Gênero em questão: Psicóloga dá dicas para educar as crianças sem estereótipos

Close-up of gender symbols on colorful paper

O conceito de igualdade de gêneros é um tema de extrema relevância a ser discutido em sociedade. A busca pela equivalência entre homens e mulheres leva milhares de pessoas a lutarem por direitos e deveres iguais. Um tema tão importante assim deve ser levado em consideração na educação das crianças, permitindo que elas possam crescer sem a interferência ou limitações de estereótipos.

A psicóloga do São Cristóvão Saúde, Aline Melo, dá dicas aos pais de como educar os pequenos sem preconceitos. “O mais importante na criação dos filhos mediante este aspecto de igualdade é não fazer diferença entre os gêneros quanto a educação e orientações. É preciso incentivar a independência e autonomia da criança independente do gênero e, principalmente, a possibilidade de que ela tome decisões ponderando sobre as consequências das mesmas sobre si e sobre os outros. Assim, o anseio por autonomia e evolução se transforma em uma regra geral, não direcionada apenas para um ou outro sexo específico”.

O senso de independência da criança deve ser estimulado desde cedo. “Os pais devem mostrar a importância de refletir sobre decisões, pensando em suas consequências, bem como trabalhar a autonomia para ajudar a criar um senso de autocuidado e responsabilidade, o que auxilia até a serem adultos mais seguros no futuro. E este aspecto pode ser incentivado em situações simples, como: no cuidado, preservação e organização de seus brinquedos; e nas tarefas ao qual a criança pode ser inserida visando a perceber a importância de sua contribuição para a família e para si”, explica a especialista.

Um bom jeito de auxiliar no desenvolvimento desta característica é o ato de brincar. “É importante que os pais se apropriem deste momento de descontração com a criança para que elas trabalhem suas fantasias e reflitam sobre seus comportamentos por meio do brincar. Uma criança que não brinca é uma criança triste, o brincar está totalmente atrelado a um melhor desenvolvimento emocional dos pequenos”, assegura Aline. As brincadeiras das crianças promovem interação e incentivam a criatividade e sociabilidade.

Segundo a psicóloga, não devemos limitar suas ações como “coisa de meninas” ou “coisa de meninos”, podendo, sim, meninas brincarem de carrinho, assim como os meninos de boneca. “A criança não nasce com preconceitos ou ideias formadas, isso ela adquire no contato com o outro, na convivência em sociedade. Um menino que é estimulado a nunca chorar, pois isso é ‘coisa de menina’, vai se apropriar de tal aspecto, imaginando uma maior fragilidade feminina. No entanto, também vai sofrer com isso, porque tem sentimentos e medos e precisa se expressar. O preconceito é prejudicial para ambos os sexos”, alerta a profissional.

É muito importante para a criança que ela se sinta amada e reconhecida pelo olhar de seus responsáveis, colaborando para criarem a própria percepção de si, já que a autoestima nada mais é do que o conjunto de crenças que formamos sobre nós. “Atualmente, também precisamos levar em consideração que vivemos em uma sociedade que exige um padrão de beleza especifico e isso acaba envolvendo até mesmo as crianças. Esse é mais um forte motivo para trabalhar a autoconfiança desde cedo, para que as crianças não sucumbam a essas cobranças e aceitem-se como são”, recomenda.

O maior ensinamento que os pais devem transmitir é o respeito e isso é feito por meio de exemplo. “Se um menino cresce vivendo com um pai que desempenha uma postura machista e desrespeitosa para com a mãe, experienciando situações de limitações e imposições constantes para com ela, o menino crescerá com este padrão de percepção, já que os pais são os grandes modelos inspiradores das crianças. Por isso, é preciso pontuar sobre as potencialidades femininas, bem como as masculinas. E, principalmente, mostrar que devemos respeitar não somente as mulheres, mas todos os seres”, aconselha a psicóloga. “Quanto mais discutirmos com nossos filhos essas desigualdades pré-estabelecidas pela sociedade, não somente relacionada à diferença de sexo, mas a qualquer tipo de preconceito, criaremos adultos mais conscientes e orientados a lidar com o outro de maneira humana e ética”, finaliza.

Exemplos práticos:

– Minha filha quer jogar futebol, mas os amigos não deixam. Como agir?

A não aceitação dos amigos provem de uma influência da sociedade, pais e até mesmo das mídias sociais (quantas vezes vemos jogos de futebol feminino gerando tanta repercussão e telespectadores como os jogos masculinos?). Esse é um ponto que deve ser trabalhado amplamente. É importante sinalizar para a menina que situações como esta podem ocorrer por inúmeros fatores, mas que isso não deve faze-la desanimar ou se restringir, apresentando a possibilidade de que ela mostre aos amigos suas capacidades também. Caso seja possível, trabalhar também com os responsáveis desses amigos, visando a estimular tal reflexão.

– Meu filho quis passar batom. Como devo agir?

A princípio, devemos compreender que as crianças são curiosas e que tudo que é novo e atrativo chama a atenção e dá vontade de experimentar e conhecer. Mediante tal ponto, o importante é abordar o assunto com naturalidade e tranquilidade. Muitas vezes, quando tal situação ocorre gera nos pais um medo muito grande de que tal atitude interfira na orientação sexual da criança, porém ninguém se transforma homossexual somente pelo desejo de usar um batom. Isso é importante ficar claro para que se consiga lidar com essa situação sem maiores problemas ou definições do tipo “batom é coisa de mulher”, uma boa saída é pontuar que maquiagens em geral pertencem ao mundo adulto, explicando para a criança que ele ou ela terá o momento certo de conhecer mais sobre tal aspecto caso mantenha seu interesse.

– Como explicar para a criança que rosa não é cor de menina e azul não é cor de menino?

Esse é um problema muito comum. Muitas vezes, os pais estão esclarecidos de tais aspectos, mas esbarram nos estereótipos criados por escolas ou até mesmo por outros familiares com os quais a criança convive. É importante levantar essa questão com a escola e trabalhar a reflexão, até mesmo para estendê-la aos outros alunos e pais.

 

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Os três pilares do aprendizado

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Por Cleia Farinhas

A educação brasileira passa por um profundo processo de transformação com a implantação da nova Base Nacional Comum Curricular. Precisamos estar prontos para este processo, ajudar nossos professores a fazer essa transição e oferecer a nossos alunos ensino de qualidade e alinhado com os novos tempos. Para cumprir essa missão, precisamos enxergar a educação do futuro levando em conta 3 aspectos importantes: segurança, pertinência e experiência.

O acesso às ferramentas tecnológicas que facilitam o consumo e propagação do conhecimento já chegou a todas as camadas sociais. A tecnologia não é mais vista como uma barreira para o conhecimento. E seu uso começa cada vez mais cedo. Pensando nisso, torna-se fundamental cuidar de nossas crianças. Quando permitimos que alunos, a partir dos 6 ou 7 anos, se aventurem em busca de conteúdo na internet, é o mesmo que deixarmos esses estudantes atravessarem sozinhos uma avenida enorme e movimentada sem levá-los pela mão. Como educadores, temos a responsabilidade de guiá-los, oferecendo um aprendizado seguro e de qualidade. Essa segurança só será garantida com conteúdos confiáveis, produzido por fontes que saibam aliar tradição e inovação.

Em momentos de transição, com a grade curricular sofrendo alterações, os responsáveis por gerar conteúdo devem ter em mente que os temas e materiais propostos devem ser pertinentes, perfeitamente alinhados com o momento e o novo perfil de estudante que temos em sala de aula. O mundo mudou, a forma de ensinar e interagir com o conhecimento também mudou. Os conteúdos que os alunos precisam aprender devem fazer sentido para eles. É preciso atribuir a esses materiais um significado prático, para que eles consigam responder ‘para que’ estão aprendendo aquilo, a fim de que estabeleçam vínculos entre escola e vida, enxerguem a relação entre conteúdos de diversas disciplinas e, com isso, aprendam, percebendo que a escola tem sentido.

E para cumprirmos de fato nossa missão, precisamos encarar o grande desafio que é promover uma experiência capaz de envolver o estudante. Estamos diante de uma nova geração de alunos, que aprendem de forma muito diferente de como se aprendia 10 anos atrás. É preciso entender a dinâmica dessa nova geração para organizar a aprendizagem de maneira que os estudantes se sintam incluídos e se identifiquem com os propósitos da escola, se envolvendo com o conteúdo. Cabe, portanto, a professores e gestores escolares a responsabilidade de entender este novo cenário e oferecer ao novo aluno uma experiência que promova o engajamento necessário para garantir um aprendizado efetivo e permanente.

Cleia Farinhas é gerente pedagógica da Editora Positivo.

 

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A presença feminina na escola

 

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Por Raquel Quirino Piñas, do Memorial do Colégio Marista Arquidiocesano

No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, e nessa data pensamos na presença e na atuação feminina, sobretudo na Educação. Quem visita uma escola brasileira em 2018 verifica, com naturalidade, a forte presença das mulheres por meio de suas professoras e alunas; no entanto, nem sempre foi assim.

A Lei de Instrução Pública, assinada em 15 de outubro de 1827, decretava a criação de escolas de primeiras letras no Brasil e determinava em seu artigo 11 a existência de estabelecimentos de ensino destinados às meninas nas cidades e vilas mais populosas, e em localidades nas quais as autoridades julgassem necessárias.

Para todas as crianças seria ensinado ler, escrever, fazer as quatro operações aritméticas, a gramática da língua nacional, os princípios da moral cristã e a doutrina católica, utilizando-se do estudo da Constituição do Império e da História pátria. As diferenças entre os gêneros apresentavam-se na exclusividade do estudo de geometria para os meninos e o de prendas e economia doméstica para as meninas.

Entretanto, a lei não foi suficiente para garantir o ingresso da maioria das crianças e jovens na escola, principalmente no caso das meninas. A legislação de ensino apresentava-se como um avanço ao afirmar a necessidade de instrução para as mulheres, todavia reafirmava a vida doméstica como seu espaço inato de atuação. A diferença na instrução e na separação de escolas para meninos e meninas marcou o final do século XIX e início do XX.

A legislação para ensino estimulou a abertura de instituições dedicadas a formação docente. No ano de 1846 é fundada a Escola Normal de São Paulo, que somente em 1875 passa a admitir as primeiras normalistas, em espaços e horários separados do sexo oposto. Paulatinamente, nas décadas seguintes o número de estudantes mulheres cresceu, dando origem a uma “feminização do magistério”, em um momento no qual o público masculino era atraído para novas oportunidades de trabalho com o desenvolvimento urbano e industrial.

A industrialização também impulsionou a inauguração em 1911 da primeira Escola Profissional Feminina em São Paulo. O currículo da escola era composto por aulas de confecção de roupas, rendas e bordados, flores e chapéus, e conhecimentos em puericultura (cuidados com bebês). No Brasil, a diferenciação de currículo para públicos feminino e masculino estendeu-se até 1950, quando as instituições públicas de ensino passaram a ser mistas. Nas escolas católicas, a aceitação de ambos os sexos no mesmo espaço foi mais tardio, a partir da década de 1970. 

Apesar do ingresso tardio no universo formal da Educação, as mulheres ocupam hoje lugar de destaque em todos os níveis de escolaridade, algo demonstrado pela pesquisa do IBGE ‘Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010’, que identificou que no ensino médio houve um aumento da frequência das meninas de 9,8% em relação aos meninos. Na universidade, as mulheres também passaram a ser maioria, uma vez que totalizam 57,1% do total de alunos de 18 a 24 anos.

Apesar dos números animadores, ainda há uma série de debates e reflexões sobre qual é o papel da mulher na sociedade. Pode-se afirmar que a escola ampliou as possibilidades femininas de vida e realização, e continua sendo um espaço privilegiado em um mundo que segue em transformação.

 

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Inofensivos, divertidos e engraçados? #sqn

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Por Cristina Corsini

Desafios lançados na internet viraram febre e vêm se tornando moda. A primeira vista, podem até ser engraçados, divertidos e, também, parecerem brincadeiras bobas e inofensivas… SÓ QUE NÃO! Ledo engano! Brincadeiras equivocadas e desafios pesados podem causar lesões sérias, danos irreparáveis no cérebro e, em casos mais graves, a morte de crianças e adolescentes.

Recentemente, virou notícia a morte de uma menina de sete anos. Motivo? A garotinha, curiosa acerca de um vídeo postado no Youtube – o “Desafio do Desodorante”, resolveu imitar o conteúdo inalando desodorante aerossol direto em sua boca, o que provocou uma parada cardíaca. Pouco tempo antes os noticiários anunciaram outra morte. Dessa vez provocada por complicações respiratórias devido ao “Desafio da Asfixia” – que consiste, basicamente, em prender a respiração de maneira mecânica, até perder os sentidos. A vítima? Um adolescente de 13 anos. Ah, sem esquecer, logicamente, as vítimas do Desafio da “Baleia Azul”.

O que mais assusta em tudo isso é que os vídeos, divulgadas como “brincadeiras” nas redes sociais, estão ali… ao alcance de todos… basta um simples click! Desafio do Desodorante, o da Pimenta, o do Martelo, o da Colher de Canela e inúmeros outros… todos com um grau de perigo para quem tentar realizá-los. Pois, são essas tais “brincadeiras”, que viralizam rapidamente, que já mataram mais de uma dezena de jovens brasileiros e deixaram outras centenas feridas.

Influenciáveis e suscetíveis, muitos aceitam os desafios movidos pela curiosidade e outros, por autoafirmação e para serem socialmente aceitos, mesmo tendo certa ideia de que não lhes parece certo.

Denunciar é praticamente impossível, porque, além dos vídeos lançados por canais e também por youtubers famosos muito mais preocupados em gerar “curtidas” e “visualizações”, ao invés do mal que aquele conteúdo pode causar, as pessoas que aceitam o desafio acabam, também, postando os seus vídeos na rede e, aí, tudo fica fora de controle.

Internet é muito legal, interessante e atraente! Pode, inclusive, representar um verdadeiro “parquinho de diversões” para as crianças e “point” para os adolescentes… Um espaço sem fronteiras, que oferece informações rapidamente, aprendizado, diversão e através do qual é possível se conectar com o mundo todo, o que é positivo, sem dúvida.

No entanto, o fato de crianças e jovens não estarem na rua e, sim, dentro de casa não pode ser considerado sinônimo de proteção e segurança. Ao acessar a rede é como se eles estivessem trazendo a “rua” para dentro de casa. A diferença? Antes eram as ruas de asfalto que geravam preocupação nos pais, hoje devem ser os “becos online”. Esse público corre perigo e está vulnerável, sim, uma vez que muitos dos perigos do mundo real estão no mundo virtual. Têm riscos e é perigoso que não podemos subestimar – imagens de conteúdo adulto, comportamentos agressivos, pedofilia, pornografia, tráfico.

Não tem como impedi-los de terem acesso à rede. Proibir o uso não previne e, muito menos, educa. É sabido que hoje o mercado dispõe de uma série de programas que filtram e bloqueiam sites. No entanto, isso é apenas uma ajuda; Não podem substituir o acompanhamento da família. Sem dúvida alguma, o único caminho para a proteção e educação é a orientação e assistência. O uso responsável e saudável da tecnologia por parte de crianças e adolescentes tem que vir acompanhado de abertura para o diálogo. Note bem, DIÁLOGO, não monólogo… só ficar falando “não faça” ou pregando “você não pode fazer tal coisa porque é errado”, de nada vai adiantar. É importante que o adulto seja um mediador que os ajude a desenvolver competências socioemocionais, tais como a autoestima e a autoproteção, bem como os ensine a refletir – antes de tomarem qualquer atitude, é importante ver se realmente aquilo é bom para eles e não agirem guiados apenas pelas emoções, mas com inteligência. Por fim, é necessário desenvolver uma relação de confiança.

No que diz respeito à escola, essa tem papel da essencial, pois é um espaço para disseminar informações e promover debates que alertam para o uso responsável da internet e para a construção de um ambiente digital mais ético e seguro.

Resumindo, o melhor controle parental ainda é a proximidade com as crianças e adolescentes. O importante é permitir o acesso, porém com regras e limites acordados. Afinal, não podemos priva-los dessa importante ferramenta de comunicação, pesquisa e diversão! Então:

1.    Criança e adolescente + tecnologia = trabalho para os pais e escola.
2.    Diálogo + confiança = internet segura.

Cris CorsiniCristina Corsini é psicopedagoga, orientadora educacional do Anglo Center Ville e coordenadora nacional do curso de pós-graduação em Educação Socioemocioal do IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores)

 

 

 

 

 

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O desafio de administrar mais de uma escola em 2018

Algumas dicas simples podem facilitar o seu dia a dia na administração

Por Leiza Oliveira

Gerenciar duas ou mais escolas pode trazer desafios ao empreendedor. Porém, lembre-se que é nas dificuldades que vêm os ganhos. No caso de trabalhar com educação esses ganhos não são apenas financeiros. Envolve a formação de vidas e com isso o ganho do aprendizado desses alunos, professores, e todas as partes envolvidas de uma instituição escolar.

Áreas como administrativa, pedagógica e comercial fazem uma escola funcionar. Entretanto, sem sinergia e consciência que o bom atendimento é o que deve ser colocado em primeiro lugar, às unidades tende a falência. Na Minds Idiomas, por exemplo, é comum um franqueado ter mais de uma unidade. É ainda mais comum esse gestor ter sócios nas demais escolas. Logo, o desafio é de estabelecer um planejamento em cada estrutura, organizar o tempo despendido com cada local e dividir as tarefas. Para isso, estabelecemos a Universidade Corporativa que nada mais é que cursos presenciais e online para todos os colaboradores da rede Minds Idiomas.

Para ajudar você, gestor educacional, que tem mais de uma escola para administrar, seguem 5 dicas para gerenciar com competência e sem stress:

  • Defina prioridades para cada escola

Vale criar um planejamento mensal e seguir as diretrizes estabelecidas. É claro que imprevistos acontecerão, porém tentar seguir ao máximo com o planejado fará com que os custos e receitas de cada escola sejam bem estudados e não “fujam” do previsto. Mesmo que aconteça de ter que alocar quantias de uma unidade para outra é possível nesse planejamento realocar as finanças no mês seguinte e tornar os caixas de cada escola sadios.

  • Ouça os alunos

O que acontece em uma unidade não necessariamente vai acontecer na outra. Fique atento (a) quanto a isso. Cada indivíduo é único e captar como estão aprendendo é o papel de qualquer instituição escolar. Logo, crie canais eletrônicos e\ou converse pessoalmente com os estudantes. Esse “feedback” pode lhe ajudar a mudar a metodologia usada e enxergar o que é preciso ser mudado naquela unidade.

  • Dê treinamentos para os colaboradores

Vale um curso presencial e/ou online. O importante é toda a cadeia que faz a escola funcionar ser treinada periodicamente. Pode ser semestral ou anual. Cada colaborador precisa saber qual o seu papel, objetivos que deve percorrer e como crescer na carreira. Profissionais satisfeitos refletirão isso aos alunos. E todos só têm a ganhar.

  • Use a tecnologia

Muitos gestores escolares olham para os meios digitais como concorrentes. Aulas online e ensino a distância assustam muitos empreendedores. Entretanto, o ensino tradicional, olho no olho, pode ser intercambiado com a internet. O local para achar informações jamais substituirá a troca com outro ser humano. Assim, unir tecnologia para desburocratizar algumas atividades na escola pode ser de grande ganho para estudantes e funcionários. Sistemas que lançam notas ou mesmo conteúdo para o aluno(a) ler em casa pela internet são válidos.

