Exercício da cidadania e protagonismo do conhecimento: o sujeito como foco central dos projetos de aprendizagem

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Por Cátia dos Santos Xavier, Consultora Educacional da FTD Educação 

“Educação é o processo de vida e não uma preparação para a vida futura e a escola deve representar a vida presente real e vital para o aluno como a que ele vive em casa, no bairro ou no pátio”
(Jonh Dewey)

Ao longo dos anos, a escola estabeleceu uma relação com a sociedade, sinalizada por aproximações e rupturas, sempre atrelada ao tempo histórico e aos aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais de cada contexto. É preciso ter clareza da função social da escola e do sujeito que se quer formar. Contudo, as crianças não podem ser consideradas como “cidadãos em formação” e sim já fazendo parte do corpo social como enfatiza Dewey. Para que haja esse resgate, é necessária a implantação de práticas que transformem, significativamente, a estrutura da escola, reorganizando o tempo, o espaço, a forma de ensinar, aprender, avaliar e desenvolver o currículo.

No cenário atual é fundamental a utilização dos projetos de aprendizagem, porque apresentam características investigativas, fomentando o protagonismo do sujeito, uma vez que este precisa se envolver com o tema escolhido e buscar respostas convincentes para o objeto de estudo, o que o aproxima, cada vez mais, da atualidade, oportunizando a atuação em sociedade e fortalecendo o exercício da cidadania.

A prática educativa vinculada a aplicação de projetos de aprendizagem contribui, de forma eficiente e eficaz, na construção do conhecimento por parte dos sujeitos, pois os projetos têm abrangência global, coletiva e processual. Global quando considera todos os envolvidos dentro da instituição – abrange conhecimentos filosóficos, psicológicos, sociológicos. Coletivo à medida que todos fazem parte de execução do projeto, coordenadores, docentes, pais, alunos, funcionários. Processual porque o que realmente importa é como o conhecimento se estabelece.  Esse envolvimento entre os integrantes da escola cria um vínculo e mostra a importância da construção social onde os sujeitos se tornam protagonistas e exercem a cidadania.

O projeto é uma atividade organizada que tem por objetivo resolver um problema. Constitui-se em planos de trabalho e em um conjunto de tarefas que podem proporcionar uma aprendizagem diversificada e significativa em tempo real. Favorece a construção da autonomia e da autodisciplina, tornando o processo de ensino aprendizagem mais dinâmico, significativo e interessante para o sujeito. Propõe a ação participativa no seu processo de produzir fatos sociais, por meio da troca de informação e  do desenvolvimento de competências. O aluno é visto como sujeito ativo que usa suas experiências e conhecimentos para resolver problemas. O conhecimento é como instrumento para a compreensão da realidade com vistas à intervenção nela. A sala de aula é considerada como fonte permanente de investigação, reflexão e animação, construindo uma postura pedagógica atrativa. Trabalhar por projetos de aprendizagem propõe, por outro lado, ao educador abandonar o papel de transmissor de conteúdos para se transformar num pesquisador. Dessa forma, o aluno estabelece suas próprias estratégias de aprendizagem, tornando-se protagonista, inserido num contexto social que estimula o exercício da cidadania. Como afirma Jonh Dewey, “Educação é o processo de vida e não uma preparação para a vida futura”.

 

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Cátia Xavier é Psicopedagoga clínica e institucional. Pedagoga especialista em Supervisão Escolar, Administração e Disciplinas do Magistério. Atuou como professora de Educação Básica e conta com formação internacional em Educação na Abordagem Reggio Emília, na Itália.  Atualmente é Consultora Educacional da FTD Educação.

 

 

Foto: ©Reprodução

Senado Federal em Brasília terá Seminário Nacional “Meninas no Poder”

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No próximo dia 29 de agosto, às 14 horas, o auditório Senador Antônio Carlos Magalhães no Interlegis do Senado Federal em Brasília (DF) recebe o Seminário Nacional “Meninas no Poder” – uma iniciativa da Plan International Brasil, que conta com a participação de mais de 200 meninas vindas do Pará, Maranhão, Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Sul. O grupo é composto majoritariamente por meninas negras e moradoras de periferias e tem objetivo de compartilhar as ações que acontecem nas cinco regiões do País.

Dois importantes eventos acontecem durante o Seminário. O primeiro será o lançamento da Plataforma Virtual “Meninas no Poder” – para conectar as meninas de todo o país, que será atualizada pelas próprias meninas do projeto por meio da postagem de vídeos, relatos, diários sobre suas ações de incidência nas suas comunidades – e da Metodologia Política e Advocacy para Meninas. O segundo evento será a apresentação oficial do “Relatório Meninas e os Objetivos do Desenvolvimentos Sustentável (ODS) – uma análise da situação das meninas no Brasil”.

