O que irá nos salvar da violência é a empatia

Por Semadar Marques

Moro em uma cidade que, assim como outras tantas no país, vem sobrevivendo bravamente a crescente criminalidade que está se alastrando e tomando a forma de um monstro vil e cruel, que nos faz querer passar o sábado à noite tomando um vinho debaixo das cobertas por puro medo de sair às ruas e não saber o que pode acontecer.

Os índices de violência aumentam vertiginosamente.

Mas a violência não está presente somente na criminalidade. Ela está em todos os lugares.  A simples interação entre as pessoas nas ruas e às vezes até na própria casa escancara uma intolerância gigantesca. Os nervos estão literalmente à flor da pele e a defensividade que vem do medo faz com que a gente veja as pessoas que não conhecemos como potenciais inimigos. O trânsito, a agitação do dia a dia nas grandes cidades esfrega isso na nossa cara o tempo todo. É como se estivéssemos presos dentro de uma panela de pressão prestes a explodir. A violência a que estamos expostos por questões sociais está nos tornando ainda mais intolerantes e agressivos uns com os outros.

A violência nasce da desconexão e da falta de empatia. Estamos distantes uns dos outros e ainda carregamos uma gama de preconceitos e dificuldades de olhar com compaixão quem está distante de nós. E nos eximimos da responsabilidade de fazer qualquer movimento de aproximação por achar que o Estado (que é o nosso reflexo) seja o único responsável a fazer algo pelo outro. E se esquece de que não sentir-se considerado e respeitado desperta de maneira bombástica a violência.  Ser esquecido, sem condições básicas de educação, saúde, sem saneamento e ter sua liberdade cerceada por todos os tipos de falta de oportunidade desperta o monstro da violência.

Quem é escutado sente-se valorizado e isso impacta diretamente nas atitudes que terá consigo mesmo e com os outros. Pessoas que maltratam, violentas e hostis, não tiveram experiências de acolhimento suficientes para que pudessem desenvolver a capacidade de empatizar com os próprios sentimentos e assim conseguir colocar-se no lugar dos outros. A falta de delicadeza e cuidado com o outro é resultado da ignorância e falta de diálogo consigo mesmo e com os outros e da inabilidade em validar as próprias emoções. E essa dificuldade está em todas as classes, em todos os lugares, representada de todas as formas.

A educação das emoções estimula a generosidade. Estamos diante uma grande insensibilidade, fruto de anos e anos de desprezo às instituições familiares do ponto de vista emocional. Aquilo que se parece ser parece ser mais importante do que efetivamente é.

Envolver e dar a oportunidade a todos para que exerçam suas melhores habilidades, sejam acolhidos em suas emoções e possam acreditar em seus sonhos e objetivos é o principal caminho para desviá-los da violência que possam vir a produzir no futuro.

 

Semadsemadar (113 de 130)ar Marques é educadora e palestrante especialista em Empatia, Propósito de Vida e Inteligência Emocional. www.semadarmarques.com.br

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