.
Gaya Machado pondera que esta visão preconceituosa e dualista ainda está muito presente entre empregadores brasileiros, mas ela acredita que tende a perder espaço.

“Cada vez mais os empregadores estão percebendo que as mulheres têm tanta capacidade quanto o homem no mercado de trabalho. As competências dos gêneros se complementam, uma vez que as características diferentes de cada sexo permitem que os profissionais olhem os desafios do trabalho por ângulos diferentes e encontrem soluções e possibilidades que poderiam passar despercebidas se olhadas apenas por uma determinada forma de enxergar as coisas”, explica.

Quando a questão da gravidez entra em pauta, a coach afirma: “Como mulher, eu poderia dizer que sem as mulheres não haveriam novas gerações, homens, maridos, filhos, mas não vou recorrer a uma explicação simplista. Como profissional especialista em desenvolvimento humano, acompanho o aprimoramento profissional de diversas mulheres, nos mais variados setores, e posso afirmar que a mulher que retorna de uma gravidez adquire novas competências, novas habilidades e formas de enfrentar os desafios do mercado de trabalho que deveriam ser melhor exploradas, uma vez que só agregam diferenciais às suas funções anteriores”.

 

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Qual o grande obstáculo para conquistar o seu empoderamento?

A especialista em desenvolvimento humano e diretora do Centro Hoffman no Brasil, Heloísa Capelas, propõe uma reflexão sobre o Empoderamento do sexo feminino na sociedade. O que é e como se Empoderar de todo potencial que a mulher carrega em si e muitas vezes não se dá conta? De que forma o medo de se empoderar pode impedir que a mulher consiga o papel de destaque que merece na sociedade? De onde vem esse medo?

Fala-se muito atualmente sobre o Empoderamento Feminino, mas diversas mulheres, segundo a especialista, não conseguem definir precisamente qual poder desejam conquistar para si e o que as atrapalha realmente. A grande questão é que, ao escolherem buscar o poder a que têm direito, elas se veem confrontadas pelo medo. Medo de perderem o lugar que ocupam na família; medo de viverem na igualdade (o que significa sair da posição de protegida); medo de mudarem tudo aquilo que parece ser a ordem natural das coisas. Medo de um mundo totalmente novo.

Muitas mulheres tem a ilusão infantil que vão correr riscos se ganharem poder, um deles, talvez o que mais apavore e faça as mulheres recuarem ao darem os primeiros passos em direção ao empoderamento, é o de perder o lugar na família, pois acreditam que o fato de serem mães as protege e as eleva a uma condição quase divina.

Para conquistar o próprio empoderamento, a mulher precisa primeiramente fazer uma autoanalise e se questionar qual é o papel que ela ocupou em sua casa na infância, que tipo de menina ela foi, como ela era vista e tratada. Será que ela foi a bonequinha, a filhinha do papai ou da mamãe, a boa estudante, a menina exemplar, aquela rebelde, aquela que não ia dar em nada, enfim qual foi o rótulo e o lugar que a menina, dentro da mulher adulta, ocupou na infância?

Feito esse questionamento, o segundo passo para o empoderamento é se perguntar, se esse lugar infantil era um lugar de muito ou pouco poder, de mais ou de menos, em que lugar você ficava em relação aos homens. Esse lugar dá medo de ser mulher, mesmo já sendo? Ou esse lugar te dá vontade de permanecer na mesma redoma de proteção? Empoderamento Feminino é quebrar paradigmas, por meio do autoquestionamento e autoconhecimento para ter novas atitudes.

Outro paradigma importante a ser quebrado é a imagem que se tem das mulheres que ocuparam lugares importantes na sua infância. Elas vem as mulheres de sua infância com orgulho? Era uma imagem a ser seguida? Suas mães reclamavam de ser mulher? Diziam que prefeririam ter nascido homem porque era mais fácil? Eram sempre vítimas a serem protegidas?

Para Heloisa Capelas, esses questionamentos levarão as mulheres a se empoderar quebrando a própria fantasia ou o medo de que ninguém mais vai gostar delas se elas romperem esses papéis impostos por si próprias e pela sociedade.

Quer saber mais? Dê o play no vídeo abaixo: