A importância da avaliação do MEC na Educação Infantil

Por Simone Barros

A cultura da infância tem ocupado posição de destaque no cenário mundial, seja nos países desenvolvidos, seja nos países em desenvolvimento. Esta centralidade se dá desde a Revolução Industrial, no século 18, quando a mulher passou do papel de dona de casa e criadora dos filhos à gestora da vida familiar. Nasce então a necessidade de um ambiente para atendimento e acolhimento às crianças e, desde então, o ambiente escolar passou por vários momentos de ressignificação teórica que se estendem até os dias atuais. E entre os destaques contemporâneos estão em pauta as melhorias para a Educação Infantil.

A primeira etapa da Educação Básica, que compreende o atendimento escolar de crianças de zero a cinco anos de idade, é fundamental para o desenvolvimento integral dos pequenos, visto que é o momento de adaptação à rotina pedagógica, em que eles aprendem conceitos básicos necessários para as séries iniciais do Ensino Fundamental. Além disso, na Educação Infantil se desenvolvem aspectos cognitivos, afetivos, emocionais e físicos nas crianças, ampliando conhecimentos sobre a sua realidade social e cultural, contribuindo assim na construção da identidade e do exercício da cidadania.

Partindo dessa premissa, o MEC pretende implementar – em parceria com o INEP, que realiza avaliações educacionais em variados níveis de ensino – a Avaliação Nacional da Educação Infantil (ANEI), a fim de monitorar o nível da Educação Infantil no país. A ANEI surgiu da necessidade de se ter informações sobre a qualidade da Educação Infantil, visando oferecer às crianças uma escolarização de qualidade desde os primeiros anos na escola. A avaliação deve ser realizada a cada dois anos, por meio de questionários baseados em parâmetros nacionais de qualidade da Educação Infantil publicados pelo MEC, que deverão ser preenchidos pelos gestores e profissionais de instituições e sistemas de Educação Infantil (creches e pré-escolas), buscando aferir os recursos pedagógicos; o perfil dos educadores; as condições de gestão; a infraestrutura física; a situação de acessibilidade; a oferta de vagas, bem como outros indicadores relevantes.

A interpretação dos resultados da avaliação poderá contribuir para a melhoria da qualidade educacional em pontos importantes como o processo de formação contínua dos profissionais, a busca da igualdade de oportunidades em meio as diversidades e desigualdades sociais, e a objetividade na construção do currículo.

A Educação Infantil vem provando a cada dia que é primordial na aprendizagem efetiva, a partir da utilização de ferramentas essenciais para este período escolar, como o cuidado com a organização dos espaços e materiais; a promoção de atividades que provoquem o desenvolvimento de capacidades; a garantia do direito ao brincar como forma genuína de aprendizado e a prática de atividades lúdicas como ferramenta facilitadora na aprendizagem. Mas há de se pensar em melhorias na qualificação dos profissionais.

Acredito que a Avaliação Nacional da Educação Infantil virá para agregar valores no que tange à resolução e enfrentamento de problemas desta fase escolar. Sabemos das muitas arestas a serem aparadas. A Educação Infantil necessita cuidados e um olhar diferenciado, tendo vista que se trata do verdadeiro alicerce da aprendizagem, onde a criança se prepara para as próximas etapas educacionais.

 

Simone Barros é Analista de Operações da Planneta Educação, empresa do grupo Vitae Brasil; graduada em Letras pela Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, pós-graduada em Gramática e Uso pela Universidade de Taubaté – UNITAU e Psicopedagogia Clínica e Institucional pelo Centro Universitário Internacional – UNINTER, com experiência em trabalhos relacionados à Educação e Tecnologia Educacional. Contato: simone.barros@vitaebrasil.com.br.

Como unir a tradição das festas juninas às práticas pedagógicas incluídas na nova BNCC

Por Gisele Vitório

Vamo começa o arraiá, meu povo! Os meses de inverno trazem consigo os festejos que exaltam as comidas típicas, a simplicidade do povo, a fogueira que aquece o corpo e as danças que lembram nossa tradição rural. As festas juninas – e julinas – são uma das comemorações mais tradicionais nas escolas Brasil afora. E, para promover uma festa bonita e animada, as escolas se organizam com muita dedicação, recebendo os familiares dos alunos em um ambiente com decoração colorida, danças impecáveis, corpo docente, funcionários e alunos caracterizados como “caipiras” e, é claro, muita vivacidade e alegria próprias das festas de escola. A temática, no entanto, pode ir muito além da festa, contribuindo para uma formação integral do aluno, dando maior significado à comemoração e aproveitando a festividade como prática pedagógica.

Para muitos alunos, a comemoração é sinônimo de fechamento do semestre; para outros, é uma oportunidade de se divertir com a presença da família na escola. Mas qual é o real sentido da festa junina/julina? Em que contexto surgiu? É preciso dar sentido a essas festas, oferecendo ao aluno conhecimentos sobre suas origens; suas características; ensinando nas aulas de história e geografia de onde veio a tradição, onde a festividade é mais popular, incluindo no aprendizado temas como imigração e a influência indígena nas comidas típicas.

Muitos alunos esperam as comemorações nas unidades escolares com o intuito de poderem colaborar de maneira significativa. Assim, quando o professor de arte propuser a confecção da decoração e os alunos se propuserem também a fazer peças de teatro e danças, estarão ativamente envolvidos no projeto. Os alunos podem aprender também sobre as influências artísticas de uma determinada época ou região, obtendo informações sobre cultura e sociedade.

E como trabalhar a Matemática na festa junina/julina? E a Língua Portuguesa? Muitos professores se deparam com os desafios de aliar o conteúdo proposto em currículo com a comemoração. Para tanto, é bem possível aliar o conteúdo trabalhando as proporções das receitas típicas juninas, ou a necessidade da organização de quitutes suficientes para atender a todos os convidados ou ainda explorando a linguagem rural, realizando pesquisas sobre a cultura popular e a influência na linguagem informal, elaborando cartazes e outros meios de divulgação, compartilhando com os alunos o gênero textual adequado. Enfim, existem muitas possibilidades de explorar a festa junina/julina para torná-las parte do aprendizado e não meramente uma comemoração da escola.

Normalmente os familiares participam da festa junina e fazem questão de caracterizar a criança para a comemoração. É tempo de tirar muitas fotos com a família, que irão para álbuns e postagens nas redes sociais. E é nesse momento que a escola pode se aproximar da família, criando momentos em que familiares e alunos podem, juntos, aproveitar o festejo.

Com as crianças menores, a escola pode promover a confecção de chapéus e aventais juntos aos alunos e familiares. Já com os alunos maiores, a escola pode promover a leitura de músicas típicas, realizando jogos de investigação sobre autor/cantores/trechos da música e época em que a música foi lançada.

Além disso, a escola pode obter a participação ativa da família na confecção dos quitutes da festa, na fotografia dos alunos, nas prendas oferecidas, entre tantas outras atividades, tornando mais próximo o relacionamento entre família e escola, fazendo com que se sintam inseridos e ativos na vida escolar de seus filhos.

Introduzir as competências na BNCC no projeto “festa junina”

Se conseguirmos obter a participação ativa do aluno, podemos ainda aliar o aprendizado à nova Base Nacional Comum Curricular, explorando itens como:

*Uso de recursos tecnológicos – pode ser criado um blog com as receitas típicas da festa junina/julina;

*Investigação acerca da cultura, sociedade e aspectos históricos – a influência das culturas europeia e brasileira na festa junina/julina;

*Explorar a diversidade cultural, deixando de lado a caricatura do homem da roça e promovendo o conhecimento sobre experiências e saberes; além da contribuição social e econômica do trabalhador rural – abordar assuntos como agricultura familiar e aspectos da zona rural;

*Promover as manifestações artísticas, valorizando a diversidade de indivíduos e grupos sociais, enaltecendo saberes e cultura, sem preconceitos – oferecer aos alunos a possibilidade de escutar as músicas das festas juninas, entendendo a linguagem, a narração de histórias próprias das músicas, além de propiciar o conhecimento de outras culturas;

*Elaborar um projeto com as receitas culinárias das festas juninas, fazendo os alunos investigarem receitas, ingredientes e sabores típicos da comemoração – investigar as comidas de cada região, com pesquisa na escola sobre qual comida típica é a preferida dos alunos.

Como se vê, existem várias possibilidades. Festa junina/julina vai muito além da pipoca, maçã do amor e quadrilha; vai muito além da bandeirinha, das pintinhas no rosto e do bigode nos meninos; vai muito além da música animada, dos vestidos coloridos, das camisas listradas. Festa junina/julina é aprendizado, é cultura, é espaço de saber e confraternização das famílias.

 

Gisele Vitório é consultora educacional e formadora internacional da Aprendizagem Cooperativa na Planneta Educação, empresa do grupo Vitae Brasil. Já atuou como professora técnica, expositora e facilitadora de aprendizagem em oficinas sobre Metodologias Ativas e Gestão de Sala de Aula em simpósios e eventos internacionais de educação.

Escola e aprendizado: Motivação para aprender, sempre!

 

Por Cleia Farinhas

Ao mesmo tempo em que constatamos que a facilidade de acesso à informação pode ser um ativo importante para impulsionar as pessoas em direção ao conhecimento, nos deparamos com notícias como as do Censo Escolar da Educação Básica 2017, que mostram uma preocupante redução no número de alunos matriculados no Ensino Médio, fato que nos leva a algumas reflexões sobre o papel da escola nesse cenário. O levantamento, divulgado pelo Ministério da Educação, aponta que 1,5 milhão de jovens ficaram fora da sala de aula no ano passado.

A imensa – muitas vezes, até incontrolável – oferta de informação online derrubou por completo a barreira que separava o indivíduo da informação e do conhecimento construído histórica e socialmente. Hoje em dia, qualquer pessoa pode aprender sobre qualquer assunto de seu interesse. Basta procurar para encontrar conteúdos impressos, digitais, gratuitos ou pagos. Diante disso, vemos um número muito alto de estudantes que acabam desistindo da escola nos últimos anos da Educação Básica.

O que aconteceu com a curiosidade, a vontade ou a necessidade tão humana de aprender pelas vias formais? Por que jovens, que deveriam estar cada vez mais entusiasmados diante de tantos incentivos, simplesmente parecem “desistir de aprender na escola”? Sabemos que fatores sociais e econômicos podem interferir – e muito – no caminho para a escolaridade, mas somente isso não basta para fechar essa questão.

Precisamos analisar o problema, lançando um olhar crítico sobre a forma como a educação vem se sustentando ao longo dos anos e o modelo de escola que oferecemos aos nossos estudantes. É certo que a educação formal e tradicional, que historicamente coloca o professor como protagonista e detentor absoluto dos conhecimentos, já não funciona para as novas gerações, acostumadas a obterem o que querem com apenas um click no mouse ou uma deslizada de dedo pelo celular. Fato é que a internet expandiu os horizontes e fez surgir, por força das circunstâncias, uma dinâmica diferente entre quem ensina e quem aprende.

Escolas e educadores que já perceberam essa mudança adaptam-se continuamente revendo seus papéis e atuando para construir uma escola mais inclusiva no que tange a metodologias e recursos de gestão de aprendizagem, sem esquecer de mobilizar a curiosidade e o apreço pelo aprender em um ambiente desafiador, sem perder o acolhimento. Uma boa dose de espanto e incredulidade pode influenciar positivamente a postura do estudante. Pensada sob essa perspectiva, a escola  ajuda a criar o interesse por meio de um processo – às vezes árduo, sabemos – de parceria entre os professores, alunos e suas famílias. É preciso assumir o compromisso de estar junto – e não à frente ou acima. Cabe a nós, professores, ajudar a construir pontes que aproximem cada vez mais crianças e jovens do conhecimento. Como fazer isso? Estimulando os meninos e meninas na busca por respostas a perguntas que não necessariamente tenham relação com o conteúdo de sala de aula. É preciso fazer com que ele se sinta desafiado a alçar voos longos – e o lugar certo para essa trajetória ser iniciada é a escola, que deve ser vista pelos alunos como um espaço permanente de acolhimento de pessoas e ideias.

