Tem novidade na educação?

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Por Nelly Narcizo de Souza

Diante de reformas educacionais, decretos, greves e ocupações, surge a pergunta: há algo novo na educação? Em pleno 2017, o que há de novo na educação? Não se trata de reinventar a roda, mas de olhar para ela a partir de outras perspectivas.  A edição de 2016 do Horizon Report da NMC aponta as tendências na educação para os próximos anos: a transição dos alunos de consumidores para criadores, o reforço do uso de abordagens de aprendizagem colaborativas, a mudança para abordagens de aprendizagem mais profundas, a remodelação dos espaços de aprendizagem, o repensar do funcionamento das escolas.

Quando falamos de alunos consumidores para criadores é necessário refletir sobre como realizar isso. Certamente não faremos isso com uma educação baseada em aulas meramente expositivas, monótonas e destituídas de significado. Aliás, na área educacional muito se ouve falar sobre a necessidade de uma “aprendizagem que seja significativa”.  Em primeiro lugar, creio que temos que pensar que o “significativo” deve estar mais atrelado ao aluno, seu contexto de vida do que ao professor. Afinal, ele (o aluno) é o nosso foco e sua aprendizagem nosso maior objetivo. E o que é significativo para o aluno do terceiro milênio? Informação rápida, tempo de assimilação rápida, uso de recursos tecnológicos que propiciam acesso ao mundo de forma rápida… ou seja, velocidade e acesso ao mundo da  informação. Pois é, nossos alunos têm acesso a uma gama imensa de informações, o que nem sempre implica em aprendizagem de fato.

Aprendizagem significativa implica em se atentar para o que é significante para o aluno. O protagonismo é dele, o significado é dele, por consequência a aprendizagem é dele. Metodologias ativas nos conduzem para o movimento em sala de aula, para a construção de problematizações baseadas na relação entre conteúdo e prática.  E a colaboração nos lembra, constantemente, que é interessante estarmos uns com os outros, que na vida real as relações humanas nos fortalecem, nos enriquecem e nos provocam ao crescimento pessoal e profissional.

O Relatório Delors, construído há duas décadas e no qual se discutia os rumos da educação para o século XXI propunha que deveríamos nos basear em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Ou seja, pilares de uma educação integral e integradora de diferentes dimensões do universo da aprendizagem. Uma educação integral deveria promover situações nas quais o aluno pudesse aprender como buscar seu próprio conhecimento, aplicando esse conhecimento em seu cotidiano.

Voltemos à aprendizagem significativa. O mundo mais tecnológico, a imensa porta aberta para informações de diferentes áreas do conhecimento humano e a velocidade envolvida são elementos que, atualmente devem ser considerados pelos professores a partir de uma perspectiva de ensino com maior significado. Desse modo, o perfil do professor tradicional que fica parado em frente a carteiras enfileiradas já não faz muito sentido.

Assim, vejo como muito importante conhecer as mídias, as redes sociais, as chamadas metodologias ativas, as mágicas aulas invertidas, o ensino híbrido, ambientes virtuais… Mas acima de tudo, é preciso reconstruir crenças docentes e, por consequência, reformular, atualizar a prática docente. Os recursos estão disponíveis, metodologias diferenciadas também, e, atualmente, são muitas. A educação deve promover desenvolvimento, humanidade. O aluno não pode sair da sala de aula com a sensação de que nada se modificou. Informação na sala de aula do terceiro milênio deve virar transformação.

 

Nelly de Souza

 Nelly Narcizo de Souza é doutora em Educação, coordenadora da Pós-Graduação em Neuropsicologia Educacional e Desenvolvimento Infantil da Universidade Positivo e professora da Graduação em Pedagogia.

 

 

 

 

 

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#DonasDaRua: Mônica Sousa, MC Soffia e o empoderamento

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A 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos recebeu no último sábado (24), no auditório da biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, a diretora executiva da Mauricio de Sousa Produções (MSP), Mônica Sousa, e a rapper mirim MC Soffia em um bate-papo sobre empoderamento feminino.

No evento aberto ao público, Mônica apresentou o “Donas da Rua”, que defende os direitos da menina e da mulher por meio da arte, da história e do esporte e que recebe o apoio da ONU Mulheres, e interagiu sobre o projeto com a MC de 13 anos, que aborda em suas músicas temas como a autoaceitação e o combate ao racismo.

Quer saber mais sobre o projeto #DonasDaRua? Acesse AQUI o site.

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O papel da escola na integração da pessoa com deficiência

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Por Ana Regina Caminha Braga

Para que a pessoa com deficiência aprenda, ela precisa ser integrada ao meio e ao convívio social. E a escola tem um papel fundamental nessa integração, já que o professor entra com a função de reabilitador. É papel do docente integrador elaborar atividades que atendam e incluam o aluno com deficiência dentro de suas habilidades e limitações.

No entanto, para isto acontecer passamos por um movimento no qual a criança com deficiência, muitas vezes, foi inserida numa escola, instituição ou lugares para adquirir novas aprendizagens longe de casa, do convívio da família, dos colegas e da sociedade.

Por esta razão, é importante refletir se nos dias atuais colocar a criança ou um adulto longe de sua realidade vai de fato contribuir para a sua aprendizagem, porque considera-se que o ser humano precisa vivenciar conflitos e com as pessoas com deficiência não é diferente. Elas precisam aprender a lidar com as diversas situações da vida.

No âmbito educacional quando a integração escolar é abordada de maneira a considerar o aluno como um sujeito que independente das suas limitações e deficiências. Uma questão relevante de se considerar é que inserir na sala de aula um aluno com necessidades especiais sem oportunizar estratégias que possam contribuir para o seu aprendizado pode comprometer as aquisições futuras ou estagnar o processo. Portanto, a integração pela integração sem colocar a frente desta atitude uma objetividade acaba não atingindo o ponto crucial da integração escolar.

Os alunos com necessidades especiais precisam ter as mesmas condições de aprender dos demais alunos. O primordial é que a criança/aluno com deficiência tenha a oportunidade de participar e aprender na escola e no meio social de maneira significativa, para que as experiências sejam vividas e divididas com os seus parceiros de aprendizagem, ou seja, amigos, colegas e professores. Independente da condição e comprometimento que o aluno tenha, é o professor que precisa acompanhar suas atividades e direcionar os passos dados ou que é adequado orientá-lo.

 

ana 3x4Ana Regina Caminha Braga é escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar. Site: https://anareginablog.wordpress.com/

 

 

 

 

 

 

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Prevenir o bullying é um ato de amor

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Por Silmara Casadei

Conviver com o próximo e suas particularidades é um desafio para o ser humano desde sua origem. Sabemos que compreender o outro não é algo automático e, de fato, nós temos que aprender desde muito jovens a acolher a personalidade, as atitudes, a forma e a individualidade de cada ser.

Isso deveria ser um processo natural de amadurecimento, de forma que a convivência coletiva e pacífica existiria, sobretudo, em prol da individualidade de cada um, da particularidade de sua personalidade e do seu papel no mundo. Mas nem sempre isso ocorre de modo correspondente.

No intervalo da ação de aceitar o outro ou conviver de forma amigável, surgem as diferenças e os comportamentos hostis. O mais comentado deles é o bullying, que nos últimos meses voltou a ocupar lugar de destaque em nossas discussões diárias, levando-nos a refletir sobre esse ato e os caminhos para minimizá-lo.

Definido como um comportamento violento, o termo tem origem na língua inglesa e é caracterizado por um indivíduo “brigão”, que frequenta um determinado círculo social e que pratica atitudes repetitivas de agressão, intimidação e humilhação sem motivo evidente, afetando diretamente o próximo, que sucumbe à sua maneira natural de ser, tornando-se retraído, apático e entristecido.

Obviamente, por vivermos em comunidade, haverá momentos em que as opiniões não serão coletivas e breves desentendimentos acontecerão. Esses episódios, contudo, não são caracterizados como bullying, visto que há não intenção de ferir ou magoar o próximo e as ações não ocorrem de forma repetitiva.

O que desejo enfatizar com minha mensagem é que todas as pessoas têm um papel representativo no combate ao bullying. Em especial, nós, educadores, devemos ser embaixadores da prevenção a esse tipo de comportamento, estimulando a união e a individualidade de cada um nos ambientes escolares.

Na escola, é fundamental promovermos assembleias e conversas que nos levem sempre a um caminho de solução. Para isso, vale estimular ações em parceria com os estudantes, como discutir democraticamente um estatuto antibullying de forma que todos estejam cientes dos danos emocionais gerados ao próximo e das possíveis consequências legais, uma vez que a prática do bullying é uma infração prevista pela Lei nº 13.185.

Além disso, as dinâmicas, oficinas, palestras e atividades extras são essenciais para que as crianças e os jovens conversem sobre suas emoções e para que também compreendam as reações do outro. Portanto, que tal uma peça de teatro retratando como a vítima se sente ao receber atitudes de intimidação? Dessa forma, é possível criar um caminho lúdico para uma discussão.

Vale ressaltar que se engana quem acredita que o trajeto da precaução deve estar apenas na escola. A função preventiva deve estar na família, no Estado e nos grupos de amizade. Os pais devem se empenhar em observar e participar do dia a dia dos filhos, demonstrando não só uma preocupação natural, mas trabalhando as emoções da criança, questionando como ela se sente frente a algo que lhe incomoda, por exemplo.

Os pais e responsáveis também devem promover conversas sobre o bullying utilizando o tempo juntos como uma forma de prevenção do assunto. Usar literatura de qualidade é uma alternativa interessante para iniciar esse processo.

Os livros provocam uma viagem de emoções e um transporte ao lugar do outro. Em um dos meus livros sobre o tema, intitulado “Bullying não é amor”, retrato uma vítima de bullying que está coberta de ”plaquinhas” taxativas, que definem de forma agressiva suas características. Que tal propor em conjunto a queda dessas plaquinhas e a aceitação de quem realmente somos? O apoio do círculo social é imprescindível para que esse processo ocorra de forma permanente. Nós somos maravilhosos exatamente da forma como fomos concebidos – e respeitar a individualidade de cada um é uma trilha fundamental para um mundo melhor.

 

Silmara Silmara Rascalha CasadeiCasadei é Diretora Geral Pedagógica do Colégio Visconde de Porto Seguro (SP).

O desenvolvimento da competência leitora nas diferentes disciplinas

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Por Leticia Reina

O desafio do letramento no Brasil ainda é imenso, uma vez que é alto o índice de alunos alfabetizados que não compreendem o significado dos textos. Insatisfatório, o nível de letramento traz um forte efeito multiplicador negativo, já que a leitura é uma competência fundamental ao bom aproveitamento de todas as disciplinas e fontes de conhecimento. Para se ter uma ideia da relevância do tema, deficiências na área de matemática, por exemplo, podem estar ligadas a problemas de interpretação de textos, porque os estudantes não compreendem o enunciado das questões.

Todo texto, tomando como referência o filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895-1975; estudioso da linguagem humana), é um gênero discursivo. Ou seja, há um discurso a ele intrínseco que é construído de acordo com o autor, interlocutor, situação de comunicação, imagens associadas, contexto histórico etc. Há, portanto, todo um contexto capaz de ajudar no entendimento. No processo de aprendizagem da leitura, essa visão deve permear não apenas a disciplina de língua portuguesa, mas todas as disciplinas. Professores de diferentes áreas têm, portanto, a missão de “ensinar o aluno a ler”.

As escolas, por sua vez, têm que estar conscientes do seu compromisso em garantir que os alunos desenvolvam, nas diferentes áreas do conhecimento, os procedimentos de leitura exigidos pelos distintos gêneros discursivos.

O texto expositivo, por exemplo, é um gênero presente na maioria dos livros didáticos das diferentes disciplinas. Para compreendê-lo é preciso fazer perguntas: qual é o contexto em que esse texto aparece? Para quem foi escrito? Como esse texto se organiza? No processo de aprendizagem da leitura, o texto tem que ser trabalhado dentro de um contexto de produção e recepção.

Para ensinar o aluno a ler os diferentes gêneros, o professor deve dominar os aspectos que compõem o texto. É necessário que haja compromisso do professor com o seu planejamento, para que ele se aproprie das características do texto que será trabalhado com os alunos. Seja um gênero da esfera literária, jornalística, publicitária, científica ou escolar, o professor tem que ter clareza dos objetivos de ensino e aprendizagem.

Além da apropriação do gênero, o educador deve ensinar as diferentes estratégias de leitura que possibilitam o engajamento com o texto. As intervenções do professor devem criar situações didáticas que ajudem o estudante a aplicar seu conhecimento prévio, a realizar inferências para interpretar o texto e a identificar e esclarecer o que não entende. O compromisso da escola é garantir que todas as áreas incluam em seus planejamentos o ensino da leitura dos gêneros discursivos escolhidos para o trabalho.

Mas como as estratégias didáticas revelam essa concepção teórica? Apresento alguns breves exemplos para apontar caminhos para a atuação prática do professor no papel de formador de leitores competentes. Em língua portuguesa, o professor pode propor o estudo de um gênero discursivo, como por exemplo uma notícia, e compreender os recursos linguísticos próprios de texto da esfera jornalística. Além de possibilitar que o aluno compreenda a situação de produção de uma notícia, onde o texto circula, quais os temas que são tratados, o professor ensina os aspectos gramaticais exigidos pelo currículo. Na disciplina de geografia, por exemplo, o professor pode explorar a leitura de um mapa, ou um infográfico, analisando a estrutura própria desses gêneros. Ele pode realizar intervenções de modo que os alunos estabeleçam relação entre imagem e texto, entendam as funções das legendas etc. Para isso, deve apropriar-se do texto antes. Desse modo, garante a compreensão do gênero e a aprendizagem dos conceitos da disciplina. Em matemática, o professor pode aprofundar-se nos recursos linguísticos próprios de um enunciado e trabalhar a interpretação de palavras, como “diferença”, “sobra”, “reduzir”, que muitas vezes possuem sentido distinto daquele usado no cotidiano. É papel do professor instrumentalizar o aluno para ler os textos próprios de cada disciplina. Há diversas maneiras de ler e distintos objetivos de leitura. O compromisso de ensinar a ler deve ser de todos.

De acordo com essa perspectiva, é fundamental o trabalho com o desenvolvimento da leitura crítica dos textos. É preciso, dentro de cada gênero, apresentar as diferentes vozes presentes no texto. Para tanto, o professor pode explorar os locutores e interlocutores de cada produção estudada e pensar como essas diferentes vozes influenciam na escolha das palavras, na composição do texto, no estilo, nos locais de circulação etc. Essas habilidades de leitura devem ser ensinadas, para que o aluno se torne um leitor competente, proficiente e engajado.

A necessidade atual de mudança nas estratégias de ensino e aprendizagem fica evidente quando vemos um leitor ser capaz de decodificar um texto, mas não ser capaz de inferir o sentido de uma palavra, por exemplo. A questão é que a escola ensina o código, mas nem sempre está atenta a propor tarefas para que o aluno pratique a leitura de maneira a desenvolver as diferentes habilidades que compõem a competência leitora. A tecnologia, nesse contexto de Era Informatizada, tem papel fundamental. Do momento de planejar ao de avaliar, a tecnologia deve estar à serviço das relações de ensino e aprendizagem. Algumas ferramentas vêm sendo desenvolvidas nas áreas de matemática, ciências, e na área de comunicação entre professor e aluno, por exemplo; na área da linguagem, também existe uma ferramenta que trabalha a leitura dentro dessa perspectiva.

Permanece, assim, o desafio de colocarmos em discussão as diferentes formas de pensar e entender a leitura de maneira a atingir eficácia na relação ensino aprendizagem em todas as áreas do conhecimento. Além disso, de considerar que as práticas em leitura devem integrar um aprendizado contínuo, sempre levando em conta novas habilidades a serem desenvolvidas e consolidando as habilidades já adquiridas, e isso não apenas na fase inicial da vida escolar da criança.

Com base nessa ideia de um processo contínuo de ensino e aprendizagem, e em um contexto altamente informatizado e veloz nas informações, o professor deve buscar o compromisso diário de formar leitores críticos. Torna-se cada vez mais importante que o aluno do século XXI atinja a proficiência e a criticidade em leitura, para, dentre outras habilidades, ser capaz de considerar diferentes perspectivas. O docente é, certamente, um dos profissionais que tem em mãos o privilégio de levar o país para um outro patamar na área da leitura. E a escola tem, portanto, a tarefa de promover estratégias, tempo e espaço, que auxiliem o trabalho de planejamento dos professores das diferentes áreas.

 

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Leticia Reina é mestre em linguística aplicada pela PUC-SP, pós-graduada em psicopedagogia pela Unimarco e graduada em psicologia pela Universidade São Marcos. Atualmente é diretora pedagógica da Guten Educação e Tecnologia. Com 20 anos de experiência em educação, trabalhou em escolas referência em São Paulo em cargos de coordenação e orientação. Foi professora da pós-graduação no Senac-SP e atuou na elaboração de materiais didáticos na FTD.

Educadoras de SC participam de treinamento inédito voltado ao empoderamento feminino

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Servidoras da rede municipal de ensino de Pomerode (SC) participaram do primeiro treinamento de imersão de alto impacto voltado ao empoderamento feminino. O projeto social “Annitas – Pensem Fora da Caixa!” deve chegar, em breve, a outras cidades do estado e regiões do país.

A emoção tomou conta do Clube Esportivo Recreativo Cultural Primavera, em Pomerode (SC) durante o primeiro treinamento de imersão do projeto social, em âmbito governamental, “Annitas – Pensem Fora da Caixa!”, no último sábado de maio, 27. O projeto, que tem como objetivo prevenir os altos índices de transtornos emocionais que têm atingido milhares de brasileiras, além de despertar os potenciais internos por meio das emoções, reuniu mais de 100 participantes. Na ocasião, as educadoras do ensino fundamental realizaram atividades práticas, cientificamente fundamentadas, como relaxamento e a vivência de emoções vinculadas às lembranças.

“O projeto é um cuidado especial às nossas profissionais da educação. Partiu da necessidade de trazer algo diferenciado em relação às formações continuadas que, normalmente, são focadas em metodologias de ensino. Mesmo com as solicitações, não havíamos encontrado nada parecido para suprir essa lacuna. Hoje, temos certeza de que a realização deste treinamento imersivo de alto impacto trará resultados muito positivos para o lado pessoal de cada educadora e que, obviamente, também será revertido para o profissional”, ressalta a secretária da educação e formação empreendedora de Pomerode Neuzi Schotten.

“Annitas – Pensem Fora da Caixa” foi lançado há um mês no Brasil e está sendo realizado primeiramente no município de Pomerode. É uma realização do Instituto Educação Sem fronteiras – Iesf Brasil em parceria com a Secretaria de Educação e Formação Empreendedora da prefeitura de Pomerode.

A vivência das emoções para a transformação social

Quem participou do primeiro treinamento de imersão do projeto social voltado ao empoderamento feminino, pioneiro em Santa Catarina, pode experimentar a vivência das emoções como é o caso do amor, da gratidão, da insegurança, da raiva, da tristeza e da culpa. Entre as técnicas utilizadas no treinamento estão: análise comportamental cognitiva, neurociência, física quântica e psicologia positiva. Para a educadora Sirley Maria Moreira o treinamento reforçou a importância de estar bem preparado emocionalmente para realizar a formação de crianças, jovens e adultos.

“Participar de um treinamento voltado para o cuidado com as emoções nos ajuda muito. Em mais de 20 anos atuando no ensino através da rede municipal nunca participei de um curso como este. Foi uma iniciativa inovadora da prefeitura de Pomerode oferecer este treinamento e estamos muito satisfeitas. Me emocionei durante o treinamento do projeto e vou para casa diferente. Isso é o que mais importa”, conta Sirley Maria Moreira.

Para a orientadora pedagógica da rede municipal Márcia Grossklags o treinamento a deixou mais leve consigo mesma e preparada para as responsabilidades do dia a dia. “Fazer um curso voltado às emoções com a sua equipe de trabalho é muito bom. Estou saindo mais aliviada, forte e convicta de que as situações vão melhorar e de que um dia chegarei ao meu objetivo. Por sermos educadoras, primeiro, precisamos nos transformar para depois contribuir na formação das crianças. É uma responsabilidade plantarmos a sementinha dos valores que estão sendo esquecidos pela sociedade. É o caso do carinho, do amor e, principalmente, do respeito pelo sentimento dos outros. Em resumo, o treinamento vale muito a pena. Você chega pesado e sai muito mais leve. Quem ainda não participou tem que vir,” conclui Márcia Grossklags.

Por meio do trabalho com as emoções, o projeto social também atua na prevenção aos transtornos emocionais como a depressão, a ansiedade, a bulimia, a anorexia, entre outros, e que hoje são o terceiro motivo de afastamento do trabalho no país, por prazo superior a quinze dias, segundo dados da Previdência Social.