Alcançar a igualdade de gênero é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), em setembro de 2015 pelas Nações Unidas e estabelece metas de igualdade de gênero até 2030. A Plan International Brasil acredita que sem uma mudança radical por parte dos governos, essa meta, ao lado de outras, não poderá ser alcançada.

“Se continuarmos como hoje, os governos não vão acabar com o abuso e a desigualdade de gênero, pois os dados sobre essas questões são insuficientes ou inexistentes. Para mudar esta realidade, o primeiro passo é tornar visível a realidade das meninas. É mais fácil ignorar um problema quando há pouca evidência de seu tamanho e impacto sobre a vida das pessoas. Se quisermos garantir o cumprimento da Agenda 2030, devemos nos certificar de que cada menina conta e importa para a sociedade”, diz Anette Trompeter, diretora executiva da Plan International Brasil.

 

Foto: ©Plan Staff/Divulgação

O brincar como cultura

Por Kelli Darliane Rodrigues da Silva

Poucas coisas dão tanto sentido as vivências e experiências infantis quanto a brincadeira. É uma pena que os adultos percam essa conexão com a própria essência, pois quando perdemos a capacidade de brincar infelizmente perdemos esse fio condutor e deixamos de aprofundar o ser humano que existe em cada um.

É necessário que possamos refletir sobre a fragilidade dos vínculos de relação com as pessoas no contexto contemporâneo. Estamos ocupados demais, praticamente o tempo todo e acabamos não dando a devida importância ao cultivo e cuidado do ser e estar nessa avalanche de coisas por fazer. Basta observar alguns minutos para que possamos perceber nossas crianças muito sozinhas, privadas das relações, da riqueza e da beleza que a vida contém, se olharmos mais atentamente, vamos constatar que nós também ficamos sozinhos em meio à multidão. Estamos aprisionados na superficialidade de tudo. É urgente resgatar a vida humana aprisionada, fortalecendo relações, sendo presença, participando da vida de nossas crianças e permitindo que elas sejam presença em nossas vidas. Convivência, tempo, disponibilidade, desejo, pertencimento, diálogo, investimento, presença, ser e estar!

Como se aproxima o dia dos pais essa reflexão é ainda mais inquietante e pertinente. Qual lugar e qual o papel que um pai ocupa na vida de uma criança? Como se torna pai no sentido mais profundo da palavra? Qual a importância da presença de um pai na vida desse ser que está construindo a sua identidade?  Mais uma vez voltamos a importância das relações. A vida é um grande laboratório de reflexões e de vínculos, e isso não acontece de forma isolada, nos construímos nas nossas relações. Quando brincamos com a criança possibilitamos a ela dar forma as suas ideias, fantasias, medos, enfim estabelecemos a possibilidade de compreensão do cotidiano de forma lúdica. Isso além de essencial é estruturante para a construção da identidade do sujeito, que brincando experimenta a vida que o cerca. De maneira vivencial quem brinca explora uma diversidade infinita de possibilidades, emoções, sensações, objetos, natureza, constrói laços de cumplicidade com quem está com ela dando sentido a essa experiência.  Pais possibilitem a experiência! Façam investimento na relação com seus filhos!

Que cada pai, mãe ou adulto que cuide da criança possa retomar o lugar de herói/heroína para seus filhos. Aquele lugar insubstituível e fantástico que ocupa o imaginário infantil. Para isso é necessário possibilitar a experiência! Dedicar tempo e tempo de qualidade.  Aventurem-se nessa incrível, fascinante descoberta e aprendizagem.

Dessa forma entendo que o brincar é uma possibilidade de manifestação, é a linguagem universal das infâncias, da cultura infantil e porque não, da cultura humana. Temos deixado essa cultura no subterrâneo, porque vivemos um momento de repressão do brincar com nossa correria cotidiana. Mas, a partir do momento que libertarmos a criança aprisionada dentro de nós poderemos retomar a conexão com a nossa essência, com a nossa existência trazendo mais sentido para o palco de nossas vidas e de nossas relações, carregando de afeto nosso dia-a-dia e nos constituindo como sujeitos capazes de estabelecer relações profundamente humanas.

 

KELLI DARLIANE RODRIGUES DA SILVAKelli Darliane Rodrigues da Silva é diretora do Centro Educacional Marista Champagnat (Cascavel), do Grupo Marista. Pedagoga e especialista em Educação na primeira infância.