Aprender depende, principalmente, de motivação e atitude. O estímulo surge quando algo nos provoca, incentiva e mobiliza. E tal mobilização pode ser conquistada quando se conseguir transformar a escola em um lugar que alimente o sonho e incentive a criação de um projeto maior, para a vida. Só assim nossos estudantes conseguirão se concentrar e enxergar que todo esse processo de construção do conhecimento vale, de fato, a pena.

imagem_release_1282264Cleia Farinhas é gerente pedagógica da Editora Positivo.

 

 

 

 

 

 

Imagem: ©Divulgação.

Dica: Veja 5 livros para fazer a gestão da sua escola

Se inspire com as obras abaixo e dê uma guinada na sua escola

Por Leiza Oliveira

Algo importante para se iniciar esse texto é o questionamento que devemos fazer a nós, educadores e gestores escolares, do tempo que dedicamos a leitura no nosso dia a dia. Queremos que nossos alunos(a) leiam mais e com isso se tornem cidadãos melhores. Indicamos diversos livros sobre os mais variados temas. No caso da minha rede educacional, a Minds Idiomas, sempre citamos livros em inglês para os jovens e adultos aprenderem o idioma e ainda ficarem por dentro de outras culturas.

Entretanto, é aquele velho ditado: faça o que eu digo e não o que eu faço. Muitos docentes acompanham de perto a evolução dos estudantes ao terminarem as obras indicadas por eles, mas não fazem o mesmo. O estudo continuado deve existir a princípio pelos professores e gestores das escolas para assim conseguirem ser exemplo aos demais, entre eles os alunos.

Logo, dedicar pelo menos uma hora por dia e/ou 30 minutos na rotina lendo obras que possam melhorar a sua qualidade de vida no ambiente educacional e assim impactar na transformação da aprendizagem fará com que a sua escola se desenvolva melhor. Tanto em termos pedagógicos, fazendo com que esses estudantes se tornem autores da própria aprendizagem e não apenas receptores de informações, quanto também em termos de lucratividade. Quando alunos se transformam em cidadãos melhores, se apropriam de conteúdo, e não apenas como agentes que memorizam assuntos, todos só tem a ganhar. A sociedade, a escola, e o lucro capital e intelectual dessa unidade.

Para te ajudar, professor/a, gestor/a escolar, e demais colaboradores, selecionei 5 livros para tornar a sua escola melhor:

  • Aula Nota 10: 49 técnicas para ser um professor campeão de audiência (Doug Lemov)

Muitos livros trazem bastante teoria e pouca prática. Buscando desmistificar esse padrão, Lemov traz nessa obra 49 ações que você pode colocar na sala de aula.Com uma linguagem fácil e exemplos reais, esse livro é atemporal e pode ser usado em todo o tipo de escola desde idiomas a letivas.

  • Diretor escolar: educador ou gerente? (Vitor Henrique Paro)

Um dos temas abordados por Paro nesse livro e de muita importância é a separação que existe entre os setores administrativo e pedagógico. Paro prova que ambos estão ligados e precisam um do outro para que a escola seja uma referência de ensino. Propõe diálogo entre essas duas áreas escolares. A obra é fruto de uma pesquisa empírica em uma escola pública municipal de São Paulo.

  • GTD – A arte de fazer acontecer (David Allen)

Trata-se de um método criado por David Allen para a vida. GTD é a sigla para Getting Things Done e incentiva a produtividade na nossa rotina por meio do esvaziamento da mente. Conseguindo dessa forma usar de criatividade até nas tarefas mais simples. A obra pode te ajudar a ter uma conduta de relacionamento melhor na escola e também nos seus relacionamentos interpessoais e tarefas fora do ambiente de trabalho.