  • Transparência é a arma do sucesso

Já sabemos que cada escola terá problemas e soluções distintas. Porém, algo comum a todas são as pessoas. Funcionários, alunos e pais compõem a estrutura escolar. Assim, tornar a visibilidade de dados acessível faz com que a sua escola ganhe credibilidade e resolva conflitos. Por exemplo: um coordenador pedagógico precisa saber o rendimento de cada professor e aluno. Assim como os responsáveis pelos estudantes precisam saber como eles estão caminhando no estudo e no convívio com os demais. Abra esses dados, sem medo, mesmo que tenha que enfrentar algumas represálias. É só na transparência que poderá corrigir as arestas de cada escola.

 

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Leiza Oliveira é CEO e diretora educacional da rede Minds Idiomas. Fez magistério, ciências contábeis e administra um total de 70 escolas de idiomas. Possui escolas nas 5 regiões do país. Realiza treinamento de franqueado, lida diretamente com alunos e atualmente reside nos Estados Unidos para trazer tecnologia para dentro das salas de aula das escolas da Minds.

O Coordenador Pedagógico como articulador do Projeto Político Pedagógico e a contribuição da Pedagogia Freireana para sua prática

 

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Por Marcia Gaddini

Ao pensarmos nas questões sobre o aperfeiçoamento da ação do coordenador pedagógico, a partir das contribuições da Pedagogia Freireana, se faz necessário compreender, dentre outros fatores, qual é o sentido da Pedagogia para Freire.

Danilo E. Streck, no Dicionário Paulo Freire, esclarece que não há uma pedagogia única, existe diversidade de formas atreladas aos momentos e contextos, o que implica no diálogo verdadeiro sobre a prática, a partir da vivência e da experiência, entendido como elemento para a formação na dinâmica dialética.

A necessidade formativa inicial e o desejo de aprender continuamente devem fazer parte das prioridades do professor na evolução da carreira, sobretudo quando o mesmo ambiciona tornar-se coordenador pedagógico. Portanto, o educador não deve apenas aceitar a realidade que se apresenta, mas também buscar maneiras de ir além, de buscar o conhecimento do outro, de oportunizar o desenvolvimento a partir da consciência desse conhecimento, possibilitando a transformação das adversidades do cotidiano. Este não deve conformar-se com a aceitação da realidade que se apresenta, mas sim apresentar formas de busca do conhecimento, de oportunizar o desenvolvimento a partir da consciência desse conhecimento, possibilitando a transformação das adversidades apresentadas nos desafios cotidianos.

Mais do que uma ciência que trata da educação, a Pedagogia é um conjunto de métodos que assegura ajuste de conteúdo. A partir dos ensinamentos de Freire podemos refletir sobre o processo de ensinar, que implica o de aprender e vice-versa, envolve a paixão de conhecer que nos insere numa busca prazerosa, ainda que nada fácil.

Para Paulo Freire antes de ensinar é preciso aprender. O bom aluno e o bom professor passam pela mesma necessidade da compreensão do aprender. Em Pedagogia da Autonomia, Freire estabelece relações sobre o ensinar. Ensinar exige conhecimento não apenas técnico, mas conhecimento das relações humanas, respeito ao próximo e amorosidade, reforçando a capacidade crítica do educando como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos.

Segundo Freire, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção. Sua concepção de educação libertadora tem uma visão humanista crítica, estuda-se o ser humano que aprende como um todo, sendo assim não podemos pensar apenas na dimensão cognitiva.  Não são considerados apenas conhecimentos, mas também escolhas e atitudes por meio de uma Educação dialógica ao pensar crítico diante de sua realidade.