 

Sobre o projeto social itinerante

O projeto “Annitas – Pensem Fora da Caixa!” deverá chegar em breve a outros municípios brasileiros. Já está em estudo a realização com servidores públicos de outras cidades de Santa Catarina, do Paraná, do Rio Grande do Sul, de São Paulo e do Distrito Federal. Nasceu do propósito de vida da psicóloga e empreendedora comportamental Sandra Gaya e do empresário do setor de nanotecnologia Anderson Santana durante um evento promovido pela ONU Mulheres em Brasília-DF sobre igualdade de gênero e empoderamento feminino. O método inovador de treinamento é prático e amplia as possibilidades de atuação profissional e realização dos objetivos por meio da ativação dos recursos internos de cada participante. Está alicerçado na Lei Federal nº 13.272 de 15 de abril de 2016, que institui o ano de 2016 como o ano do empoderamento da mulher na política e no esporte e, nos princípios do empoderamento das mulheres definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU Mulheres). Saiba mais: http://annitaspensemforadacaixa.org

 

As mudanças na Educação de 20 anos para cá!

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Por Ana Regina Caminha Braga

Nos últimos dias ao conversar com um amigo sobre a Educação de anos atrás e suas disciplinas como Educação Moral e Cívica, dentre outras, ficou uma pergunta: Será que estas disciplinas não podem retornar as escolas com outra perspectiva, contemplando os direitos e deveres do cidadão, a coletividade e outros fatores? Ou temos esta abordagem com um contexto diferenciado?

Na trajetória deste amigo e na minha também, algumas disciplinas eram norteadoras de uma formação de respeito, valores, limites e de cidadania. Não sei, mas me parece que antigamente a escola tinha um amparo, um conhecimento ou um interesse mais enfático nestas perspectivas, talvez de sujeitos esclarecidos, com opinião própria.

Nossa reflexão estava centrada nesta preocupação diária em abordarmos conteúdos e mais conteúdos com as crianças do Ensino Fundamental e principalmente do Ensino Médio, por vezes, deixando-as com uma lacuna nas relações interpessoais. Desta forma, continuamos o questionamento: Será que já sabemos quem são estas crianças? A que vieram e como podemos direcioná-las enquanto educadores, pais/responsáveis?

A criança está no processo para se tornar adulto, é um ser em potencial. Logo, o processo na jornada de realizações é justamente indicado pela aquisição de habilidades e o cumprimento de tal estágio. A criança, tempos atrás era vista como uma tábula rasa, mas hoje elas chegam à sociedade com um grande número de informações e conhecimento, além de sempre abertas as coisas novas que lhe serão apresentadas. Nós como educadores precisamos motivar seu crescimento intelectual de maneira eficaz, com princípios e valores que transformem um pouco o mundo atual com suas ações.

Na Educação Infantil, as atividades precisam ter um peso avaliativo, de produção, ou seja, que mostre aos pais o conteúdo contemplado. No Ensino Fundamental, as matérias se multiplicam e a criança já sente esta responsabilidade, em dar conta dos conteúdos, caso contrário os pais ou responsáveis não consideram seu desenvolvimento. No Ensino Médio a “enxurrada” de conteúdo é sem limites. A criança, muitas vezes assimila, armazena tudo isto para os primeiros minutos do vestibular ou para a realização de uma prova.

Bingo! Agora este aluno é um universitário e eu fico pensando: Esta criança não sai da escola como um depósito de informações, conteúdos automatizados que nesta nova fase não saberão mais como utilizá-las?  E se ao invés de traçarmos toda esta luta diária com os conteúdos, também abrirmos um espaço para trabalharmos com os alunos as questões de cidadania, civilização, respeito ao próximo, o estilo, tempo e momento de aprender de cada um?

A competitividade existe no meio acadêmico e no mercado de trabalho, mas precisamos ter consciência e controle de nossas aprendizagens, sem passar na frente dos outros desrespeitando os valores dos demais, o espaço do outro, sua formação, seus pensamentos, suas propostas.

Acredito que resgatando estas disciplinas podemos evitar a propagação de tantas atitudes indevidas, ligadas diretamente a escola como acompanhamos na mídia e nos nossos espaços de trabalho. Assim, pode ser possível amenizar os rótulos e diagnósticos precoces de crianças e demais sujeitos, nos consultórios psicológicos ou psicopedagógicos.

“Ontem um menino que brincava me falou que hoje é semente do amanhã. Para não ter medo que este tempo vai passar, não se desespere não, nem pare de sonhar. Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs. Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar! Fé na vida Fé no homem, fé no que virá! Nós podemos tudo, nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será”.

 

ana 3x4Ana Regina Caminha Braga é escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar. Site: https://anareginablog.wordpress.com/

 

 

 

 

 

 

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