  • O que revela o espaço escolar? (Comunidade educativa Cedac e Editora Moderna)

Dessa lista esse é um dos livros que mais gosto. Você sabia que o ambiente escolar interfere no processo de aprendizado? E pode também interferir na forma como os docentes e demais colaboradores se sentem na condução das suas atividades diárias? A obra trata desde como resolver conflitos difíceis nas escolas a entender o ambiente escolar que estamos inseridos.

  • A prática educativa – Como ensinar (Antoni Zabala)

Um dos temas abordados nessa obra é a gestão do tempo. Na era atual em que tudo parece para ontem e que estar online é sinônimo de estar antenado, a distribuição do tempo para os afazeres do dia a dia está sendo um problema cada vez mais notado por todos. Zabala reúne no livro dicas para melhorar a prática escolar, fazer a gestão do tempo com eficácia e a importância da relação entre professor e aluno.

 

Leiza

Leiza Oliveira é CEO e diretora educacional da rede Minds Idiomas. Fez magistério, ciências contábeis e administra um total de 70 escolas de idiomas. Possui escolas nas 5 regiões do país. Realiza treinamento de franqueado, lida diretamente com alunos e atualmente reside nos Estados Unidos para trazer tecnologia para dentro das salas de aula das escolas da Minds.

Pequenas crianças, grandes responsabilidades

Por Hannyni Mesquita

Ao ouvirem especialistas afirmarem com propriedade que a Educação Infantil é a mais importante etapa do desenvolvimento de um indivíduo – mais até do que a universidade – muitas pessoas se mostram surpresas ou incrédulas. Quem trabalha com crianças nessa faixa etária – até os 6 anos – sabe que a afirmação não é exagerada. Essa é a fase de maior desenvolvimento humano.

Durante a chamada primeiríssima infância, de 0 a 3 anos, se aprende mais do que se aprenderá ao longo de toda a vida. Para além do discurso de educadores, são os cientistas que afirmam: nos primeiros anos, o cérebro faz mais conexões do que em qualquer outro período da vida. São de 700 a 1.000 conexões por segundo. Aos 3 anos, ele é duas vezes mais ativo que o cérebro de um adulto. Pesquisas americanas realizadas com milhares de crianças mostram que alunos que tiveram uma boa Educação Infantil precisam de menos reforço escolar e apresentam melhor desempenho no Ensino Fundamental. Em outro estudo, cientistas de Harvard já apontaram que quanto mais a criança se desenvolve na escola nessa fase da vida, maiores são as chances de chegar ao Ensino Superior e ganhar bons salários, quando adulta.

As afirmações são importantes para reforçar que o ambiente no qual a criança cresce é fundamental para garantir seu pleno desenvolvimento – e não estamos falando apenas do cenário doméstico: o ambiente escolar também é determinante. As escolas que ofertam a Educação Infantil têm uma enorme responsabilidade com a humanidade, por isso saber o que fazer, por que fazer e como fazer é para profissionais – e exige muita formação continuada e acompanhamento direto de pessoas capacitadas para transformar a prática em objeto de reflexão para a melhoria contínua. É necessário que os profissionais entendam que o brincar é a linguagem da criança e que consigam transformá-lo em instrumento mediador no processo didático-pedagógico. Tal recurso é ferramenta indispensável no desenvolvimento qualitativo dos aspectos cognitivo, motor, afetivo, psicológico e social, e, portanto, necessita de valorização dentro das propostas educacionais.