Ao refletir sobre a formação do professor e os desafios da contemporaneidade, a mestre em Educação Joanete explicita de modo claro pontos referidos na pedagogia freireana, que versam sobre princípios e responsabilidades profissionais frente às questões adversas que enfrentamos cotidianamente, como a autora apresenta no trecho a seguir:

“Ser professor, na sociedade brasileira atual, é algo bastante complexo, pois o professor precisa ficar atento aos riscos que o contexto histórico lhe impõe, reduzindo por vezes, o conhecimento, ou seja o ‘saber’ ao ‘saber fazer’, por meio de técnicas, muitas vezes apoiadas em um discurso ideológico, pretensamente democrático. […]. É nessa sociedade marcada pelas desigualdades, que a necessidade de uma leitura crítica de mundo, que permita assumir a educação, enquanto direito cultural e não como produto do mercado, se impõe. Assim, não se pode perder de vista, na construção de uma identidade docente, o humano e o profissional”.

O Projeto Político Pedagógico (PPP) na escola é a referência documentada dos processos educativos discutidos, tal documento respalda determinadas decisões a serem tomadas pelo coletivo escolar, mas é importante ter entendimento do mesmo, com a interpretação à luz de um educador com a concepção ideológica crítica, assim sob o olhar da Pedagogia Freireana o PPP será uma referência dinâmica e viva.

Para que um Coordenador Pedagógico possa iniciar a reflexão sobre suas ações a serem desenvolvidas no contexto escolar, é necessário que tenha conhecimento do documento que define a identidade, embasa as ações e concepções, e indicam caminhos para o processo de ensino-aprendizagem.  Segundo a Pedagoga Prof.ª Dr ª Ana Maria Saul, na perspectiva freireana, currículo é a política, a teoria e a prática do que fazer na educação, no espaço escolar e nas ações que acontecem fora desse espaço, numa perspectiva crítico-transformadora.

Consideramos projeto por reunir as propostas de ação dentro de um determinado período de tempo; político por considerar a escola como um espaço de formação de educandos conscientes e críticos; pedagógico por organizar as atividades educativas imprescindíveis ao processo ensino-aprendizagem, documento este que indica caminhos a seguir para direção, coordenação pedagógica, alunos, familiares e demais funcionários de apoio.

Portanto, o Projeto Político Pedagógico contempla muito mais do que procedimentos: um projeto bem elaborado não deixa imprecisões sobre esse caminho; precisa ser flexível para se adaptar às necessidades de aprendizagem dos alunos; um projeto “vivo e real” que não fica “guardado”, mas ativo e inacabado, pois no decorrer do ano novas propostas vão permeando o fazer pedagógico e transformando-se em um novo projeto para ser apresentado no ano seguinte. Logo, o PPP é o exercício de elaboração do saber pedagógico para orientar a prática, não definitivo, é dinâmico e em contínua construção.

 

Marcia. Gaddini FTD pngMarcia Gaddini é Consultora Educacional da FTD Educação, mestranda em Educação – Formação de Formadores – PUC SP, trabalha e pesquisa sobre a formação inicial e continuada de profissionais da Educação. Especialista em Psicopedagogia pela Faculdade Oswaldo Cruz e Licenciada em Pedagogia com Habilitações em Administração Escolar e Orientação Educacional / Vocacional pela Faculdade Campos Salles. Atua há 20 anos na área educacional como docente em todos os segmentos da Educação Infantil ao Ensino Superior; também foi Coordenadora Pedagógica em Colégio Confessional em São Paulo.

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Quais atitudes dos pais podem ajudar ou atrapalhar no desempenho das crianças na escola?

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Por Gislene Maria Magnossão Naxara

Em mais de 30 anos de atuação na área de educação percebi que os pais precisam ser parceiros da escola, para que a criança perceba que eles e os colégios têm as mesmas atitudes em relação à aprendizagem. Quando falamos em educação, cada família tem a sua estrutura, já a escola trabalha com o coletivo. Ou seja, cada criança vem de uma família diferente, com crenças diferentes, mas o colégio tem uma rotina específica, que traz não só as questões pedagógicas e de aprendizagem, mas também as questões de limite, e acima de tudo, de respeito. Para a fase infantil, ter uma rotina é muito importante e a escola contribui com isso. Quando a família escolhe a instituição de ensino para o filho, é necessário que ela acredite nos valores e na proposta pedagógica que ela possui, para poder validá-los. A criança tem que saber que a atitude de ambas é a mesma.