Apesar da legislação brasileira considerar que a Educação Infantil faz parte da Educação Básica, o país ainda não exige formação superior dos profissionais que atuam nessa etapa de ensino (mesmo que essa seja a 15ª meta do nosso Plano Nacional de Educação).  Fora isso, há escolas com um número imenso de profissionais atuando na Educação Infantil sem a formação adequada porque muitos ainda acreditam que, quando se trata de criança pequena, basta apenas cuidar. Uma pesquisa realizada em seis capitais brasileiras revela que 65% dos professores que atuam nessa fase de ensino não tem qualificação específica para trabalhar com educação de crianças. O que não é levado em conta nesse atual cenário é que o próprio cuidar deve vir acompanhado de orientações e embasamentos. Sem o conhecimento necessário, o profissional recorre ao senso comum, sem conhecer o que é esperado para cada faixa etária, como aprender, ensinar e organizar tempo e espaço na Educação Infantil, como, efetivamente, podemos proporcionar o aprender brincando. E só para reforçar: não basta apenas formação inicial, a formação continuada precisa fazer parte da rotina do profissional.

O professor de Educação Infantil deve ter um coração disposto a criar vínculos afetivos, mãos habilidosas para se dedicar ao trabalho diário e uma mente disposta a aprender, sempre. Deve apresentar também um olhar que é desenvolvido por meio de orientação e formação, calibrado para perceber situações corriqueiras, transformando-as em disparadores para novas aprendizagens. Ele precisa ser paciente – a repetição faz parte do processo – ao mesmo tempo que precisa ser criativo, procurando diferentes maneiras de mediar a aprendizagem. É na troca e na rica experiência que testamos, nos frustramos, conquistamos e crescemos. É com a atitude diária, cotidiana, muitas vezes vista como banal, que transformamos. A repetição, a permanência da regra, a mediação realizada “milhões de vezes”, essas sim, consideram a complexidade do ser humano. Devemos ser capazes de transformar o pensamento em ação e repensar a ação por meio da reflexão, sem perder o entusiasmo, a coragem de tentar o diferente e inovar.  Afinal, trabalhamos com a melhor fase do ser humano.

HANNYNI_média

 

Hannyni Mesquita é pedagoga, especialista em Gestão das Organizações Educacionais e Educação Bilíngue. É gestora da Educação Infantil do Colégio Positivo Júnior, de Curitiba (PR)

 

 

 

 

Imagem: ©Divulgação.

Relato: Para mães empreendedoras

pandoca

Quando tudo pode dar errado, mas dá certo: cuidar do negócio, licença maternidade e a difícil tarefa para quem leva carreira a solo

Por Talita Scotto

Empreender é um caminho muito solitário. É solitário para você se “auto motivar” diariamente, para a superação dessa jornada e principalmente para as decisões que terão de ser tomadas. Eu acreditava, mas pensava que em algum momento poderia dar errado. Não deu, mas sempre acho que pode dar. Achei que poderia dar errado quando chegasse o primeiro filho. Não deu. Empreendedores têm uma essência mais inquieta e esse ponto forte é, sem dúvida, um motor capaz de fazer a engrenagem funcionar – mesmo com um bebê no colo.

Vi meu projeto de TCC virar meu projeto de vida aos 22 anos de idade. E a maternidade acompanhou todo o processo sem precisar ser adiada. Essa história eu gosto de contar para você que, assim como eu, empreende solitária. Não tenha medo, pois é realmente possível unir as duas coisas. Casei aos 25 anos e engravidei a primeira vez aos 27. Perdi dois bebês e descobri a trombofilia, que me trouxe uma outra jornada: engravidar e continuar mantendo o foco. Depois de 333 injeções dei à luz uma menina – que chegou para completar a família e, claro, ensinar ainda mais a colocar as prioridades no lugar.

Fiz home-office desde que cheguei em casa com ela. Embora tivesse me estruturado internamente, há assuntos que só o dono é capaz de responder pelo seu negócio. E quem empreende sabe que se desconectar do negócio é difícil. Às vezes, aquele projeto que você tanto queria chega na hora mais conturbada da sua vida. E comigo não foi diferente. Vi novos clientes e projetos irrecusáveis chegarem quando ela tinha 45 dias de vida e aquela pessoa que você apostou para te cobrir sair da empresa. Me vi ali, aceitando o crescimento da empresa no momento em que deveria estar assistindo Discovery Kids e acertando a pega da amamentação.

Tive vontade de jogar tudo para o alto, mas já tinha percorrido 8 anos de trabalho e isso me dava um orgulho imenso – sei que ela vai se orgulhar no futuro também. Nunca esqueço que montei um berço do lado da minha mesa, com trocador e mamadeiras, e fiz um processo seletivo amamentando. Por escolha minha, tomei decisões com a realidade que tinha naquele momento. Mais uma vez, tinha a certeza que não daria certo. Deu e não só deu, como foram as melhores profissionais que poderiam estar do meu lado naquela fase. Por isso, cerque-se de bons profissionais para lhe auxiliar nessa etapa. Por mais que você se estruture, imprevistos sempre podem acontecer.

Depois de três meses em home-office com contatos diários por telefone e por vídeo com a equipe, voltei ao escritório alguns dias da semana e fui aumentando gradativamente minhas idas. Mudei a empresa de bairro para estar ao lado do meu maior suporte familiar: os avós. Trabalhava, amamentava, voltava para trabalhar, e vez ou outra levava trabalho para casa quando o prazo apertava.

A rotina é puxada? Sim. Conciliar é difícil? Sim. Dá vontade de surtar? Sim. É perfeitamente compreensível que a tarefa de cuidar de um bebê e de uma empresa é desgastante mas, a decisão do que será melhor só você pode tomar. Eu escolhi dançar conforme a música. Não perdi o prazo dos clientes e nem o prazo da amamentação, dos horários com o pediatra, dos remédios, trocas de fraldas, das brincadeiras, os primeiros passos. Empreender ainda te dá a liberdade de, com o passar dos meses, estabelecer uma nova rotina de horários e de trabalho

Aquele ser que parece tão frágil vai ser o que vai te fazer mais forte no final. Aquele que lhe dará mais força para lutar diariamente pelo seu negócio. Nessa rotina de equilibrar pratos, consegui manter ela comigo até 1 ano e 3 meses, depois a escola entrou para deixar tudo mais regrado, e ela deixou saudades no escritório.

Hoje, ao olhar para trás, me pergunto como consegui e vejo que, a jornada está ainda melhor. Aprendi que as horas extras são na minha casa, com minha filha. Que o horário comercial é comercial mesmo. Que casos especiais são casos especiais – mesmo. Que é perfeitamente possível resolver as coisas das 9h as 18h e que tem o dia seguinte para continuar. As prioridades me ajudaram a ser mais produtiva e não ter distrações, porque produtividade virou sinônimo de resultados e mais tempo com ela. Afinal, eu tenho um compromisso muito importante me esperando em casa: minha família.

Hoje ela está com quase 2 anos. Sua chegada me ajudou a reestruturar a empresa, a equipe, a marca, o nosso posicionamento e os nossos resultados. Mudei de endereço novamente e escolhi outra cidade, que me permite ter qualidade de vida no trabalho e na vida pessoal. E quando, no auge das emoções, alguém te disser “Calma, essa fase vai passar”, acredite. Ela passa.

imagem_release_1158987

Talita Scotto é jornalista e diretora da Agência Contatto, especializada em assessoria de imprensa e conteúdo, empreendedora desde os 22 anos e mãe da pequena Theodora.

 

 

 

 

 

Imagem: ©Divulgação.

Geração Mulher Maravilha

1797132186-mulher

2018 será o ano das mulheres? Essa foi uma questão muito discorrida no final do ano de 2017, principalmente após a disseminação da #MeToo que expõe o assédio sexual em todo o mundo. A partir do impacto da divulgação do escândalo do produtor cinematográfico americano Harvey Weinstein, que foi acusado de abusar sexualmente algumas estrelas da televisão, a discussão da igualdade sexual e empoderamento feminino voltou à tona com cada vez mais ativistas.