A família também precisa caminhar junto à escola, pois se ela traz algo diferente do que a escola oferece para a criança, que passa grande parte do dia dentro do colégio, acaba atrapalhando o desenvolvimento infantil. Os familiares ajudam a escola quando acredita no trabalho da escola. A criança precisa ter a certeza de que a linguagem é a mesma, em casa e na escola, assim ela sai ganhando com isso. Como coordenadora pedagógica da Educação Infantil no Colégio Salesiano Santa Teresinha, na Zona Norte de São Paulo, percebi outras atitudes importantes de pais e responsáveis que ajudam a proporcionar momentos de estudo com qualidade aos educandos que gostaria de compartilhar.

Não há necessidade de obrigar a criança a estudar após o colégio. Para ela, a aprendizagem é muito espontânea e significativa. Portanto, uma atividade muito formal numa fase inicial não se faz necessária. Vale muito mais um tempo de leitura junto à família do que horas de estudo. Porém, você rever o que seu filho aprendeu na sala de aula, sentar com ele para que ele conte o que fez na escola, isso sim ajuda, além disso, ver e acompanhar a tarefa de casa é muito importante, pois nessa fase, a tarefa que vai para casa tem o intuito de formar a rotina de estudo. É fundamental que a criança tenha um período para essas tarefas que a escola envia, pois é a escola que dosa esse tempo necessário mediante as tarefas solicitadas. Não precisa de horas e horas de atividades e estudo na infância, mesmo porque num primeiro momento ela vai se dedicar, depois não mais, será algo mecânico.

Ela deve ter uma rotina, por conta disso são enviadas tarefas de acordo com a faixa etária que trará essa rotina. Dedicar um tempo curto para que a criança possa repensar o que ela aprendeu ou o tempo da demanda da tarefa que a escola encaminhou ajuda bastante. A família auxilia essa rotina. Se todo dia a criança tem tarefa, então todo dia ela sentará para fazê-la naquele momento, longe de brinquedo, televisão e outros aparelhos ou objetos que possam distraí-la. Outro ponto que pode ajudar é reforçar a postura de estudante e, por exemplo, evitar levar a criança para passear sem antes ter o tempo da tarefa, o que acaba mostrando que a escola está em segundo plano e que outras atividades são as prioridades.

Sendo assim, o tempo de tarefa que a escola solicita deve ser respeitado, pois a criança passa a entender qual é sua responsabilidade e vai inserindo uma rotina adequada de estudo. A quantidade de horas que uma criança precisa ter de estudo fora da sala de aula deve aumentar gradativamente. Para uma criança pequena, de 4 a 5 anos, uma tarefa de 30 minutos dá conta de uma dedicação efetiva nesse momento. Conforme ela vai crescendo, o tempo vai aumentando, pois, a necessidade é outra.

Na infância, ela passa pelo processo de construção do próprio conhecimento, mas com o passar do tempo o contato será com temas mais conceituais, que necessitam de mais estudo e pesquisa, ou seja, de um período maior. E quando, mesmo pequeno, mostramos que esse tempo de estudo é importante e mostramos que não é opcional, trabalhamos a postura de estudante e isso vai aumentando gradativamente, para que essa postura seja fortalecida e para que a criança dê conta da demanda que crescerá durante a vida escolar.

Gislene Maria Magnossão Naxara é Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e 1° ano do Colégio Salesiano Santa Teresinha, atua na área de educação há 32 anos. Formada em pedagogia e pós-graduada em psicopedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, ela também cursou especializações em didática de 1ª a 4ª série, semiótica e aprendizagem cooperativa com novas tecnologias no estilo Salesiano.

 

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