O ano começou e é possível ver as mulheres cada vez mais presentes em importantes cargos nos negócios. Segundo o Sebrae as mulheres já ocupam 43,2% dos cargos de gerência em micro e pequenas empresas.

É possível ver que o empreendedorismo tem gerado uma forte onda de empoderamento e autonomia financeira. Dentre as empresárias 40% tem menos de 34 anos e estão concentradas principalmente em quatro áreas de atuação: restaurantes (16%), serviços domésticos (16%), cabeleireiros (13%) e comércio de cosméticos (9%), e muitas empreendem dentro de casa (35%).

Um ótimo exemplo de mulher empreendedora é a Mariana Silveira Ribeiro professora e proprietária da Taste n’ Learn, uma escola de idiomas com recursos inovadores, que tem como método de ensino a gastronomia. Graduada em Comunicações e Letras em Inglês e Espanhol pela San Diego State University morou 9 anos nos Estados Unidos.

Grande parte do empoderamento vem da capacidade de acreditar em si, batalhar para alcançar seus sonhos e principalmente correr os riscos necessários, sem medo de errar. Mariana viajou, estudou e iniciou sua carreira nos EUA, porém não parou por aí, em seguida, se mudou para Roma (Itália), onde viveu por dois anos estudando a língua e a gastronomia. Há dois anos, retornou para o Brasil e fez o curso de Chef Internacional pelo Senac, em São Paulo. Estagiou com renomados profissionais como Alex Atala e Viko Tangoda e atualmente fala mais de oito idiomas e é totalmente autônoma. Essa mulher pode servir como exemplo para encorajar muitas outras a seguirem seus sonhos, afinal o empoderamento feminino pode ser alcançado também através do empreendedorismo.

Outra mulher exemplo é a Silvia Taioli, que foi se aventurar na área dos esportes e se tornou a mais reconhecida e admirada jogadora de Sinuca. Foi-se o tempo que o “sexo frágil” comparecia aos bares de sinuca só para acompanhar os namorados ou por motivos sociais. A profissional se tornou campeã brasileira e tetracampeã paulista, também a única comentarista de bilhar, tanto na categoria feminino como masculino nas transmissões da ESPN Internacional no Brasil. Com o pensamento e a vontade de trazer mais mulheres para este meio se tornou instrutora de sinuca e leciona aulas em salões consagrados, além de promover, frequentemente, workshop dedicado exclusivamente ao público feminino.

Cada vez mais as mulheres vêm conquistando as diferentes áreas e mostrando que também são capazes de alcançar o sucesso com sua determinação. Estão empreendendo, na área dos esportes e também trazendo ideias e recursos de outros países para o Brasil.

Caramapple foi criada por Mariane Noda, que descobriu tradicional sobremesa americana chamada Caramel Apple que ficou famosa e hoje a loja está com as vendas disparadas. É de ideias inovadoras e feitas com carinho que o mundo dos negócios está precisando, e se tem uma coisa que a geração mulher maravilha é ótima é em não desistir e seguir com seus sonhos, e segundo a Mariane Noda “é necessário muita paciência e muita paixão.”

Muitas vezes as mulheres entram em carreiras para alcançar uma meta financeira, porém não é aquilo que elas realmente gostam de fazer. A coach Renata Tolotti passou por um processo de reinvenção de carreira, possuía um escritório de arquitetura e como a profissional diz, tomou a melhor decisão de sua vida “cheguei no meu escritório de arquitetura e arranquei a fachada”. Após essa mudança começou a trabalhar com coach e seguir seus sonhos e superar todas as dificuldades que encontrou pelo caminho. Adicionou a mentoria em seu trabalho o que mais uma vez trouxe ótimos resultados e a empresa alcançou quase meio milhão em um ano. Renata foi atrás e alcançou seus objetivos, hoje tem muito prazer na área em que atua e seu trabalho ajuda a mostrar para as pessoas que elas são capazes de ter a vida que elas merecem, com mais amor, sonhos, risos e realizações.

 

 

Imagem: ©Divulgação.